Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos
Muito acertadamente, como de costume, a Igreja Católica este ano discute um tema que faz parte das principais demandas do tempo presente, notadamente da realidade brasileira. Além da cultura, a educação e consequentemente os educadores e educandos têm vivido momentos muito difíceis, agravados sobremaneira pela pandemia da COVID-19.
Desde quando foi criada, em 1962, em duas outras ocasiões a Campanha da Fraternidade teve como mote discursivo a educação: em 1982 (Tema: Educação e Fraternidade; Lema: A verdade vos libertará; e em 1998 (Tema: Fraternidade e Educação; Lema: A serviço da vida e da esperança).
Pensando a educação em todos os âmbitos da vida (p.7), a Campanha da Fraternidade de 2022 tem como tema “Fraternidade e Educação” e como lema, uma passagem do livro de Provérbios, capítulo 31, versículo 26: “Fala com sabedoria, ensina com amor”, cuja identidade visual nos remete à conhecida passagem de Jesus que perdoa os pecados de uma mulher acusada de adultério, prestes a ser apedrejada por seus detratores (João, 8).
Na Oração da Campanha da Fraternidade de 2022, é possível pinçar algumas situações reflexivas, não somente ao nível teológico, mas também pedagógico e educacional. A ideia de que o cristão é educado pela Palavra e por Ela é liberto e salvo. Pedagogicamente, também sabemos, até mesmo por experiência, que a educação também liberta. Por meio dessa educação salvífica e libertadora, vencemos os principais problemas emocionais de nosso tempo, causas das principais doenças psicológicas: o medo, o desânimo e o cansaço.
Ainda por meio da Oração da Campanha da Fraternidade de 2022, somos instados a “promover uma educação integral, fraterna e solidária”, em contraposição à educação ensimesmada, competitiva e consumista. Por isso, apelo que devemos fazer este ano: “Ensinai-nos a falar com sabedoria e educar com amor!”. Para além de uma educação pragmática e desumana, o humanismo da “pedagogia do diálogo” e isto significa está acima de quaisquer ideologias, encarando o sujeito aprendiz como alguém que precisa de atenção, cuidado, afeto e orientação, sobretudo, orientação para a vida.
À luz da profunda sede de aprender e ensinar, inerente a todo ser humano, a CF 2022 apresenta Jesus Cristo como “o grande educador”, aquele que o faz de maneira pedagógica, com amor e sabedoria. Embora não haja registos escritos da autoria de Jesus, temos informações de que ele sabia ler e consequentemente também sabia escrever. Sua técnica evangelizadora em muito se assemelha a um professor, principalmente aquele que se vale do simples para explicar o complexo, do cotidiano para atingir o coração. A educação “de cuore”. O educador que fala, mas que também escuta.
Em meio a toda sorte (ou melhor, azar) de situações as mais diversasnesses tempos de intolerância e de guerra, faz-se necessário “encontrar caminhos para a superação da violência”, “refletir sobre os fundamentos do ato de educar” e “alargar o horizonte de nossa compreensão a respeito da educação” (p. 13). Daí a ênfase no “cuidado dialogal”. A falta de diálogo, de sentar para conversar e procurar se entender está entre as principais causas dos nossos problemas atuais.
Nesse sentido, mais do que nunca, a educação é um convite para uma vida mais fraternas, mais justa, humana e digna. É imperativo refletir e agir sobre todas as realidades escolares do país. Os efeitos da pandemia de COVID-19 foram terríveis sobre as crianças e sobre os adolescentes e, de igual modo, sobre os profissionais da educação, que além de lutares por salários e melhores condições de trabalho, também precisam se reinventar a cada nova situação, seja ela material, seja ela psicológica. (Fonte: Manual da Campanha da Fraternidade 2022. Edições CNBB)

