O trabalhador brasileiro não suporta mais bancar os acionistas da Petrobras – consequência prática da política de paridade com a cotação internacional de petróleo, adotada pela direção da estatal desde o governo Michel Temer. Infelizmente, apesar de arrotar muita valentia, o presidente Jair Bolsonaro não tem peito para enfrentar a questão de frente.
Ontem, a Petrobras anunciou um reajuste de combustível sem precedentes nas refinarias. Logo, a gasolina, o diesel, o gás de cozinha estarão muito mais caros. O aumento constante dos preços, indiferente à capacidade financeira do consumidor doméstico, gerou um lucro de R$ 106,6 bilhões, ano passado. Ao contrário dos trabalhadores, os acionistas da empresa não têm do que reclamar.
O resultado já é percebido nas prateleiras dos supermercados. Com o aumento do preço cobrado pela gasolina nos postos de combustível, a pressão inflacionária contamina toda a produção nacional, a começar pelos alimentos. Convém ter sempre em mente: Apesar de um potencial hidroviário imenso, o País se move quase exclusivamente sobre rodas.
A situação ultrapassou todos os limites. O mega-aumento de combustíveis fez disparar a expectativa de inflação para 2022 e tem potencial para deteriorar ainda mais o quadro macroeonômico, num ciclo vicioso de mais endividamento público e pressão sobre o dólar. Mas o presidente brasileiro lavou as mãos, covarde. Bolsonaro diz não ter nada com o assunto.
Preço exagerado, sobre combustíveis


