Afonso Nascimento
São muitas as razões para votar em Luiz Ignácio Lula da Silva, mas a principal consiste em retirar um indivíduo inominável de alta periculosidade que ocupa o Palácio do Planalto, onde diz trabalhar desde 2019. Esse senhor tem imposto aos brasileiros uma tragédia bem pior do que a pandemia do coronavírus. Ele não tem compromisso com a democracia, ao contrário, tem passado por cima da constituição e aparelhado as instituições estatais. Ele representa a quebra da lei todo o tempo, insulta os responsáveis dessas instituições, faz ameaças de golpe de Estado, agride esposa de chefes de Estado estrangeiros, se comporta com arrogância antidemocrática ao afirmar que, se ele não ganhar a eleição desse domingo, terá havido alguma irregularidade da parte da Justiça Eleitoral brasileira. Ele causa vexame por onde passa.
Lula é o mais importante presidente da história do Brasil. Pode ser classificado como um líder populista de esquerda. Somente Lula tem condições de reunir em um todo novamente as partes desse país por ele fragmentado e dividido de muitas maneiras. Felizmente, o ex-metalúrgico Lula está bem vivo e gozando de boa saúde para comandar a sua campanha eleitoral, visitando as vinte e sete unidades da federação brasileira. Na corrida presidencial de 2018, Fernando Haddad (indicado por Lula no seu lugar) teria conseguido vencer o imitador de Hitler, não fosse a mesquinharia de um certo político cearense que se recusou a apoiar, no segundo turno, o professor universitário de São Paulo.
Foi insuportável para nós democratas brasileiros ver Lula tornado o primeiro preso político depois do regime militar por uma organização criminosa chefiada por um juiz federal vendido e um grupo de procuradores de Curitiba. Na capital do Paraná, foi criado um tribunal de exceção, o qual, a pretexto de combater casos de corrupção, prendeu e condenou Lula, passando escandalosamente por cima da Constituição e de outras leis brasileiras. Para sorte dos brasileiros, um hacker do bem teve acesso ilegal, é verdade, a provas que mostravam como agiam esses malfeitores, obrigando o STF mandar anular e arquivar todos os processos judiciais contra Lula. A despeito de ser obrigado a passar quinhentos e oitenta dias na carceragem da Polícia Federal de Curitiba, não guardou ressentimento, nenhum desejo de vingança depois que foi libertado.
Lula começou a sua vida política militando em sindicato metalúrgico da região do ABC de São Paulo. Comandou uma importante greve em 1978, quando foi preso pela ditadura militar. Tempos depois de libertado, foi o principal fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), que reuniu intelectuais, sindicalistas, religiosos, professores e trabalhadores em todo o país. Os eleitores paulistas o elegeram deputado federal e ele, em seguida, começou a participar de disputas eleitorais para presidente do Brasil. Começando em 2002, foi eleito presidente do Brasil por duas vezes e também contribuiu para eleger por duas vezes a economista Dilma Rousseff, a qual foi derrubada por um golpe parlamentar-judicial-midiático em 2016. A chamada “Operação Lava-Jato” e o golpe de Estado pavimentaram o caminho para a vitória do ex-capitão extremista do Exército a chegar à presidência da República.
Depois do segundo mandato de presidente, Lula deixou um legado relevante de obras sociais, econômicas e políticas que fizeram com que os brasileiros depositassem nele uma confiança nunca vista neste país. Posso mencionar algumas como o Bolsa Família, a Lei de Cotas, a Lei do Acesso à Informação, pagamento da dívida externa ao FMI, criação de universidades e campi federais, etc. Os oito anos de seu governo foram tempos de prosperidade para empresários, trabalhadores, etc. Sem preconceitos de minha parte, pobres passaram a viajar de avião e empregadas domésticas puderam visitar a Disney em Miami, na Flórida – algo que incomodou setores elitistas com mentalidade escravocratas desse país.
Quando deixou o poder, Lula tinha 87% de aprovação popular. Se quisesse, poderia pedir ao Congresso mais um mandato – o que não seria problema dada a confiança depositada nele por brasileiros de todas as classes, etnias, regiões, etc. O povo brasileiro não esqueceu a grande obra citada acima de Lula que o transformou em um estadista latino-americano admirado e respeitado nos grandes fóruns mundiais. Isso explica porque Lula é o primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto hoje e, não havendo surpresas, deverá ser eleito pela terceira vez presidente do Brasil em dois de outubro de 2022.
Lula tem grande experiência política acumulada ao longo de sua história como sindicalista, como parlamentar e como chefe do executivo federal. É um político carismático, um grande orador, capaz de conseguir seguidores em todas as classes sociais, porém, especialmente entre as classes populares. Possivelmente, isso deve ter a ver com suas origens pobres em Caetés, no sertão pernambucano. Esse ex-pau-de-arara sabe como ninguém alcançar aquelas pessoas mais humildes e verbalizar as necessidades e as dores das famílias populares brasileiras como nenhum político. Ele sabe falar a língua das classes populares e sabe traduzir ideias, teorias e conceitos complexos de especialistas como economistas etc. em algo acessível ao entendimento dos grupos subalternos do país.
Faz muito tempo que deixei para trás aquela fase em que as pessoas têm heróis. Por isso, quando digo que ele é o político mais importante na história do Brasil, não estou exagerando. Não dou a ninguém elogios imerecidos. Lula é um homem político que não veicula qualquer discurso de ódio contra ninguém. Ele não odeia o povo brasileiro como o capitão asqueroso de extrema-direita. Seus adversários tentaram colocar nele a pecha de “ladrão”. Que ladrão? Em todos os processos judiciais a que respondeu não foi encontrada uma única prova material que o incriminasse! Tem setenta e seis anos, porém idade não é um problema para ele. Durante a atual campanha eleitoral, ele declarou que, sendo vitorioso no próximo domingo, não pretende concorrer a um segundo mandato. Não é isso o que certos líderes latino-americanos têm feito. Ele terá de reconstruir um país que se encontra em ruínas, mas, para isso, contará com o apoio do povo brasileiro, porque em Lula os brasileiros podem confiar.
Afonso Nascimento, professor aposentado da UFS


