Rômulo Rodrigues
Na tarde dessa segunda feira 12 de dezembro de 2022, na festa da democracia, acontecida no salão principal da corte judiciária, os brasileiros de boa índole acompanharam a execução de um ato que deixou todos de alma lavada, a conquista do centro do tabuleiro do xadrez político, na grande disputa entre a civilidade e a barbárie.
Por vários aspectos, ou por todos, isso é muito importante, porque é lá que ocorrem os principais movimentos táticos de uma batalha pela sobrevivência de uma nação, que vem sendo ameaçada e vilipendiada por traidores das mais diversas categorias e matizes, que têm como objetivo final, destruí-la.
Já na madrugada da segunda feira da diplomação, Jair Bolsonaro mandou abrir os portões do Palácio da Alvorada, para que seu contingente de baderneiros profissionais recebessem lanchinhos da primeira dama, como incentivo para que continuem suas jornadas de aberrações humana.
Na madrugada seguinte, como celebração da entrada em vigor do Ato Institucional nº 5, o famigerado AI-5, as gangues obedientes ao sditames do ocupante do Palácio, foram às ruas para um quebra-quebra e por fogo em veículos oficiais, 5 ônibus e 3 carros, entre os quais, um da própria Polícia Federal.
Dois palcos, duas distância e violências que se conectam. No dia 5, 4 dias antes da queda da seleção frente à Croácia, depois de 44 anos, 2 coronéis do exército uruguaio caíram nas malhas da justiça, processados pelos crimes de prisão, tortura e mortes do casal Lilián Celiberti e Universino Dias, militantes do Partido da Vitória do Povo prisões essas, em território brasileiro na cidade de Porto Alegre, RS.
As absurdas crueldades praticadas contra o casal, foram além da imaginação humana, ao torturarem os dois filhos do casal, crianças de 7 e de 3 anos.
No dia 13, 4 dias após a queda, as manifestações violentas foram para afirmar que os porões da ditadura ainda produzem monstros, conforme foi visto na capital da República.
Por que da associação com o patético jogo da seleção brasileira de futebol? Aí é que desfilam coincidências. É que dentro do grupo brasileiro que ajudou a repressão uruguaia, tinham policiais civis é um jogador de futebol conhecido, bem conhecido na época.
Antes, na seleção que foi vice-campeã em 1950, há citações de que um integrante, titular, era agente policial acusado da prática de torturas.
Já na consagrada seleção que conquistou os títulos de 1958 e 1962, um titular absoluto idolatrado pela mídia e pelo povo, veio a ser reconhecido colaborador dos órgãos de repressão da ditadura militar instalada a partir de 1964.
Passados esses longos anos de massacre contra o povo e tendo entre apoiadores dos algozes grandes ídolos da pelota, não dá para comparar as tristezas recentes com a que vivenciei – até sem entender, pois tinha só 7 aninhos – no distante mês de junho de 1950, com pessoas aos prantos pelas ruas, depois de uma derrota no futebol.
A derrota para a Croácia, nas quartas de final, deu a entender que ali não estava a pátria de chuteiras de Nelson Rodrigues; mas, um grupo de 26 homens que, a exceção de Richarlison, guarda enormes distância do povo brasileiro e das suas angústias e sofrimentos.
Maior que qualquer placar favorável no dito jogo, foi a resposta imediata do futuro ministro da justiça, nomeado e já assumindo de fato as responsabilidade, chamando o feito à ordem, dizendo; a farra acabou e quem dever vai ter que pagar.
É quase certo que o presidente diplomado Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Superior Tribunal Eleitoral, ministro Alexandre de Moraes, pela ética e pela legitimidade dos cargos, não combinaram as mensagens lidas nos discursos.
As afinidades foram apenas unidade nas convicções de que no Brasil de hoje, de amanhã e daqui para frente, não há e nem haverá espaços para golpistas lesa-pátria fardados ou à paisano. Gorilas, nunca mais.
Mesmo assim, ficam os alertas de que o falso cacique utilizado na baderna é traficante, dono de um bordel e financiado pelo agronegócio e que está em andamento um plano para impedir a posse de Lula em primeiro de janeiro de 2023. Mas, eles não passarão!
Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político.


