Desta vez, a greve durou pouco. Rodoviários da empresa Viação Modelo decidiram encerrar no início da noite a paralisação iniciada no período da manhã. A brevidade do protesto, convém alertar os incautos, é inversamente proporcional à gravidade de suas motivações.
A paralisação foi motivada pelo atraso no pagamento de salários, décimo terceiro salário e vale-alimentação. De acordo com um dos líderes da paralisação, Wilson Passos, a empresa se comprometeu em iniciar o pagamento do vale-alimentação, do salário em atraso e o décimo terceiro salário.
Sem a licitação do transporte coletivo de passageiros em Aracaju, a contratação das empresas hoje responsáveis pela prestação do serviço pouco difere de um acordo de cavalheiros estabelecido entre o poder público municipal e os empresários do setor. O resultado é visto nas ruas, na forma de veículos caindo aos pedaços e usuários insatisfeitos nos pontos de ônibus, quase sempre atrasados para o trabalho. O serviço é precário, a ponto de jogar por terra todo o investimento em mobilidade urbana realizado na capital sergipana.
Impossível ignorar a dívida das empresas em atividade na capital sergipana com os trabalhadores rodoviários. Uma dívida, convém sublinhar, contabilizada em pagamentos atrasados e também em direitos negados. Há, portanto, um saldo devedor francamente imoral, estimado não apenas em moeda corrente, mas, sobretudo, em respeito à dignidade dos trabalhadores.


