Menos de 48 horas após ter ocupado de forma irregular um canteiro de obras no município de Barra dos Coqueiros – região metropolitana de Aracaju -, cerca de 30 famílias integrantes do Movimento de Homens e Mulheres Trabalhadores de Sergipe (MONTHESE), foram orientadas a deixar o espaço sem que houvesse a necessidade de uso da força conduzida por profissionais da Segurança Pública. Em atendimento à ordem emitida pelo Poder Judiciário sergipano, agentes da Polícia Militar deram início à reintegração de posse no início da manhã do último domingo (29). O imóvel invadido pertence a um grupo empresarial, o qual enfrenta processo de recuperação judicial. Sem atividades operacionais no momento, o imóvel possui 240 apartamentos divididos em três torres.
Paralelo ao trabalho desenvolvido pelos próprios agentes de linha de frente, a Polícia Militar contou com o apoio do Grupo de Gestão de Crises e Conflitos (GGCC), bem como de representantes da Caixa Econômica Federal (CEF), oficiais de Justiça e agentes da Polícia Federal. Apesar do clima de descontentamento por parte dos ocupantes contra a intervenção jurídica, bem como a agilidade na decisão deliberando favorável à reintegração do solo, as famílias deixaram o espaço sem protagonizar embate com os policiais. Mediante a perspectiva de inviabilizar um possível retorno destes – ou outros -, ocupantes de forma clandestina, desde o final da tarde do domingo o espaço segue sendo monitorado com frequência.
Esta ação acontece com exclusividade por intermédio de vigilantes terceirizados, contratados pelos atuais detentores do imóvel; a Polícia Militar segue de sobreaviso para agir em caso de novas invasões. Em cenário semelhante às ocupações irregulares vivenciadas ao longo dos últimos anos em Sergipe, as famílias lamentam que precisaram se apropriar do prédio por não dispor de condições financeiras capazes de alugar imóveis para habitar. Em conversa com o JORNAL DO DIA, Waltersson Souza, cidadão desempregado e pai de duas crianças, lamentou que paralelo à escarces de alimento, também vivencie a angústia de não ter um local com o mínimo de adequação para acomodar a família. Assim como a maioria, ele não é natural da Barra dos Coqueiros.
Edifício é desocupado na Barra dos Coqueiros


