Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Isabela Moraes, uma das vozes mais bem articuladas da novíssima cena pernambucana, realiza hoje o show Estamos Vivos, no Café da Gente, anexo ao Museu da Gente Sergipana. Vivificante, o repertório alinhavado por esta cantora e compositora de inspiração invulgar tem o condão de inflamar os nervos, como a lançar um desafio: enquanto há pulso, há também razão para cantar.
Em conversa com o JORNAL DO DIA, Isabela fala muito brevemente sobre suas inspirações e também a maneira como encara o próprio ofício. Em poucas palavras, no entanto, percebe-se o ponto de vista e a verve de uma artista decidida a fazer valer cada minuto guardado em cada canção.
Jornal do Dia – O seu trabalho, assim me parece, extrai quase tudo da força da palavra. Em tempos de streaming e velocidade, a aposta em um enunciado mais ou menos elaborado não é arriscada?
Isabela Moraes – Sua pergunta é muito pertinente em meio a tudo que estamos vivenciando nesse agora quando até os áudios do telefone têm aceleramento. Já me perguntei onde vamos parar com tanta pressa. Mas aí me convençosobre a necessidade da pausa que uma boa história numa canção pode proporcionar, além de ser tudo muito espontâneo, claro. A atenção, o cuidado e a entrega a esse tempo de escuta. A necessidade desse contraponto se faz mais presente agora mais que nunca.
JD – Você tem três álbuns autorais lançados, nos quais se percebe uma certa coesão de temas e propósitos. Ainda faz sentido encarar o álbum como um manifesto? A lógica do consumo em voga com as playlists não superou o disparo de maior fôlego, em favor do ganho imediato?
Isabela – Eu tenho dois demos. São discos lançados lá no começo da minha carreira, que me amadureceram para chegar nesse álbum agora chamado ESTAMOS VIVOS. Este último, lançado com uma produção bem pensada e já com uma certa maturidade técnica e pessoal.
Meu álbum é um manifesto de minhas percepções e sentidos. Minhas transmutações e inquietações, meu olhar sobre o mundo de dentro e fora.
JD – Isso posto, há alguma espécie de elo entre as canções de ‘Estamos vivos’? Como se deu o batismo do álbum?
Isabela – O álbum todo conta uma história. As músicas tem um elo entre si. E o nome do álbum se deu a uma frase que eu sempre gritava na noite na hora do brinde. Na hora da celebrar. Uma pausa no meio show.
JD – A cena pernambucana segue nutrindo a música brasileira com sucessivas levas de bons artistas. O que a difere de outras cenas, Brasil afora e, em particular, no nordeste?
Isabela – O sotaque, as influências, os ritmos e manifestações culturais tão particulares que só cada região carrega. Isso as difere e as fazem únicas.
JD – O que esperar do show abrigado pelo Café da Gente?
Isabela – Esse show é preparado com muito carinho. Vim trazer afeto em forma de canção. Tou trazendo esse abraço sonoro e cheio de vida! Espero ter essa troca verdadeira e especial com o público. Isso que torna minha alma acesa e consequentemente meu trabalho mais vivo do que nunca.


