A resposta está na história

* Rômulo Rodrigues

 

Instado a comentar a fala do senador Alessandro Vieira numa comissão no senado federal, opino que não é nem mais, nem menos que uma posição honesta de um senador conservador defensor da democracia que, venhamos e convenhamos não é bandeira ou consigna só da esquerda, e o momento exige esta definição.
Alessandro foi eleito com 474 mil votos na eleição atípica de 2018 pela Rede Sustentabilidade, um partido de espectro de esquerda, num fenômeno de surpresas eleitorais, deformadas em relação a 1974, que em vez de ser de contestação a um regime militarizado foi a exaltação à aquele retrocesso.
No discurso o senador Alessandro me leva a acreditar ser uma satisfação à base eleitoral que o elegeu, sem a classificação de ser eleitoreiro, o que leva a crer que é um freio de arrumação em relação a 2018, buscando a referência em quem vota na pessoa, carregando o equívoco de desvincula-la de programa e partido político.
Sua migração pós conquista do mandato identifica um caminho complicado de fuga de uma conotação ideológica que desconhece e ou, simplesmente, ignora a sociedade de classes e, o que parece mais perigoso, ignora a Luta de Classes.
Sua opção de disputar o governo do estado de Sergipe em 2022, pelo PSDB, moribundo no estado e quase morto no resto do Brasil só tem como atenuante ser uma opção válida pela Social Democracia.
Avaliando precisar de outro ninho procurou outra árvore mais representativa e em acordo com a cúpula nacional do MDB, legenda cultuada como da resistência democrática e, quem sabe, por inabilidade, perde o acolhimento de históricos emedebistas locais que marcaram em suas histórias o enfrentamento com a ditadura militar, com sangue, suor e lágrimas.
Se o raciocínio estiver correto, houve uma desatenção imperdoável para um dogma da política; a política em sendo ciência e arte, trás no ventre o mantra dos gestos e tudo indica que ele perdeu o time da ocasião.
Ninguém na política pode dar um passo assim e deixar para trás aquele verso que só podia ser de Chico Buarque: “Deixa em paz meu coração que ele é um pote até aqui de mágoa, e qualquer desatenção, faça não, pode ser a gota d’agua”. E parece que foi, e para sempre.
É justo e pertinente denunciar distorções salariais nas carreiras de Estado, inclusive, pertencendo a uma delas. Porem é perigoso para o momento em que a democracia está sendo atacada no flanco do judiciário que puxa o cabo de guerra do lado onde estão causas legais e legítimas em contraposição dos que puxam o cabo pelo lado dos gananciosos, valendo lembrar como resgate o escritor Ernest Hemingway: – quem estará nas trincheiras ao teu lado? – E isso importa? – Mais que a própria guerra.
E por que tudo isso? Porque o local onde se trava esta luta não é na beira do buraco onde se disfarça a moral. É sim, mais embaixo, nos subterfúgios da guerra real, no atual paradigma da luta de classes, no momento em que o império tende a cair por fadiga de material.
A luta da real política está sendo travada na casa grande do poder da República onde Alessandro se destaca no que é a do equilíbrio do mundo e não a do portal UOL que trata a taxação do IOF, como uma guerra do presidente Lula, negando ser uma atribuição constitucional do chefe de governo, no campo onde determina a Constituição Federal e não onde quer a agiotagem financeira.
Aí, com a devida vênia, digo; o mal maior da conjuntura não está na disparidade dos ganhos clandestinos no alto do poder judiciário, no que falta pouco para lhe aplaudir de pé. Não o faço porque perdeu, para mim, a grande oportunidade de dizer o que o momento exige do congresso nacional na dicotomia redução de IR e IOF: “para baixo, os de cima e para cima os de baixo”.
Alertando sobre onde mora o perigo; Donald Trump manifesta declaração de guerra contra a nova ordem mundial onde os BRICS têm US$ 77 do PIB global e os EUA e Europa, 52 trilhões.
Aquele momento de 1964 que inspirou o momento de 2018, não cabe mais como exemplo para 2025 e 2026, mesmo que o teocrático presidente dos EUA não tenha visto o tempo passar na janela.
Hoje, o Brasil tem ordem jurídica, militares de altas patentes vão para a cadeia e um presidente estadista que diz: o dono deste país é o povo.

 

* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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