Milton Alves Júnior
Foi sepultado no final da tarde de ontem o corpo de uma mulher, de 36 anos, vítima de feminicídio no município de Nossa Senhora das Dores, região do Médio Sertão Sergipano. Ao JORNAL DO DIA, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE), confirmou que este foi o primeiro caso de feminicídio registrado em Sergipe neste ano de 2026; durante todo o ano passado, 15 ocorrências fatais foram oficializadas pelo Instituto Médico Legal (IML). Escondido debaixo de uma cama, em uma casa com aparência de abandono, o principal suspeito – foi preso por agentes da Polícia Militar poucos minutos após ter cometido o crime. A vítima foi identificada como Samares de Jesus Santana.
Diante do flagrante, os policiais precisaram algemar o investigado a fim de garantir a integridade física dos servidores públicos envolvidos na operação, bem como conter parte da população que se mobilizou com a finalidade de se aproximar do homem e agredi-lo. Peritos do IML confirmaram a morte e atestaram que o responsável pelo ataque teria utilizado arma perfurante. De acordo com Ronaldo de Jesus, irmão de Samares, o histórico de violência doméstica resultou na prisão do homem – agora acusado de feminicídio. Foi destacado ainda que Samares conviveu durante anos com agressões físicas praticadas pelo ex-companheiro, com quem teve uma filha de 15 anos.
“Era uma morte anunciada. Ele andava dizendo em todo lugar que iria matar ela quando tivesse uma oportunidade. Mesmo com tantas agressões e ameaças, ela não acreditava. E nós ‘falava, falava’ e ela, muitas das vezes, ficava até com raiva de mim porque eu sou um cara ríspido, pego no pé. Ele foi preso, mas desde quando ele ‘se soltou’ a vida dele era falar em todo lugar que ia matar ela; acabou que matou mesmo”, relatou. O corpo de Samares de Jesus Santana foi sepultado no Cemitério Municipal de Nossa Senhora das Dores. A primeira prisão do réu aconteceu após denúncias da própria filha; ele permaneceu detido por cerca de seis meses.


