Os municípios sergipanos gastam rios de dinheiro, sem nenhum discernimento, sob o pretexto de animar as massas
O Ministério Público de Sergipe realizou reunião com prefeitos e representantes de municípios sergipanos para discutir parâmetros objetivos relacionados aos gastos públicos com atrações musicais durante os festejos juninos. Da forma como as contratações se dão hoje, o gestor de plantão gasta como quer e bem entende, uma questão de gosto e também de esperteza.
De acordo com o Diretor do Centro de Apoio Operacional do Patrimônio Público, Ordem Tributária e Terceiro Setor, Promotor de Justiça Rômulo Lins, a iniciativa busca conciliar a tradição cultural dos festejos juninos com o dever institucional do Ministério Público de fiscalizar os gastos públicos. Segundo ele, gestores municipais têm demonstrado preocupação com os valores elevados dos cachês artísticos e procurado o MP para a construção conjunta de parâmetros que possam orientar essas contratações. A verdade, no entanto, é que os municípios sergipanos gastam rios de dinheiro, sem nenhum discernimento, sob o pretexto de animar as massas.
Faltam parâmetros objetivos e também falta apreço à moralidade. Há casos recentes de municípios em falta com o pagamento do funcionalismo, por exemplo, dispostos a torrar todo o orçamento disponível nos cobres com a contração de pagodeiros e sertanejos.
A fé na festa tem motivos bastante suspeitos. Além de revelar as prioridades de alguns gestores sergipanos, indispostos ao feijão com arroz da administração municipal, entusiasmados com pipocos e batuques, o volume subtraído aos cofres públicos possui o curioso hábito de parar sempre nos mesmos bolsos.


