Saumíneo Nascimento
saumineon@gmail.com
Abordaremos neste ensaio, algumas informações importantes sobre a saúde da vida selvagem, conforme dados coletados na Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Segundo a OMSA, a vida selvagem coexiste com humanos e animais domésticos. Ela povoa ecossistemas em todo o planeta, seja nos mares ou vagando livremente por florestas e savanas. Cada espécie contribui para o equilíbrio do ecossistema em que vive. A saúde da vida selvagem está profundamente ligada à saúde de outros animais, do meio ambiente e até mesmo dos seres humanos. Ao proteger a saúde da vida selvagem, salvaguardamos a biodiversidade e investimos em um futuro mais saudável e sustentável. E assim, a saúde da vida selvagem é essencial para a vida na Terra. Mas infelizmente boa parte da população, especialmente as novas gerações, desconhecem referida importância.
O fato é que a sobrevivência de humanos, animais e plantas depende da saúde de seus ecossistemas. Morcegos e abelhas são polinizadores essenciais, pequenos mamíferos mantêm a saúde do solo, recifes de coral produzem oxigênio e capturam carbono, animais frugívoros dispersam sementes e predadores ajudam a controlar as populações de outras espécies. Os ecossistemas são tão saudáveis quanto a vida selvagem que neles habita e necessitam de uma rica biodiversidade para prosperar. Foi algo que estudamos na escola, nos nossos primeiros anos das aulas de biologia, mas que infelizmente depois fica esquecido em nossa memória.
A vida selvagem é um recurso valioso para muitas comunidades em todo o mundo, sustentando meios de subsistência por meio da geração de renda, seja através do turismo ou como fonte de alimento. Para a OMSA, é importante ressaltar que a vida selvagem tem um efeito positivo no bem-estar humano, contribuindo para a educação, saúde física e mental, valores sociais, cultura e espiritualidade.
Os seres humanos, os animais domésticos e os animais selvagens compartilham seus ecossistemas com inúmeros microrganismos. Muitos fornecem suporte essencial à vida, mas alguns são nocivos e podem causar doenças em humanos ou animais, além de perturbar o equilíbrio do ecossistema.
Nos últimos anos, o crescente número de surtos de doenças tem sido associado, ou mesmo atribuído, à vida selvagem. No entanto, a atividade humana, juntamente com fatores como mudanças climáticas, comércio ilegal de animais selvagens, desmatamento e certas práticas agrícolas, também são forças importantes por trás do surgimento de doenças. Mas o fato evidenciado pela entidade internacional que trata da saúde animal aponta que os animais e a biodiversidade muitas vezes são as vítimas esquecidas dos surtos de doenças.
Durante décadas, a Organização Mundial de Saúde Animal tem se empenhado em melhorar a saúde animal, incluindo a proteção da saúde da vida selvagem. A entidade reconhece que a saúde dos seres humanos, dos animais (tanto selvagens quanto domésticos) e dos ecossistemas são interdependentes. Para proteger um, precisamos valorizá-los igualmente.
O chamamento aqui é para que possamos compartilhar uma responsabilidade coletiva para com a vida selvagem, colaborando com diversos setores, como agricultura, conservação, saúde pública e meio ambiente, pois a saúde da vida selvagem é a saúde de todos.
Os responsáveis pela gestão da vida selvagem, muitas vezes chamados de “Autoridades da Vida Selvagem”, podem ser alocados a diferentes ministérios, como o do meio ambiente ou o das florestas, separados dos serviços veterinários nacionais, que são responsáveis pela saúde animal.
As autoridades de vida selvagem e os profissionais do setor ambiental que supervisionam o manejo populacional da fauna silvestre e a conservação da biodiversidade muitas vezes não possuem as habilidades nem o mandato oficial necessários. Mesmo nos casos em que a vida selvagem está sob a responsabilidade direta dos serviços veterinários, esse setor ainda pode carecer da regulamentação, da capacidade e dos recursos necessários para lidar eficazmente com as questões de saúde da fauna silvestre. Como resultado, a saúde da fauna silvestre muitas vezes acaba sendo negligenciada.
A orientação da OMSA é que para uma melhor gestão da vida selvagem, os países precisam de estruturas de colaboração multissetorial bem pensadas. Uma colaboração e coordenação sólidas entre os setores da vida selvagem, do meio ambiente e da veterinária são essenciais para uma boa gestão da vida selvagem e garantem que a vida selvagem, os ecossistemas, os seres humanos e os animais domésticos possam ter um futuro sustentável.
Um sistema de vigilância de doenças animais bem projetado permite a detecção precoce de ameaças à saúde. Ações preventivas e reações rápidas a surtos podem conter doenças perigosas antes que causem danos, preservando a saúde tanto de animais quanto de seres humanos.
Em diversos países, os sistemas de vigilância de doenças para animais domésticos e selvagens são gerenciados separadamente, embora os microrganismos possam transitar entre eles. A expectativa da OMSA é que nós humanos, tenhamos uma abordagem mais holística, com compartilhamento de informações em tempo real para ambos os tipos de animais em um único sistema de vigilância, é fundamental. Dessa forma, poderíamos ampliar nossa compreensão sobre como os microrganismos se movem entre espécies e ecossistemas, e sobre como identificar e prever futuros surtos em animais.


