Os desafios dos candidatos na preparação da campanha eleitoral

“Candidatos cansam, equipes se desgastam, a campanha perde consistência e começa a oscilar. Em um processo longo, essas oscilações custam caro. Talvez por isso esteja cada vez mais difícil montar equipes sólidas para campanhas”

No livro Campanha Planejada, o especialista em marketing eleitoral Paulo Maneira apresenta,de forma prática e direta, o método que organiza uma campanha eleitoral desde a pré-campanha até o dia da votação. São mais de 20 anos de experiência transformados em estratégia, planejamento e execução.
Para ele, o maior desafio das eleições deste ano não será apenas montar uma boa estratégia, uma boa equipe e, principalmente, conseguir manter essa equipe funcionando em harmonia ao longo de um processo longo, desgastante e sob pressão constante.
“Candidatos cansam, equipes se desgastam, a campanha perde consistência e começa a oscilar. Em um processo longo, essas oscilações custam caro. Talvez por isso esteja cada vez mais difícil montar equipes sólidas para campanhas. Não é apenas uma questão técnica, é também uma questão de resistência emocional”, destaca o especialista.
Com o título “O voto nordestino e o paradoxo do eleitor conservador que vota na esquerda”, Paulo Maneira elaborou um capítulo no livro unicamente sobre as eleições na região Nordeste. Suas concepções:
“Durante muito tempo, o debate político brasileiro tentou simplificar o Nordeste, criando uma narrativa quase automática de que a região seria um reduto ideológico da esquerda. Essa leitura, apesar de recorrente, não resiste a uma análise mais cuidadosa da realidade. O eleitor nordestino, em sua maioria, não pode ser compreendido a partir de rótulos ideológicos simplistas. Ele é, ao mesmo tempo, conservador nos valores e profundamente pragmático nas suas escolhas eleitorais. É justamente dessa combinação que surge o chamado paradoxo.
O primeiro erro está na forma como se interpreta o voto. Analisar o comportamento eleitoral apenas pelo resultado das urnas leva a conclusões equivocadas. Votar em partidos ou lideranças associadas à esquerda não significa, necessariamente, adesão a uma agenda progressista. Na prática, o que orienta a decisão do eleitor é uma lógica concreta, baseada na sua realidade cotidiana. Trata-se de um voto funcional, que responde a necessidades imediatas, como sobrevivência econômica, acesso a serviços públicos e percepção de melhoria de vida.
Sob o ponto de vista social e cultural, o Nordeste apresenta características tradicionalmente associadas ao conservadorismo. A forte presença religiosa, a valorização da família e a manutenção de estruturas sociais mais tradicionais são traços evidentes. No entanto, esse mesmo eleitor que carrega valores conservadores reconhece, na prática, a importância do Estado como agente de transformação social. Programas de transferência de renda, políticas públicas de inclusão e ações governamentais que impactam diretamente o cotidiano são percebidos como instrumentos concretos de melhoria de vida. Não há incoerência nisso. Há, na verdade, uma racionalidade aplicada à realidade.
Existe um equívoco recorrente no marketing político ao presumir que o voto é uma declaração ideológica. Não é. O voto é, antes de tudo, uma resposta. O eleitor não está preocupado em se posicionar dentro de um espectro teórico de esquerda ou direita. Ele está preocupado em resolver problemas reais. No Nordeste, onde historicamente o Estado desempenhou um papel relevante na redução de desigualdades, essa relação entre política pública e qualidade de vida é direta e perceptível. Isso constrói uma memória prática, que influencia o comportamento eleitoral muito mais do que qualquer discurso abstrato.
É nesse ponto que reside uma das principais falhas estratégicas de setores da direita brasileira. Ao insistir em disputar o eleitor nordestino apenas no campo ideológico, deixa de compreender o que de fato move a decisão de voto. Enquanto um campo político se comunica a partir da entrega de políticas públicas e da presença concreta no território, o outro, muitas vezes, se limita a um discurso baseado em valores. Sem presença, sem política pública percebida e sem inserção territorial consistente, a disputa se torna desigual.
Reduzir o comportamento eleitoral do Nordeste a uma preferência ideológica é, na verdade, uma forma de evitar um diagnóstico mais profundo. O eleitor nordestino não é refém de um campo político específico. Ele responde a quem está presente, a quem entrega resultados e a quem consegue impactar sua vida de maneira concreta. Ignorar essa lógica é, em última análise, abrir mão da disputa.
Para 2026, a lição é clara. Não se constrói competitividade eleitoral na região apenas com discurso. É necessário estratégia, presença territorial e capacidade de entrega. Quem insistir em tratar o eleitor como um rótulo continuará errando. Quem compreender sua lógica, terá condições reais de construir um caminho eleitoral consistente”.
Pintura sobre tela do artista sergipano Bené Santana

Dinheiro da Deso é liberado

Os deputados estaduais aprovaram, na terça-feira (31), o Projeto de Lei Complementar nº 6/2026, que modifica a Lei Complementar nº 176/2009, responsável pela estruturação das Microrregiões de Saneamento Básico. Foi encaminhado pelo governador Fábio Mitidieri (PSD), que entregou a Companhia de Saneamento de Sergipe a Iguá Sergipe.
O texto amplia as possibilidades de aplicação dos recursos arrecadados com outorga onerosa em concessões de abastecimento de água e esgotamento sanitário. A partir das alterações, os valores poderão ser destinados a investimentos, inversões financeiras, projetos ambientais, pagamento de precatórios e despesas vinculadas às políticas públicas previstas na Constituição.
A atualização também especifica que a melhoria de infraestrutura inclui obras de conservação, manutenção e recuperação de estradas, ruas e vias.
Segundo a justificativa, as alterações aprimoram a gestão dos recursos do saneamento, ampliam a capacidade de investimento e fortalecem a governança das concessões.
A proposta foi rechaçada pelo deputado Georgeo Passos (Republicanos). “Agora vão meter a mão no dinheiro da venda da Deso que era pra obras estruturantes em Sergipe. Com qual justificativa? É ano de eleição e tem que manter o governo minimamente funcionando? Estamos falando de mais de R$ 1 bilhão. O líder do governo prometeu trazer os extratos dessas contas (dos recursos da venda da Deso), ainda não trouxe”, disse.
De acordo com a deputada Linda Brasil (PSOL), que votou contra as alterações, o projeto apresenta riscos significativos ao permitir a destinação ampla e pouco controlada dos recursos da outorga onerosa. “Em vez disso, o texto autoriza o uso desses recursos para finalidades diversas, descaracterizando sua finalidade original. Isso dá liberdade ao Governo de usar o dinheiro, que desde 2024 está aplicado, para qualquer despesa de custeio ao seu bel prazer em um ano de eleição. Inclusive indicando que os prefeitos, nos seus respectivos municípios, também poderão fazer o mesmo. Isso é muito grave”, considerou.
Para a parlamentar, os recursos que desde 2024 estão investidos em instituições financeiras e que agora serão liberados para utilização em setores diversificados deveriam ter sido destinados à solução da crise hídrica que se agravou após a concessão dos serviços à empresa Iguá. “Ao invés de alterar esse projeto para que o processo de controle e fiscalização da Iguá fosse intensificado, para que ela cumprisse o contrato com eficácia, como a distribuição de água para a população, o governador está mais preocupado em utilizar esse dinheiro da forma como ele quiser”, expressou.

Um nome forte

Se não houver nos impedimentos judiciais, a direita bolsonarista em Sergipe vai conseguir emplacar um nome forte na disputa pelo governo do estado. Valmir de Francisquinho (Republicanos) renunciou na quinta-feira (2) ao comando da Prefeitura de Itabaiana e lançou a sua pré-candidatura a governador.
O nome do candidato a vice ainda não foi anunciado, mas a expectativa é de que venha a ser a ex-superintendente do Sebrae, Priscila Filizola, filha do ex-governador Belivaldo Chagas, que deve se filiar ao Republicanos ainda esta semana.
O rompimento de Belivaldo com o governador Fábio Mitidieri (PSD) foi provocado pelo anúncio da candidatura do deputado Jeferson Andrade (PSD) como candidato a vice no bloco governista. Ele queria a vaga para a filha.

Apoio em Estância

Na última quarta-feira (1º), o prefeito de Estância, André Graça, ao lado de vereadores e diversas lideranças políticas do município, declarou apoio à reeleição do senador Rogério Carvalho (PT). O anúncio foi feito durante um almoço realizado na cidade, que reuniu representantes políticos e comunitários da região sul de Sergipe.
O encontro consolidou o alinhamento político entre a gestão municipal e o parlamentar, fortalecendo o nome de Rogério Carvalho no município para o próximo pleito. Durante sua fala, o prefeito destacou os investimentos destinados por meio do mandato do senador, ressaltando os impactos positivos para a população estanciana.
“Estamos juntos nessa caminhada. É um projeto de longo prazo, e Estância já vive um momento diferente, com obras e ações que estão mudando a qualidade de vida da nossa gente”, afirmou André Graça.
De acordo com o prefeito, entre os anos de 2025 e 2026, cerca de R$ 43 milhões foram destinados ao município pelo senador, contribuindo para a execução de projetos estruturantes e melhorias em diversas áreas.
O senador Rogério Carvalho, por sua vez, agradeceu o apoio recebido e reforçou o compromisso com o desenvolvimento da cidade. “Esse apoio aumenta ainda mais a minha responsabilidade com os projetos que vão transformar Estância e melhorar a vida do seu povo. Estância é uma cidade politizada, que sabe escolher seus representantes”, declarou.

Nome do PT

A tendência do PT Articulação de Esquerda pretende apresentar o nome da ex-deputada estadual Ana Lúcia como candidata do partido ao governo do estado. O anúncio foi feito professor Dudu, ex-presidente do Sintese pelas redes sociais, quando informou que Elton Monteiro, presidente do Sindicato dos médicos de Sergipe (SINDMED), deverá ser o candidato do PSOL a governador.
“Sem nomes para votar o campo progressista de Sergipe não ficará, porque a tendência petista Articulação de Esquerda também vai apresentar um nome para o governo e nesse caso o natural é que seja o nome com maior expressão política da tendência, que na minha opinião é Ana Lúcia. Tanto no PSOL quanto no PT os nomes precisarão passar pelo crivo do encontro estadual. No caso do PT à tarefa será hercúlea, já no PSOL não posso avaliar porque não tenho elementos”, postou.
O PT, hoje controlado pelo senador Rogério Carvalho e o deputado federal João Daniel, tende a formalizar uma aliança com o governador Fábio Mitidieri (PSD), com a justificativa de fortalecer o palanque do presidente Lula o estado.
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