Nova operação transforma gestão Emília Corrêa em caso de polícia

Sendo período eleitoral ou não, o fato é que há indícios de irregularidades na gestão da Prefeitura de Aracaju e que a própria prefeita suspeita disso, tanto que exonerou todos os citados nas investigações

Desde o início da gestão Emília Corrêa (Republicanos), em 2025, o serviço de limpeza pública, principalmente a coleta de lixo, é um problema. Primeiro rompeu com a Torre que executava o serviço há anos, a cidade ficou emporcalhada por vários dias, e depois contratou uma empresa com suspeitas de irregularidades.
Na última terça-feira (25), a Polícia Civil executou a primeira fase da Operação Histograma, que investiga fraudes e desvio de verbas públicas em contratos municipais de limpeza urbana da Prefeitura de Aracaju. As equipes policiais também verificam a possibilidade de direcionamento das contratações e eventual pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
A operação foi iniciada após denúncias de irregularidades em contratos emergenciais de limpeza urbana e coleta de entulhos. No caso dos entulhos, o contrato passou de R$ 28 milhões no último ano da gestão Edvaldo Nogueira (PDT) para R$ 72 milhões por ano em 2025, de acordo com o vereador Élber Batalha (PSB).
Segundo a apuração, uma empresa sem histórico de atuação em Sergipe apresentou inicialmente valores abaixo dos parâmetros previstos, o que teria reduzido a concorrência, mas os preços foram posteriormente alterados por meio de contratos e aditivos, levantando a suspeita de uma possível recomposição artificial dos custos.
A investigação teve início após o recebimento de uma notícia-crime sobre graves irregularidades em contratos emergenciais do setor de limpeza urbana, no âmbito da Emsurb, durante a gestão de Hugo Esoj, exonerado do cargo dias antes pela prefeita Emília Corrêa, que parecia ter consciência das irregularidades. As diligências investigativas constataram uma série de atipicidades e inconsistências documentais, indicando que a empresa contratada começou a atuar oferecendo descontos expressivos nos serviços de limpeza urbana, se comparados aos valores do projeto básico estabelecido pelo próprio órgão.
Paralelamente, a empresa investigada também ampliou sua presença no município ao vencer um novo certame de grande vulto na Secretaria Municipal da Educação (Semed), desta vez para atender crianças com deficiência.
O cerco aumentou em junho de 2026 quando a polícia apreendeu R$ 240 mil em espécie no carro do então diretor financeiro da Secretaria Municipal da Educação de Aracaju, César Dias. Em julho ele foi exonerado do cargo comissionado.
Na noite de quinta-feira a prefeita Emília Corrêa (Republicanos), que já tinha exonerado em 14 de agosto o presidente da Emsurb, Hugo Esoj, e o secretário da Seplog, Thyago Silva, quebrou o silêncio. No “Café com Emília” apresentado em suas redes sociais – e não em entrevista coletiva – afirmou que “nunca negociou seus princípios, nunca teve medo da verdade e nunca usou a vida pública para servir a interesses pessoais”.
Atacou a gestão do antecessor Edvaldo Nogueira dizendo que quando assumiu a prefeitura encontrou uma administração marcada por contratos emergenciais milionários e por problemas que se arrastavam há muitos anos. Enfatizou que em vez de empurrá-los decidiu enfrentá-los como a licitação do lixo e o transporte coletivo. Ao entrar no mérito da questão disse que desde o primeiro dia de governo convive com sucessão de ataques, insinuações e narrativas que tentam atingir sua honra. “Nos últimos dias mais uma investigação policial virou repercussão. Eu venho aqui dizer a população que recebo esse momento com absoluta serenidade. Sergipe possui instituições sérias. Nós temos o Ministério Público, Tribunal de Contas, o Poder Judiciário, Poder Legislativo, a própria polícia civil e diversos órgãos que exercem suas funções com autonomia e independência. É assim que funciona o estado democrático de direito. É desse jeito”.
Frisou que como gestora fez o que devia fazer. “Determinei o acompanhamento da investigação pela Procuradoria e Controladoria do Município dentro das suas competências legais. A prefeitura continua colaborando integralmente com todas as informações solicitadas como sempre fez. Digo e repito quem tiver cometido qualquer irregularidade deve responder pelos seus atos, mas isso não significa que existe. Tem de ser comprovado, por isso defendo o avanço das investigações”.
Emília ligou a Operação Histograma ao período eleitoral. “Eu também não sou ingênua. Estamos vivendo um período eleitoral. Todos sabem que nos próximos dias veremos muitas imagens, muitas operações, muitos discursos e muitas narrativas. Infelizmente esse costuma ser o ambiente da polícia brasileira”.
Sendo período eleitoral ou não, o fato é que há indícios de irregularidades na gestão e que a própria prefeita suspeita disso, tanto é que exonerou todos os citados nas investigações. Mais uma vez a administração de Emília Corrêa está sob suspeição.
Pintura sobre tela do artista sergipano Ben Bar

Tempo na TV

O Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE) definiu, através do Plano de Mídia, quanto tempo cada candidato a governador terá na propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão. O horário eleitoral começou na sexta-feira (28) e segue até 1º de outubro.
O tempo destinado a cada candidatura leva em conta a representação dos partidos na Câmara dos Deputados. No caso das coligações, também são consideradas as legendas que as integram e que cumpriram os requisitos previstos pela legislação eleitoral.
Às segundas, quartas e sextas-feiras são veiculadas as propagandas dos candidatos a deputado estadual, senador e governador, das 7h às 7h25 e das 12h às 12h25 no rádio. Na televisão, a veiculação será das 13h às 13h25 e das 20h30 às 20h55.
Já às terças, quintas e sábados, a propaganda em rede será para os candidatos a deputado federal e presidente e será transmitida nos mesmos horários acima.
Veja o tempo de TV de cada candidato (em ordem alfabética):
Dr. Helton Monteiro (PSOL): 27 segundos;
Emanuel Cacho (PSDB/Cidadania): 30 segundos;
Fábio Mitidieri (PSD): 4 minutos e 37 segundos;
Ricardo Marques (PL): 2 minutos e 20 segundos;
Valmir de Francisquinho (Republicanos): 1 minuto e 3 segundos;
Taty Cristina de Jesus (Democracia Cristã): sem tempo.

Mulheres negras

Ativistas e lideranças negras lançaram, esta semana, o ‘Manifesto Político das Mulheres Negras do Brasil: O Pacto do Bem Viver e as Eleições 2026’. Coordenado pela Articulação de Mulheres Negras Brasileiras, o documento propõe a construção de um sistema político focado no Bem Viver, com justiça, equidade, solidariedade e vida digna no centro das decisões e da formulação de políticas públicas efetivas.
A proposta do feminismo negro, voltada para a emancipação, a inclusão e o exercício da cidadania, coloca as mulheres pretas e pardas no centro do processo político, como cidadãs, eleitoras, lideranças em seus territórios e candidatas a cargos políticos e outros espaços de poder.

Pesquisas eleitorais

A pesquisa Quaest, divulgada na quinta-feira (27) pela TV Sergipe, mostra no cenário estimulado, que Fábio Mitidieri (PSD) aparece com 40% das intenções de voto, 12% à frente de Valmir de Francisquinho (Republicanos), que registra 28%. Ricardo Marques (PL) tem 5%; Dr. Helton Monteiro (PSOL), 1%; Emanoel Cacho (PSDB), 1%; e Taty Cristina (DC), 1%.
A Quaest também simulou um eventual segundo turno entre Fábio Mitidieri e Valmir de Francisquinho. Nesse cenário, o governador também aparece à frente, com 47% contra 34%, uma vantagem de 13 pontos percentuais.
Os números da primeira vaga para o Senado da Quaest: Delegado André David (Republicanos) 16%; Rogério Carvalho (PT) 12%; André Moura (União Brasil) 9%; Delegado Alessandro (MDB) 9%; Eduardo Amorim (Republicanos) 8%; Rodrigo Valadares (PL) 7%; Edvaldo Nogueira (PDT) 6%; Coronel Rocha (PL) 2%; Iran Barbosa (PSOL) 2%; Renatinha (Democracia Cristã) 1%; Paulinho da União Tur (Democracia Cristã):1%. Branco/nulo/não vai votar 9% e Indecisos 18%.
Segunda vaga: Rogério Carvalho 9%, André Moura 9%, Delegado André David 7%, Delegado Alessandro 7%, Eduardo Amorim 7%, Rodrigo Valadares 6%, Edvaldo Nogueira 6%, Coronel Rocha 3%, Iran Barbosa 2%, Renatinha 1%, Paulinho da União Tur 1%. Branco/nulo/não vai votar 16%, indecisos 26%.
A pesquisa também mostrou como está a disputa pela Presidência da República no 1º turno entre os eleitores de Sergipe. Para 83% dos eleitores ouvidos no levantamento, a escolha do candidato é definitiva. Outros 16% dizem que ainda podem mudar o voto até as eleições, em 4 de outubro.
Os números: Lula (PT) 53%; Flávio Bolsonaro (PL) 20%; Escritor Augusto Cury (Avante) 2%; Ronaldo Caiado (PSD) 2%; Renan Santos (Missão) 1%; Pablo Marçal (PRTB) 1%; Rui Costa Pimenta (PCO) 1%; Romeu Zema (Novo) 0%; Clariana Barão (DC) 0%; Edmilson Costa (PCB) 0%; Samara Martins (UP) 0%; Veterinário Wilson Grassi (Democrata) 0%; Hertz Dias (PSTU) 0%; Branco/nulo/não vai votar 8%; Indecisos 12%
A Quaest ouviu 804 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 23 e 26 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é SE-03536/2026.

Saúde de Valmir

O candidato ao Governo de Sergipe, Valmir de Francisquinho (Republicanos), está desde a quarta-feira (26) em São Paulo onde realizou exames. Valmir revelou que em exames realizados no Hospital Primavera, onde passou dois dias internado, foi identificada uma isquemia transitória, apresentada como uma redução temporária do fluxo de sangue e oxigênio para determinada região do organismo.
O conjunto de exames foi realizado quinta e sexta em São Paulo, conduzido pelo próprio médico cardiologista de Valmir e, ontem à tarde, de acordo com o seu filho, Tallyson de Valmir, prefeito de Areia Branca, foi realizado um procedimento após o diagnóstico de persistência do forame oval, identificado durante exames de investigação após um Ataque Isquêmico Transitório (AIT) nesta semana.
A expectativa é que Valmir volte a Sergipe na próxima segunda-feira (31). A questão agora é saber se ele terá condições de saúde para manter a candidatura a governador.
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