Falta de água se transforma em discurso da oposição contra o governador

Na campanha passada, Fábio Mitidieri garantia que não privatizaria os serviços de água e esgoto, promessa não cumprida. Agora diz que já sabe como resolver a falta de água, desde que seja reeleito

A falta de água se transformou num dos maiores desafios do governador Fábio Mitidieri (PSD) na campanha pela reeleição. O problema permanece em todo o estado, inclusive em bairros da
capital e municípios da Grande Aracaju. Esta semana ele admitiu que a distribuição de água continua sendo um problema no estado. A concessão dos serviços da Companhia de Saneamento de Sergipe – Deso só serviu para engordar os cofres do próprio estado e dos municípios.
Mitidieri disse que já sabe como resolver o problema do abastecimento de água, mas para isso precisa ser reeleito em outubro. Na campanha passada garantia que não privatizaria os serviços de água e esgoto, promessa não cumprida.
Em dezembro de 2019 durante a votação do projeto do marco legal do saneamento básico, o governador Fábio Mitidieri (PSD), então deputado federal, foi contrário a proposta, por entender que a lei poderia provocar a venda das empresas estaduais de água e esgoto.
A justificativa do deputado Mitidieri: “Estamos na Câmara dos Deputados e agora vai começar a votação da lei de privatização das companhias de saneamento. Eu acho um retrocesso, porque as empresas privadas não vão querer levar água para áreas mais distantes, não vou colaborar com a privatização da Deso. As empresas privadas não vão levar água para povoados mais pobres, só vão querer os filés como Aracaju, Estância, Lagarto. Quem vai querer legar água para Pedra Mole, para Itabi, não serão as empresas, mas o estado. Eu não vou colaborar com isso. Vejo esse discurso bonito de que com a privatização as coisas vão melhorar, mas não é assim na prática que a gente ver. E eu não posso colaborar com a privatização da Deso. Eu digo não a esse projeto.”
Na época da votação do projeto, a principal polêmica era a viabilidade de abastecimento de locais com pouca atratividade para a iniciativa privada, acabando com o financiamento cruzado, pelo qual áreas com maior renda atendidas pela mesma empresa financiam parcialmente a expansão do serviço para cidades menores e periferias. Exatamente o que ocorre agora.
Como governador, Fábio Mitidieri utilizou esses mesmos argumentos para justificar a concessão dos serviços de água e saneamento para uma empresa privada, cujo leilão ocorreu em setembro de 2024 na B3, antiga Bolsa de Valores de São Paulo. A concessionária vencedora foi a Iguá Saneamento, que ficará responsável pela administração dos serviços pelos próximos 35 anos, com outorga de R$ 4.536.936.990,00, um ágio de 122,63% em relação ao valor mínimo de outorga previsto no edital. A previsão de investimentos é de R$ 6 bilhões.
De acordo com o governador, o objetivo da concessão parcial seria a universalização do abastecimento de água potável e coleta e tratamento de esgoto no território sergipano, como preconiza o Novo Marco do Saneamento, cujo prazo para ser totalmente implementado é até 31 de dezembro de 2033. De acordo com a Lei, os estados devem assegurar o atendimento a 99% da população com água potável e de 90% da população com coleta e tratamento de esgoto.
Até o leilão, a Deso era responsável por todo o processo de captação e tratamento da água bruta, distribuição e tratamento de esgoto. Desde que a Iguá assumiu, em vez de operar nas quatro etapas do sistema, a Deso passou a operar em dois (captação da água bruta e seu tratamento).
Como pouco mais de um ano na administração do sistema, a Iguá Sergipe enfrenta muitos problemas e a sensação da população é de que o fornecimento de água piorou, fazendo com que a privatização voltasse a ser pauta da campanha eleitoral.
Como Fábio Mitidieri disse que já sabe como resolver o problema da água no próximo ano, fica o questionamento: o governador pensa em revogar a concessão?
Pintura sobre tela do artista Washington

Emergência suspeita

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Sergipe (SINDISAN) analisou a Dispensa de Licitação Emergencial nº 035/2026, pela qual a Companhia de Saneamento de Sergipe (DESO) contratou, sem licitação, a empresa ALS Engenharia e Construções LTDA para prestação de serviços de manutenção eletromecânica, no valor de R$ 7.534.816,64, e encontrou uma série de inconsistências identificadas.
A análise da documentação do processo – Parecer Jurídico nº 201/2026, Projeto Básico, extrato publicado no Diário Oficial do Estado e o Contrato nº 066/2026 – revela um quadro que, para o Sindicato, contraria a própria natureza de uma contratação emergencial e levanta suspeitas sobre a real finalidade e o momento político escolhido para a assinatura do contrato.
Segundo os documentos oficiais, o marco inicial da situação classificada como emergencial foi fixado em 14 de maio de 2026, data de elaboração do Projeto Básico que embasou a contratação. Da identificação do problema até a efetiva assinatura do contrato, em 11 de agosto de 2026, transcorreram 89 dias.
O próprio Parecer Jurídico nº 201/2026, assinado pela Gerência de Licitações e Contratos da DESO, cita o entendimento do Tribunal de Contas da União (Acórdão nº 158/2010), segundo o qual, se uma contratação emergencial demora mais de 30 dias para se concretizar a partir do fato que a justifica, não se pode mais falar em emergência real. No caso da DESO, o prazo foi quase o triplo desse parâmetro – fragilidade que o próprio parecer da estatal reconhece expressamente, mas que, mesmo assim, não impediu a assinatura do contrato.
É mais um exemplo de como é legislação é desrespeitada pelo governo Fábio Mitidieri.

Tarifa de ônibus

Prestes a completar a metade do mandato como prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos) promete reduzir a tarifa de ônibus dos atuais R$ 4,50 para R$ 3,00, caso Valmir de Francisquinho (Republicanos) seja eleito governador do estado. Na quinta-feira (17) os dois fizeram campanha no Terminal do DIA fazendo essa promessa
Valmir ressaltou a relevância de uma gestão integrada para promover melhorias na mobilidade urbana da região metropolitana: “Essa parceria com a Prefeitura de Aracaju e o Governo do Estado, Sergipe vai buscar, né, o caminho do desenvolvimento, da qualidade de vida, do respeito aos usuários do transporte coletivo da Grande Aracaju: Socorro, São Cristóvão, Barra dos Coqueiros e Aracaju, que merece muito mais”, declarou.
A prefeita reforçou: “O nosso governador Valmir vai mudar Sergipe. Em parceria com a Prefeitura de Aracaju, vai mudar a passagem. Os ônibus vão ficar melhores ainda, top, só que com uma passagem, gente, abaixo de R$ 3,00. A gente já fez conta. Quando tem boa vontade política, a coisa acontece”.
É muita demagogia.

Solidão e abstenção

Mais do que desiludidas com a política, eleitores deixam de votar, ano após ano, no Brasil, por se sentirem exaustas e solitárias. A constatação é da Pesquisa Termômetro do Bem Viver, realizada por um projeto da Plataforma Avaaz em parceria com o Datafolha, divulgada esta semana.
Inédito, o estudo relacionou a ausência de vínculos comunitários e de contato com a natureza ao desinteresse na política, apontando esses fatores para explicar a ausência nas urnas.
Cerca de 30 milhões de eleitores – praticamente um em cada três – deixaram de votar, nos últimos pleitos. Por trás da abstenção, em geral, a pesquisa encontrou o que chamou de epidemia de solidão, esgotamento mental e dependência digital.
Por outro lado, o estudo revelou que brasileiros “vinculados” consideram a democracia inegociável.
“Descobrimos que os ‘desvinculados’ estão em ciclo muito destrutivo”, explicou a diretora do Projeto Desapocalíptica, do Avaaz, Nana Queiroz.
Segundo Nana, esse público busca a TV e as redes sociais “como uma espécie de anestesia para essa exaustão”.
A diretora pontuou ainda que as redes sociais no país mantém pessoas em “bolhas” – círculo de usuários com opiniões semelhantes – além de alimentar “uma cultura de ódio”. Nesses casos, elas se sentem mais isoladas, desesperançosas ou culpadas por perderem tanto tempo nas redes sociais ou na TV.
“Quando essas pessoas se vêem assim culpadas, exaustas e isoladas, elas acham que elas não têm poder de transformar o coletivo e é por isso que elas estão parando de votar”, analisou.

Condenação de Sukita

O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a condenação do ex-prefeito Manoel Messias Sukita Santos por crimes relacionados às eleições de 2012. A decisão foi proferida pelo ministro Nunes Marques, relator do recurso.
Em sua decisão, o ministro reconheceu parcialmente da insurgência apresentada pela defesa e negou provimento ao pedido. Com isso, permanece a pena de 11 anos, 9 meses e 15 dias de reclusão, além de 28 dias-multa, aplicada a Sukita. No mesmo processo, Ana Carla Santana Santos, mãe do vereador Gabriel Sukita e ex-secretária de Assistência Social, teve a pena fixada em 5 anos, 9 meses e 15 dias de reclusão e oito dias-multa.
A condenação envolve crimes de corrupção eleitoral, prevista no artigo 299 do Código Eleitoral, e crimes de responsabilidade de prefeito, previstos no artigo 1º, incisos I e V, do Decreto-Lei nº 201/1967. Ao examinar o conjunto probatório, a Justiça Eleitoral afastou a interpretação de que os fatos representariam apenas uma promessa genérica de vantagem. O acórdão apontou a existência de “pagamento de vantagens com pedido expresso de votos”, caracterizando, segundo a decisão, a prática de corrupção eleitoral.
O caso remonta às eleições municipais de 2012, quando Sukita era prefeito de Capela, após distribuir para cerca de sete mil beneficiários, de programas sociais do município a quantia de R$ 40. Ao entregar o dinheiro, o ex-prefeito pedia os votos dos beneficiários utilizando-se da expressão “Vamos votar no 40 para continuar ganhando o valor de 40”, com o objetivo de obter votos, tendo sido condenado, anteriormente, a uma pena superior a 13 anos de prisão.
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