A história da agricultura em Sergipe (II)

* Manoel Moacir Costa Macêdo

Continuidade da história da agricultura de Sergipe, publicados pelo engenheiro agrônomo José Belém de Carvalho, gerado por tradicional família agrária sergipana, na obra “História da Agricultura em Sergipe 1860 – 1968”. Nasceu no município de Riachuelo, filho de José Antonino de Carvalho e Mariana Belém de Carvalho. Engenheiro agrônomo pela Centenária Escola Agrícola da Bahia, em Cruz das Almas, na década de quarenta.
Os registros não seguem metodologias e nem cronologias. Eles são seletivos, transcritos e livres de arranjos científicos, mas apresentados como fatos do passado e vinculações com o presente e o futuro. Alguns possuem curiosidades dos Séculos XIX e XX. Na época, a agropecuária carecia de tecnologia, e com profundas inserções sociais, econômicas e políticas.
1.1862. Pela Resolução n° 640, “isenta do dízimo (imposto) por 10 anos, os animais ‘vacum e cavalares’ de novas raças, introduzidas na Província” [as desonerações e transferências de ônus financeiro do público para o privado não são recentes, mas seculares];
2.1864. Pela Resolução nº 678, “é autorizado o Presidente da Província, a manda construir dez açudes nos sertões de Porto da Folha, Lagarto e Itabaiana e a constituir empréstimos para tal fim […] já procurava o governo combater a seca que tem a ‘idade do mundo’ [a indústria da seca que marca o atraso nordestino é antiga e secular];
3.1923. Pelo Decreto Estadual nº 676, sob a direção do Prof. Thomaz R. Day, antigo técnico do Texas, Estados Unidos, criando ele, e colocando em funcionamento [entre outras], a Estação Experimental de Cândido Rodrigues – 80 tarefas em Frei Paulo (Queimadas)” [registros das influências estrangeiras, anteriores a Revolução Verde];
4.1937. Lei Estadual nº 21 “abre crédito especial de trinta reais para adquirir a propriedade Santo Antônio em Boquim, para instalação do campo de sementes de fumo e fruticultura” [a estação experimental de Boquim na contemporaneidade foi uma unidade de geração de tecnologia à citricultura sergipana];
5.1938. Decreto Federal nº 982, cria o “Centro Nacional de Experimentação e Pesquisas Agronômicas, passando as Estações Experimentais a pertencerem ao Instituto de Experimentação Agrícola. No caso de Sergipe, as Estações de Quissamã e do Campo do Coco” [raízes da atual EMBRAPA Tabuleiros Costeiros];
6.Apologia à enxada. […]Uma homenagem ao enxadeiro. “A enxada faz parte de sua família; descansa e dorme em sua casa, é o seu braço comprido, dá o seu sustento” [louvor a um instrumento agrícola medieval que exige esforço físico humano tal qual uma máquina].
Na próxima semana, continuaremos contando os registros da história da agricultura sergipana.

* Manoel Moacir Costa Macêdo é engenheiro agrônomo e advogado.

Compartilhe esta notícia