Milhões não bastaram: a eleição que derrubou oito vereadores de Aracaju

* Emanuel Rocha

Dos 26 vereadores de Aracaju, nove disputaram diretamente as eleições de 2026 e outros dois participaram da chapa de André Moura como suplentes. Apenas Camilo Daniel, porém, conseguiu transformar a tentativa em um novo mandato.

A eleição de 2026 colocou quase metade da Câmara Municipal de Aracaju diante de um novo desafio. Nove vereadores decidiram disputar diretamente outros cargos: alguns tentaram uma vaga na Assembleia Legislativa, outros buscaram chegar à Câmara dos Deputados, e Iran Barbosa entrou na disputa pelo Senado.

Além deles, Ricardo Vasconcelos e Selma França participaram da eleição como 1º suplente e 2ª suplente, respectivamente, na chapa de André Moura para o Senado.
Foram, portanto, 11 vereadores envolvidos na disputa eleitoral de 2026, embora em situações diferentes.

E quanto maior o projeto eleitoral, maior também foi, em alguns casos, o dinheiro movimentado pelas campanhas.

Quanto cada candidato recebeu
As prestações de contas mostram campanhas de tamanhos muito distintos. Houve candidato com pouco mais de R$ 100 mil em recursos e outro que ultrapassou R$ 3 milhões.

Os valores mostram o tamanho das diferenças. Entre as campanhas mais modestas, Iran Barbosa declarou R$ 112,5 mil em recursos. Thannata da Equoterapia chegou a R$ 200 mil. Camilo Daniel ficou com pouco mais de R$ 211 mil.

A partir daí, os valores aumentam rapidamente. Anderson de Tuca passou dos R$ 427 mil. Breno Garibalde declarou R$ 855 mil; Elber Batalha, R$ 870 mil; e Nitinho, pouco mais de R$ 1 milhão.
Levi Oliveira chegou a R$ 2.655.500,50, enquanto Moana Valadares apresentou a maior arrecadação entre os vereadores que disputaram diretamente uma vaga: R$ 3.000.114,00.

E quanto foi gasto?

Há uma informação importante: recursos recebidos não significam necessariamente dinheiro gasto. A campanha pode receber determinado valor e terminar utilizando menos. Por isso, não se deve confundir arrecadação com despesa.

E as despesas também foram diferentes. Camilo Daniel declarou R$ 143.781,19 em despesas contratadas. Levi Oliveira registrou R$ 1.859.552,61. Moana Valadares, apesar dos R$ 3 milhões em receitas, registrou cerca de R$ 1,59 milhão em despesas contratadas.

Isso significa que não é correto dizer que Moana “gastou R$ 3 milhões”.

O mesmo cuidado vale para os demais candidatos. A diferença entre o dinheiro recebido e o valor das despesas não pode ser automaticamente chamada de “sobra de campanha”. É preciso verificar a prestação de contas final e a destinação dos recursos que não foram utilizados.

E se sobrar dinheiro?
Quando existe sobra financeira, a legislação determina sua destinação de acordo com a origem do dinheiro. Recursos do Fundo Eleitoral não utilizados, por exemplo, devem ser devolvidos ao Tesouro Nacional. Já as sobras de outros recursos seguem as regras próprias de transferência ao partido.

Ou seja, o dinheiro que sobra da campanha não vira simplesmente dinheiro pessoal do candidato.

O caso de Ricardo Vasconcelos e Selma França
Ricardo Vasconcelos e Selma França precisam ser analisados separadamente porque não disputaram diretamente uma vaga: foram registrados como suplentes de André Moura.

Por isso, não existe um valor de campanha individual de cada um para colocar ao lado dos demais vereadores. A prestação de contas está vinculada à candidatura titular de André Moura.
Na atualização mais recente disponível, a campanha de André Moura registrava R$ 2.983.134,83 em receitas e R$ 2.553.017,79 em despesas, com limite de gastos de R$ 3.176.572,53. Do total de receitas, R$ 2.943.134,83 vieram da direção nacional do União Brasil.

Portanto, esses valores não podem ser divididos entre ele, Ricardo Vasconcelos e Selma França.

No fim, só um conseguiu o salto
Os números ajudam a contar uma parte da história, mas a urna contou outra.

Dos nove vereadores que disputaram diretamente uma vaga, apenas Camilo Daniel foi eleito. Com 23.289 votos, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Sergipe.
Camilo tinha uma campanha financeiramente muito menor do que algumas das candidaturas que ficaram pelo caminho. Moana Valadares arrecadou R$ 3.000.114,00; Levi Oliveira, R$ 2.655.500,50; Nitinho, R$ 1.004.000,00; Elber Batalha, R$ 870.000,00; e Breno Garibalde, R$ 855.000,00. Nenhum deles foi eleito. Camilo, com pouco mais de R$ 211 mil em recursos declarados, foi.

Isso não significa que dinheiro não seja importante em uma eleição. Campanhas precisam de estrutura, comunicação, material, deslocamento e equipe. O dinheiro pode ampliar a presença de um candidato e aumentar sua capacidade de chegar ao eleitor.

Mas a eleição de 2026 em Sergipe deixa uma lição bastante clara: dinheiro pode ajudar a disputar, mas não garante a vitória.

No fim das contas, a urna não pergunta quanto dinheiro o candidato arrecadou. Pergunta apenas uma coisa: quantos votos ele conseguiu conquistar.

* Emanuel Rocha, escritor, historiador, cordelista, compositor e educador

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