* Manoel Moacir Costa Macêdo
A formação econômica, social e política do Brasil, tem as suas raízes fincadas no modo de produção agrícola. Os ciclos econômicos brasileiros são marcados pela concentração em seletivos produtos agrícolas. Da colonização portuguesa das Capitanias Hereditárias, à atualidade dos latifúndios de soja, a agricultura define o padrão de sociedade.
O caso do pau-brasil, da cana-de-açúcar, do café, da seringueira, e do cacau, definiram o sentido do Brasil e dos brasileiros. Produzir sem restrições sustentáveis, pela livre exploração humana e da natureza. A escravidão africana, os imigrantes europeus e japoneses, em tempos distintos formaram a força de trabalho na produção agrícola. Tecnologia inexistia. Terra e trabalho abundantes formaram o modo de viver, de produzir e distribuir.
Concentração de terra como reserva de valor, acumulação e poder, ultrapassaram o tempo e continua na atualidade. O PIB – Produto Interno Brasileiro, situa o Brasil entre as dez nações mais ricas do Planeta e com ele as mais desiguais também. Aproximadamente, um quarto da riqueza nacional advém da agricultura -, o chamado agronegócio. Como no passado, o País, se especializou na agricultura de exportação em específicos produtos agrícolas vinculados às poderosas cadeias produtivas agroindustriais, como a soja, o milho e o algodão.
A riqueza da produção agrícola brasileira, está concentrada em poucas mãos. A estrutura da distribuição da terra, mantém índices similares ao passado secular. Políticas públicas como crédito, pesquisa, isenções, desonerações e abertura de mercados globais, tornaram o Brasil um expressivo exportador agrícola, mas não inclui a maioria das brasileiras e brasileiros. Também não reduziu a persistente desigualdade, ao contrário ela cresceu.
Exemplos da concentração da produção agrícola brasileira são os poderosos grupos empresariais, estruturadas como relevantes companhias multinacionais. Elas dominam a terra e a produção e comercialização de commodities no mercado global. Eis os maiores exemplos. JBS, maior fornecedora de proteína animal do mundo com um patrimônio de R$ 25 bilhões. Granja Faria, concentrada em grãos e avicultura, com R$ 19,6 bilhões. Fertipar com R$ 18,3 bilhões, produtora de fertilizantes. Cosan, cana-de-açúcar, e o Grupo Maggi, um dos maiores produtores de soja do mundo.
Corporações com verticalização logística própria e governança de mercado. Além da concentração de terra, possuem infraestrutura própria como navios transatlânticos, usinas de beneficiamento tecnológico, linhas de ferrovias exclusivas e precificação das safras. Na economia de mercado, transitam longe dos riscos. Elas controlam “o recurso mais escasso do mundo a terra fértil, o ativo real mais blindado contra a inflação e a volatilidade das moedas tradicionais”. Emprego, meio ambiente, democracia e justiça social, não merecem similar prioridade em suas agendas.
Ao final, “o agronegócio moderno não é apenas agricultura, é um jogo agressivo de eficiência operacional, inteligência de dados de mercado e soberania patrimonial de longo prazo”.
* Manoel Moacir Costa Macêdo é engenheiro agrônomo e advogado.

