A festa de Sergival

Repertório aceso (Sérgio Silva/PMA.)
Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Segundo a comunicação da Prefeitura de Aracaju, Sergival é um artista “inconfundível”. O adjetivo foi empregado sem muito rigor, a fim de destacar a apresentação de um artista local no Forró Caju 2024. Eu e Tarik de Souza, no entanto, assinamos embaixo.
Quando Sergival completou 30 anos de carreira, há um bom par de anos, comemorou o feito com a produção de um documento valioso sobre o forró made in Sergipe. Valioso e oportuno. Ao contrário do esperado, diferente dos registros de caráter estritamente cartorial, ancorados na memória afetiva de quem seja, ‘Festança’ (2016) não tem nada de passadista. O tom é de celebração. Nem uma ponta de nostalgia.
Um repertório dos mais acesos – Firme e forte e arretado. Banda e arranjos concorrem para a impressão de vigor pontuado as 13 faixas do CD. De pareia com músicos consagrados, a exemplo de Carlos Balla (bateria) e Silvério Pontes (trompete), Sergival restaura verdadeiros clássicos do cancioneiro Serigy, sacudindo a poeira de sonoridades datadas há muito, superando o maior pecado dos registros originais.
Livres do peso de tantos anos, composições assinadas pelo forrozeiro Rogério, por exemplo, ganham vida e um ímpeto surpreendente. Ismar Barreto, Jorge Ducci, Erivaldo de Carira, a dupla Zé Roseno e Marluce, a nata da música para sanfona e zabumba de acento sergipano, em suma, é honrada com uma leitura cheia de viço. Os nossos, aqui e agora, cobertos de pompa, com toda a alegria a que têm direito.
Tárik de Souza atribuiu à ‘Festança’ de Sergival o adjetivo incandescente. E acertou na mosca. O forró daqui, resta provado, “é mesmo de arrepiar”.
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