Paulo Franklin
Todos nós trazemos na memória pessoas que serviram de inspiração para sermos quem hoje somos. O pai, a mãe, o professor, o padre ou talvez um personagem da TV. O que não falta são pessoas servindo de modelo.
Neste caminhar, a figura dos pais e professores se reveste de uma importância ímpar. Primeiro, em casa, os filhos copiam dos pais a maneira como devem se comportar na sociedade. Se os pais são espelhos, são neles que os filhos se inspirarão para formar a personalidade da fase adulta.
Mas não basta a educação de casa. É preciso que a criança entre em contato com outras crianças e com elas aprenda a respeitar as diferenças, aceitar que também é diferente dos outros e desenvolva sentimentos como a empatia, o amor e a solidariedade. A escola, considerada o segundo lar das crianças, tem esse importante papel na vida dos pequenos.
Todos os anos a Igreja Católica no Brasil apresenta um tema para reflexão durante a quaresma. Este ano, a Campanha da Fraternidade reflete sobre a importância da educação no processo formativo do indivíduo, apontando luzes para uma realidade educativa que seja humana e solidária.
Na apresentação do texto base lemos que “a Campanha da Fraternidade nos convoca a refletir sobre os fundamentos do ato de educar”, afirmando ainda que “educar não é um ato isolado. É encontro no qual todos são educadores e educandos. É tarefa da própria pessoa, da família, da escola, da Igreja e de toda a sociedade. Afinal, como nos ensina o conhecido provérbio de origem africana, ‘é preciso uma aldeia para se educar uma criança'”.
A reflexão proposta pela Campanha da Fraternidade diz respeito a uma educação que aproxime o ser humano da justiça e da paz, pois só assim valores como o amor ao próximo, a solidariedade e o cuidado com a Casa Comum se tornarão uma realidade.
Mas não é fácil educar para a vida. Vejamos quantas crianças são afastadas do convívio entre os pais. Quantas são as que ainda permanecem longe de uma escola ou, quando estudam, o fazem por obrigação e não recebem o devido estímulo para pensar a educação como um instrumento de libertação, como bem pontuou Paulo Freire, o patrono da educação brasileira.
Para que a educação das crianças seja frutífera faz-se necessário que os atores nela envolvidos se comprometam em falar com sabedoria e em ensinar com amor (Provérbios 31, 26). Em casa, as crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelas palavras. Como esperar filhos verdadeiros quando os pais mentem o tempo inteiro? Como esperar alunos motivados quando o professor é apenas um repetidor de conceitos?
Um bom professor precisa ser, antes de tudo, um apaixonado pelo ser humano. O Papa Francisco ensina que não se pode ensinar sem paixão. É o amor ao próximo que dá sentido a educação, pois, continua o pontífice: “o dever de um bom professor – sobretudo de um professor cristão – consiste em amar com maior intensidade os seus alunos mais difíceis, mais frágeis, mais desfavorecidos. Jesus diria: se amais apenas aqueles que estudam, que são bem educados, que mérito tendes? E alguns deles fazem perder a paciência, mas são precisamente aqueles que nós devemos amar em maior medida! Qualquer professor está bem com estes estudantes. Peço-vos que ameis mais os alunos ‘difíceis’, aqueles que não querem estudar, aqueles que se encontram em condições de dificuldade, os portadores de deficiência e os estrangeiros, que hoje constituem um grande desafio para a escola”.
Que os filhos aprendam com os pais a serem pacientes, a perdoar e viverem as virtudes cristãs. Que os pais consigam corrigir com amor e tenham tempo para fazer um cafuné nos filhos. Que a escola ensine não apenas a ler e fazer contas, mas também prepare o aluno para ser um cidadão comprometido consigo mesmo e com as pessoas ao redor. Educar exige sabedoria e equilíbrio. É uma tarefa para toda a vida, sem autoritarismo e exigências descabidas, mas com amor, ternura e paciência.
Paulo Franklin é advogado e professor


