A longa Covid Econômica

Em um paper do Fundo Monetário Internacional (FMI), são apontados vários aspectos que apresentam variáveis que impactaram as atividades econômicas ao redor do mundo por conta da pandemia. Isto trouxe cicatrizes que o FMI está classificando como uma longa COVID econômica.
De acordo com o paper do FMI que é de autoria de Kristalina Georgieva, Diretora Geral da entidade, a Covid trouxe profundas rupturas em muitas empresas e mercados de trabalho. Além disso, tivemos o custo para estudantes em todo o mundo, estimado em até US$ 17 trilhões ao longo de suas vidas devido a perdas de aprendizado, menor produtividade e interrupções no emprego. Destacando-se que o fechamento de escolas foi especialmente grave para estudantes em economias emergentes, onde o nível educacional era muito menor, ameaçando agravar a perigosa divergência entre os países.
Tem-se também uma verdadeira corrida de obstáculos contra a crise econômica que foi estabelecida para que seja possível a continuidade da recuperação econômica que foi iniciada em 2021, ressaltando-se que a referida recuperação é moderada, em face da alta incerteza e riscos crescentes. Nesta linha, a previsão de crescimento econômico global que foi feita pelo FMI é de 4,4%, sendo influenciados pelas perspectivas das duas maiores economias mundiais, Estados Unidos e China.
A variante Omicro e as interrupções na cadeia de suprimentos afetou as perspectivas dos indicadores econômicos e mais recentemente o acendimento de tensões geopolíticas. Por conta disso, o FMI entende que precisamos de uma forte cooperação internacional entre os países para apoiar o crescimento econômico, o emprego, o controle da inflação, a estabilidade financeira e o controle das dívidas. As sinalizações do FMI são de que o longo Covid econômico causará perdas acumuladas de produção global da pandemia de quase US$ 13,8 trilhões até 2024.
Assim, avaliar os efeitos da pandemia da Covid é fundamental e necessário, nesta linha, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) tem realizado um acompanhamento sistemático da situação da Região sob sua jurisdição, com a produção de relatórios de acompanhamento. O último destes relatórios, aponta que as assimetrias globais condicionam as políticas de recuperação na América Latina e no Caribe. De acordo com a CEPAL, como um todo, as medidas de recuperação, voltadas para a manutenção ou compensação do consumo, enfraqueceram os serviços públicos não-saúde, a vigilância do território e as funções de monitoramento social e governamental. As transferências de apoio ao consumo reforçam um padrão de desenvolvimento insustentável e as medidas de recuperação prolongam a ancoragem num estilo de alta vulnerabilidade aos impactos ambientais e com igual ou maior dependência dos combustíveis fósseis.
Ainda conforme a CEPAL, a região está perdendo a oportunidade de usar o esforço de recuperação para melhorar os padrões de produção e consumo, bem como a qualidade e a cobertura dos serviços públicos, cuja importância foi destacada pela pandemia da doença por coronavírus (COVID-19).
A CEPAL informou em seu relatório anual sobre o Panorama Social da América Latina que a pobreza extrema na região subiu para 86 milhões de pessoas em 2021, um aumento de quase cinco milhões de pessoas, como consequência do aprofundamento da crise social e sanitária derivada da pandemia da covid-19.
Na visão da Organização Mundial do Trabalho (OIT), o mundo do trabalho está sendo profundamente afetado pela pandemia global do vírus. Além da ameaça à saúde pública, a pandemia acarreta impactos econômicos e sociais que afetam os meios de subsistência e o bem-estar de milhões de pessoas no longo prazo. A OIT e seus constituintes – governos, organizações de trabalhadores e de empregadores – em minha visão estão desempenhando um importante papel no combate ao surto, garantindo a segurança das pessoas e a sustentabilidade das empresas e dos empregos.
Segundo a OIT, o crescimento econômico registrado em 2021 foi insuficiente para recuperar o mercado de trabalho na América Latina e no Caribe, que, dois anos após o início da crise, registra um cenário de alta desocupação e a perspectiva de um aumento da informalidade. O temor é de que possa ocorrer um prolongamento da crise de emprego até 2023 ou 2024, que poderá ter como consequência desalento e frustração, repercutindo em instabilidade social.
O Banco Mundial prevê que a pobreza global aumente pela primeira vez em mais de 20 anos, como resultado das interrupções da pandemia da Covid-19 e exacerbadas pelas forças do conflito e das mudanças climáticas. Segundo a entidade, os “novos pobres” provavelmente: viverão mais em ambientes urbanos do que os cronicamente pobres; eles trabalharão mais em serviços informais e manufatura, e menos na agricultura; e eles viverão em ambientes urbanos superlotados e trabalharão nos setores mais afetados por bloqueios e outras restrições de mobilidade.
As últimas pesquisas do Banco Mundial sugerem que os efeitos da atual crise quase certamente serão sentidos na maioria dos países até 2030. Nessas condições, a meta de reduzir a taxa de pobreza absoluta global para menos de 3% até 2030 – que já estava comprometida antes da crise – é agora inatingível sem uma ação política rápida, significativa e substancial.
Pelo que apresentamos o que destacamos neste ensaio é de que para além de uma crise de saúde, tivemos como consequência uma crise econômica, que aqui denominamos de Covid Econômica. O que quero afirmar é que a economia mundial está doente. E Esta Covid Econômica poderá constituir-se em um ciclo de crise que poderá resultar em flutuações econômicas que levará a abismos mais profundos entre as nações.

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