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A NAKBA DE GAZA


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Publicado em 05 de dezembro de 2023
Por Jornal Do Dia Se


* Vânia Azevedo
 
Como leitora contumaz dos eventos que marcaram a Segunda Guerra Mundial, encontrei nos relatos de história oral – de homens e mulheres sobreviventes da 2ª Guerra Mundial – testemunhos infinitamente dolorosos de um povo que viveu a saga do jugo cruel do ditador russo Josef Stalin, ao lançar homens e mulheres despreparados contra as forças nazistas. Da mesma maneira que a literatura é rica e nos abastece generosamente de infinitos relatos do povo judeu que, diante da ferocidade de um ditador insano como Adolf Hitler, viu o seu povo ser dizimado em campos de concentração, subordinados à maldade extrema e às fantasias de um louco de anseios ilimitados. E quando acreditava que todas essas manifestações de insanidade extremada tinham ficado no passado, inacreditavelmente, estamos vendo o primeiro-ministro judeu, Benjamin Netanyahu, reproduzir no povo palestino a crueldade antes vivida pelo seu povo, com o recrudescimento do conflito que ora detém o olhar estarrecido das demais nações.
De origem árabe, a palavra Nakba significa “a catástrofe”, e traz tristes recordações aos palestinos, no passado expulsos de sua terra por milícias sionistas em evento marcado pela guerra de1947-1948. O conflito provocou o êxodo em massa de aproximadamente 700.000 árabes-palestinos que, como ocorre agora, precisaram fugir abandonando suas casas, sua vidas e história – perseguidos e massacrados pelas milícias judaicas sionistas – em consequência da Primeira Guerra Árabe-Israelense que deu origem ao Plano Partição da Palestina, pela ONU. Esse é um fato que até hoje Israel se nega a admitir – que tenha havido uma política de expulsão – preferindo responsabilizar os grupos paramilitares. Com a vitória, Israel expandiu seus domínios sobre a Palestina, ignorando os limites prefixados pela ONU, e dando início a uma prática que se repete no momento, ao bombardear os postos de ajuda humanitária da ONU, em Gaza, deixando claro mais uma vez o seu descompromisso com a Organização das Nações Unidas (ONU), de indiferença ao seu papel de intermediar as relações internacionais e prover ajuda humanitária em conflitos armados. Triste fim também teve alguns médicos, colaboradores, funcionários que engrossam a estatística de mortos nesse conflito. A exemplo de hospitais como o Al-Shira – o maior hospital de Gaza – que foi invadido, colaborando em apressar o fim daqueles que para quem a paz sempre foi um sonho inalcançável.Quando a história se repete já são 15.000 mortos, e o êxodo forçado de palestinos moradores de Gaza dá conta de um cenário de desespero e dor sobre vidas que,mesmo na ausência de uma guerra,já enfrentavam batalhas diárias de sobrevivência.
Todavia, por mais chocant eque tenha sido o terror e barbárie patrocinado pelo maior grupo militar islâmico, Hamas – que controla a Faixa de Gaza desde 2007 -, nada justifica o genocídio promovido pelas forças de Israel em sua determinação de varrer o Hamas da face da terra -mesmo ao custo da vida de civis inocentes, em sua maioria crianças – exterminando-os, seja pela força bélica ou pela fome e a sede.Ignorar os códigos de ética – bombardeando locais como escolas e hospitais – já não faz a menor diferença para Israel, cujo descaso com vidas humanas o fez ignorar até mesmo os postos de ajuda humanitária da ONU, mesmo sabendo que aproximadamente 90% da população de Gaza sobrevive graças ao trabalho de distribuição de alimentos e materiais de primeira necessidade distribuídos pela ONU. Triste fim também teve alguns médicos, colaboradores, funcionários que hoje engrossam a estatística de mortes no conflito. Sem falar da destruição de hospitais como o Al-Shira – o   maior hospital de Gaza – que foi invadido, colaborando em apressar o fim daqueles para quem a paz sempre foi um sonho inalcançável.
O Hamas por sua vez, buscava num ataque enfurecido abalar determinantemente o status quo da nação israelense, que sempre primou pela qualidade e eficiência do seu serviço de inteligência, mas que foi surpreendido de forma contundente e estarrecedora. A crueldade imposta pela ação terrorista do Hamas não deixou a desejar em nada à forma como a polícia de Hitler adentrava às cidades quando em guerra: aterrorizando, vandalizando e exterminando todos que cruzassem o seu caminho, especialmente àqueles que não seriam úteis aos seus propósitos.
No entanto, ainda que os fatos em questão concorram para o desfecho de um cenário de violência revoltante e barbárie imensurável, é triste perceber que o mundo político permanece na condição de plateia, e que aqueles que poderiam trabalhar para promover a paz por sua determinante influência- caso dos Estados Unidos -, seguem alimentando o conflito, no seu abjeto papel de se utilizar do momento para atingir seus próprios interesses.
O momento não é de apontar culpados, mas de conter o conflito e interromper essa sequência de mortes e destruição. Não adianta querer responsabilizar apenas o Hamas, visto que, a resistência e inépcia do primeiro-ministro Israelense Benjamin Netanyahu em enxergar como solução viável a criação de dois Estados tem sido o estopim dessa violência que parece não ter fim. O esgarçamento do tecido social causado pela polarização no país se agrava em função de práticas políticas de postura fascista, capitaneadas pelo seu líder máximo, Netanyahu, e seus aliados da extrema-direita.
Por fim, a ironia de tudo isso é Israel acreditar que acabará com o Hamas. O Hamas é um grupo terrorista, é fato. Mas antes de qualquer coisa, é uma resistência que sobrevive da adesão de jovens que ao longo dos anos viram pais, irmãos, tios, primos, vizinhos, serem exterminados, arrastados de suas casas para prisões em solo israelense – mulheres e adolescentes – sem acusações formais. É uma sucessão de transgressões marcadas pelo descaso de Israel ao povo palestino e que corrobora para a formação de novos rebeldes sanguinários que não temem a morte, já que a vida não lhes deixou escolhas.Já a guerra, essa jamais será solução para alguma coisa, senão o meio que o homem se utiliza para estimular o seu ego exacerbado e seu insaciável desejo de poder.
 
* Vânia Azevedo é professora
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