A participação do microempreendedor na reconstrução da economia estadual

A empresária Lilian Andrade
Milton Alves Júnior
 
Uma pesquisa de campo realizada com exclusividade pelo JORNAL DO DIA, entre os dias 25 e 30 de maio, identificou que 92% dos micro e pequenos empreendedores com atuação na região metropolitana de Aracaju reconhecem a respectiva importância funcional na retomada do crescimento econômico neste período pós pandêmico. Estes dados coincidem com a realidade nacional. Conforme revelado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), os pequenos negócios respondem por 99% das empresas brasileiras e 30% do Produto Interno Bruto (PIB); porcentagem responsável por beneficiar direta, ou indiretamente, mais de 40% da população. Diante de um país habitado por 214,3 milhões de pessoas, em números, essa porcentagem representa 85,7 milhões de contribuintes brasileiros.
Durante o estudo realizado pelo JD foi possível identificar que os empreendedores observam o fluxo de comércio [atacado e varejo]; o impulsionamento de contratações temporárias e definitivas; bem como a forma de pagamento de cada compra como termômetro positivo depois de três anos seguidos de amplo impacto econômico provocado pelas limitações sanitárias impostas pela Covid-19. Essa sintonia entre o cenário regional vivenciado neste segundo trimestre de 2023, e os dados nacionais identificados pelo próprio Sebrae no final do ano passado, mostra que a tendência gradativa é que os micro e pequenos empreendedores permaneçam assumindo o papel protagonista no mercado brasileiro. Em 2022, quase 80% dos empregos formais gerados no Brasil foram carimbados por este grupo.
A perspectiva de futuro promissor foi observada por centenas de empreendedores enquanto o Brasil seguia vivenciando suas primeiras fases críticas impostas pelo coronavírus. Durante as análises estatísticas desenvolvidas pelo JORNAL DO DIA, foi possível se deparar com a empresária Lílian Andrade, proprietária de uma loja voltada para o universo do vestuário infanto-juvenil. Criada em maio de 2020, a loja – inicialmente diante das limitações pandêmicas -, funcionava em plataformas digitais, e, a partir do segundo semestre de 2021, passou a atender clientes na modalidade presencial. Diante da expansão dos respectivos negócios, a empresária passou a buscar por conhecimento técnico por meio de cursos profissionalizantes, além de gerar dois empregos diretos e um terceiro indireto.
“Nem sempre criar uma empresa, pensar e executar um projeto comercial é difícil. O problema está no diferencial que precisamos buscar para que possamos seguir operacionalizando o fluxo comercial. Começamos com a loja virtual, enquanto a física era preparada, e foi dando certo ao ponto de contratar uma funcionária; logo quando inauguramos a loja física, percebemos que muitos clientes estavam cansados das compras online, e queriam ir na loja; foi aí que contratamos mais uma colaboradora”, declarou a empresária. Ao observar que a tendência de vendas pela internet seguia viva no fluxo comercial, Lílian Andrade destacou que precisou fortalecer a equipe de mídias, e de atendimento por aplicativos e redes sociais.
“Nós, empreendedores com estabelecimentos de pequeno ou médio porte, sabemos das nossas capacidades e o quanto podemos ajudar ao mercado. É uma indiscutível via de mão dupla. Acontece que para continuar gerando emprego e aquecendo o comércio, precisamos de novas posturas. Investir em atendimento virtual e na qualificação das nossas redes, em geral, permitiu que as metas fossem atingidas”, completou a empresária. O fortalecimento econômico na menor Unidade Federativa do país passa também pelo empoderamento crescente por parte do público feminino. Uma análise de mercado, desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por intermédio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), revela que as mulheres comandam 34% dos negócios em Sergipe.
Esse percentual representa mais de 105 mil empresas em funcionamento em Sergipe, suficiente para posicionar como o décimo estado no ranking nacional, e, o quinto no Nordeste, em termos de empreendedorismo feminino. Compondo o cenário de análises realizadas pelo JD, foi possível identificar que, ao contrário da empresária Lilian Andrade, a gastrônoma Paulla Prado se deparou com os impactos impostos pela pandemia da Covid-19 apenas cinco meses após ter conquistado o sonho de abrir uma empresa. Na busca pela manutenção das respectivas missões, paralelo às exigências sanitárias, a empresária conseguiu manter o quantitativo de funcionários enquanto estudava formas de superar a fase de instabilidade social e financeira.
“Não estávamos prontos; o mercado por completo não estava pronto. Acontece que nos deparamos com aquele impacto todo do coronavírus e o jeito foi buscar medidas imediatas para não deixar que o sonho de ser uma empreendedora se tornasse em pesadelo. A princípio, enquanto precisamos fechar a loja física e passamos a produzir em casa mesmo, eu busquei orientações junto ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae); cursos e dicas on-line que foram essenciais naquele momento de reestruturação administrativa”, avaliou Paulla. Na concepção apresentada pela superintendente do Sebrae, Priscila Felizola, as pesquisas internas e paralelas seguem em múltipla concordância. A gestora defendeu a realização destes estudos como metodologia de análise do mercado.
“Tanto regional, como nacional. A partir do momento em que observamos estes números do JD, conseguimos fazer uma comparação com os nossos dados internos. Indiscutivelmente a força do micro e pequeno empreendedor contribui para que a nação se fortaleça. De olho no futuro, o Sebrae segue à disposição de todos para discutirmos inovações, formas de ter acesso à créditos, o cenário de produtividade e competitividade, além do empreendedorismo social. O Sebrae é parceiro, podem contar com a gente”, destacou. Ao todo, o JD entrevistou 56 empreendedores com atuação em Aracaju, nos bairros: Centro, Siqueira Campos, 13 de Julho, Orlando Dantas, além do Conjunto Augusto Franco. Dos 56 entrevistados, 34 foram homens, e 22 mulheres.
O tempo de pesquisa e análises foi de seis dias, porém, quatro efetivamente em frente às empresas; [sábado e domingo, respectivamente 27 e 28 de maio, não houve entrevista]. Os números, bem como os nomes e respostas apresentadas por todos que aceitaram participar desta pesquisa foram protocolados às 13h11, desta sexta-feira, 02 de junho, no Cartório Pierete [8º Tabelionato de Notas e Registro Civil de Pessoas Naturais], em Aracaju, sob a inscrição: 2023295270080695.
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