Ação contra o PCC em SE tem um morto e quatro presos

 

Gabriel Damásio
Unidades ligadas ao Mi-
nistério Público Esta-
dual (MPSE) e as secretarias estaduais de Justiça (Sejuc) e Segurança Pública (SSP) em Sergipe participaram ontem de uma operação nacional comandada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL). A chamada "Operação Flashback" teve o objetivo de desarticular núcleos da facção criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital), que atua em todo o país, a partir de presídios do interior de São Paulo. Ao todo, mais de mil policiais, promotores e agentes penitenciários foram mobilizados para cumprir 110 mandados judiciais em oito estados. 
Aqui em Sergipe, foram expedidos cinco mandados de prisão, dos quais quatro foram cumpridos. As buscas aconteceram nas cidades de Aracaju, Simão Dias e Itabaiana, além do Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão. Entre os presos, está um casal que foi detido no bairro São Cristóvão, em Itabaiana. O alvo do quinto mandado, em Simão Dias, reagiu à ação policial e provocou um tiroteio com as equipes policiais. Segundo o MPSE, o suspeito foi baleado durante o confronto e morreu após ser socorrido ao Hospital Universitário de Lagarto. 
Não foram dados mais detalhes sobre quem foram os presos em Sergipe e quais os crimes cometidos por eles. No entanto, o comando da operação confirmou que os casos têm relação com um núcleo do PCC baseado em Mato Grosso do Sul e liderado por um traficante conhecido como ‘Maré Alta’, apontado como sucessor do líder máximo da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o ‘Marcola’, atualmente preso na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO). As investigações, que duraram sete meses, apontaram que ‘Maré Alta’ e seus comandados atuavam diretamente em crimes de tráfico de drogas, sequestro e assalto à mão armada, cometidos com o objetivo de levantar recursos para a facção. 
De acordo com o promotor Hamilton Carneiro, do Gaeco do MP de Alagoas, o núcleo investigado é chamado de "Linha Vermelha" e concentra toda a seara ‘disciplinar’ e as principais informações sobre a rotina do PCC, bem como as ações de maior violência. Sua maior característica está nos chamados "tribunais do crime", usados pelos integrantes do PCC para julgar e matar rivais de outras facções ou mesmo pessoas inocentes, muitas vezes com requintes de crueldade. Boa parte das ordens para essas execuções teriam sido partido da base do PCC no MS e aconteceram em vários estados, mas a maior parte deles se deu em cidades e bairros da região de Maceió (AL), onde várias mortes foram investigadas. Um total de 66 mandados de prisão foi cumprido no estado vizinho. 
Segundo as investigações, os ‘tribunais’ são formados pelos que detém maior poder ou funções privativas dentro da facção. "Uma das características do PCC é a frieza com a qual determinam a forma de execução das suas vítimas, incluindo jovens inocentes e membros da própria facção, tidos como desobedientes, quase sempre narrando para elas como será o passo a passo da morte. Durante as execuções, os criminosos costumam fazer contato com o líder que deu a sentença e transmitir, por meio de vídeos, para provocar ‘prazer’ e reforçar sua autoridade, bem como ganhar prestígio dentro da facção", afirma a nota conjunta do MPAL e da SSP alagoana. 
As autoridades destacam que a ‘Flashback’ "parte para o enfrentamento ao PCC não com o propósito de apreender armas e drogas, mas de isolar os líderes da nova estrutura", marcada pela truculência no ‘tribunal do crime’. A Secretaria de Operações Integradas (Seopi), recém-criada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), colaborou diretamente com a investigação. "Foi de fato uma operação importantíssima, porque é inadmissível que o Estado fique inerte a uma situação absurda dessa, em que uma facção administra a justiça, promove julgamentos e executa sua sentença, mesmo que sejam desafetos e internos do sistema prisional. Esse tipo de situação fortalece o crime organizado. Por isso, temos que combater", disse o coordenador de Combate ao Crime Organizado do MJSP, Wagner Mesquita, que acompanhou a operação em Alagoas.
Além de Sergipe e Alagoas, a operação aconteceu nos estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, São Paulo e Tocantins, com participação dos grupos especiais de investigação das polícias civis e militares, ministérios públicos e órgãos do sistema penitenciário, além do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC). Em Sergipe, foram envolvidas equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Departamento de Narcóticos (Denarc), da Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol), da Coordenação-Geral de Inteligência de Segurança Pública (Cogesisp), do Grupo de Ações Táticas do Interior (Gati), do Comando de Operações Especiais (COE), do Serviço Reservado da Polícia Militar (PM-2) e do Departamento Estadual do Sistema Penitenciário (Desipe). 

Gabriel Damásio

Unidades ligadas ao Mi- nistério Público Esta- dual (MPSE) e as secretarias estaduais de Justiça (Sejuc) e Segurança Pública (SSP) em Sergipe participaram ontem de uma operação nacional comandada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL). A chamada "Operação Flashback" teve o objetivo de desarticular núcleos da facção criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital), que atua em todo o país, a partir de presídios do interior de São Paulo. Ao todo, mais de mil policiais, promotores e agentes penitenciários foram mobilizados para cumprir 110 mandados judiciais em oito estados. 
Aqui em Sergipe, foram expedidos cinco mandados de prisão, dos quais quatro foram cumpridos. As buscas aconteceram nas cidades de Aracaju, Simão Dias e Itabaiana, além do Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão. Entre os presos, está um casal que foi detido no bairro São Cristóvão, em Itabaiana. O alvo do quinto mandado, em Simão Dias, reagiu à ação policial e provocou um tiroteio com as equipes policiais. Segundo o MPSE, o suspeito foi baleado durante o confronto e morreu após ser socorrido ao Hospital Universitário de Lagarto. 
Não foram dados mais detalhes sobre quem foram os presos em Sergipe e quais os crimes cometidos por eles. No entanto, o comando da operação confirmou que os casos têm relação com um núcleo do PCC baseado em Mato Grosso do Sul e liderado por um traficante conhecido como ‘Maré Alta’, apontado como sucessor do líder máximo da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o ‘Marcola’, atualmente preso na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO). As investigações, que duraram sete meses, apontaram que ‘Maré Alta’ e seus comandados atuavam diretamente em crimes de tráfico de drogas, sequestro e assalto à mão armada, cometidos com o objetivo de levantar recursos para a facção. 
De acordo com o promotor Hamilton Carneiro, do Gaeco do MP de Alagoas, o núcleo investigado é chamado de "Linha Vermelha" e concentra toda a seara ‘disciplinar’ e as principais informações sobre a rotina do PCC, bem como as ações de maior violência. Sua maior característica está nos chamados "tribunais do crime", usados pelos integrantes do PCC para julgar e matar rivais de outras facções ou mesmo pessoas inocentes, muitas vezes com requintes de crueldade. Boa parte das ordens para essas execuções teriam sido partido da base do PCC no MS e aconteceram em vários estados, mas a maior parte deles se deu em cidades e bairros da região de Maceió (AL), onde várias mortes foram investigadas. Um total de 66 mandados de prisão foi cumprido no estado vizinho. 
Segundo as investigações, os ‘tribunais’ são formados pelos que detém maior poder ou funções privativas dentro da facção. "Uma das características do PCC é a frieza com a qual determinam a forma de execução das suas vítimas, incluindo jovens inocentes e membros da própria facção, tidos como desobedientes, quase sempre narrando para elas como será o passo a passo da morte. Durante as execuções, os criminosos costumam fazer contato com o líder que deu a sentença e transmitir, por meio de vídeos, para provocar ‘prazer’ e reforçar sua autoridade, bem como ganhar prestígio dentro da facção", afirma a nota conjunta do MPAL e da SSP alagoana. 
As autoridades destacam que a ‘Flashback’ "parte para o enfrentamento ao PCC não com o propósito de apreender armas e drogas, mas de isolar os líderes da nova estrutura", marcada pela truculência no ‘tribunal do crime’. A Secretaria de Operações Integradas (Seopi), recém-criada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), colaborou diretamente com a investigação. "Foi de fato uma operação importantíssima, porque é inadmissível que o Estado fique inerte a uma situação absurda dessa, em que uma facção administra a justiça, promove julgamentos e executa sua sentença, mesmo que sejam desafetos e internos do sistema prisional. Esse tipo de situação fortalece o crime organizado. Por isso, temos que combater", disse o coordenador de Combate ao Crime Organizado do MJSP, Wagner Mesquita, que acompanhou a operação em Alagoas.
Além de Sergipe e Alagoas, a operação aconteceu nos estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, São Paulo e Tocantins, com participação dos grupos especiais de investigação das polícias civis e militares, ministérios públicos e órgãos do sistema penitenciário, além do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC). Em Sergipe, foram envolvidas equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Departamento de Narcóticos (Denarc), da Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol), da Coordenação-Geral de Inteligência de Segurança Pública (Cogesisp), do Grupo de Ações Táticas do Interior (Gati), do Comando de Operações Especiais (COE), do Serviço Reservado da Polícia Militar (PM-2) e do Departamento Estadual do Sistema Penitenciário (Desipe). 

 

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