Gabriel Damásio
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As polícias Civil e Militar deflagraram ontem a "Operação Concórdia", com objetivo de combater grupos criminosos baseados no bairro Santa Maria (zona sul), um dos mais carentes da periferia de Aracaju. Ao todo, 246 policiais foram mobilizados para cumprir 70 mandados judiciais, sendo 30 mandados de prisão e 40 de busca e apreensão. Durante todo o dia, 29 pessoas foram presas, sendo três em flagrante e outras 26 em cumprimento a mandados judiciais. Um dos procurados, José Carlos Lima dos Santos, o ‘Morrendo’, 26 anos, considerado pela polícia como um dos mais perigosos assaltantes da capital, morreu em uma troca de tiros com agentes que o cercaram na região da Prainha do Santa Maria, ao final da madrugada.
Os detalhes da operação serão divulgados hoje em entrevista coletiva, mas a Secretaria da Segurança Pública (SSP) adiantou que tudo foi planejado a partir de uma investigação que durou 120 dias e envolveu quase todas as delegacias da Grande Aracaju, além de unidades de inteligência da PM. Os policiais identificaram grupos que faziam assaltos à mão armada, tráfico de drogas e assassinatos nos bairros Santa Maria, 17 de Março e Invasão das Mangabeiras, além de comunidades e povoados de São Cristóvão.
Ainda segundo a polícia, a maioria destes crimes tem relação com uma disputa entre duas facções criminosas que controlam o tráfico na periferia de Aracaju. "Essa investigação apurou que a mancha criminal destas regiões estava muito acima da média. Para se ter uma ideia, estas regiões respondem por 20% dos homicídios no Estado de Sergipe. Esperamos com estas prisões tentar diminuir esses índices", afirma o porta-voz da SSP, Sérgio Freire. As buscas na região envolveram equipes de várias unidades especializadas e um helicóptero do Grupamento Tático Aéreo (GTA). Elas resultaram na apreensão de sete armas de fogo, incluindo revólveres, pistolas e escopetas, além de quantias de drogas.
Um dos crimes descobertos foi o assassinato de um jovem que está desaparecido há cerca de duas semanas e seria filho de um sargento da Polícia Militar. De acordo com a SSP, um adolescente que foi apreendido em Capela (Agreste) afirmou ter assassinado o adolescente e indicou aos policiais que o corpo do rapaz estaria enterrado em uma cova rasa no Morro da Reação, no 18 do Forte (zona norte). Equipes da PM, da Civil, do Corpo de Bombeiros e de peritos da Força Nacional de Segurança estiveram no local e encontraram uma ossada. Os restos mortais foram recolhidos ao Instituto Médico Legal (IML) e passarão por um exame de DNA para identificação da vítima.
Também foi confirmada a prisão de outro sargento da PM, acusado de receber munições fornecidas por um integrante das quadrilhas investigadas. Fontes policiais informaram ao JORNAL DO DIA que ele seria o mesmo homem que se envolveu em uma briga de trânsito no bairro São José, no começo do ano, e foi flagrado sacando sua arma para um casal que teria sido fechado por ele em um semáforo. O caso ganhou repercussão com a divulgação de um vídeo na internet e o sargento acabou processado pelos crimes de agressão, ameaça e dano.


