Acidente causado por suposta briga mata três

Gabriel Damásio

Uma suposta briga de casal terminou de forma trágica às 22h30 de anteontem no quilômetro 23 da BR-235, altura do povoado Cafuz, em Laranjeiras (Vale do Cotinguiba). O GM Celta de placa IAH-2295/SE e a Toyota Hilux de placa NLY-4469/SE, que estavam supostamente em alta velocidade, bateram de frente e ficaram muito destruídos. Os que estavam no Celta, Marcelo Lima Calixto, 30, e a ex-esposa Daniela Santos Rodrigues, 26, morreram na hora. Já o motorista da Hilux, José Soares de Araújo Cavalcante, 66, faleceu ao início da tarde de ontem no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), em Aracaju.

De acordo com informações apuradas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Celta guiado por Marcelo saiu de Itabaiana (Agreste), onde ele a esposa moravam, em direção à capital. O veículo teria invadido a pista contrária e bateu frontalmente na Hilux. O impacto do choque foi tão forte que o cadáver de Daniela chegou a ser jogado do carro, enquanto o de Marcelo acabou preso nas ferragens e teve as pernas arrancadas. Uma quarta vítima, Edith Vieira de Araújo Cavalcante, 53, foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e internada em um hospital particular de Aracaju, com saúde considerada estável.

A principal hipótese apontada pela polícia é de que o acidente pode ter sido provocado intencionalmente por Marcelo, que, de acordo com as primeiras informações, teria jogado o carro na direção da caminhonete. Esta suspeita surgiu porque, duas horas antes do fato, um boletim de ocorrência foi prestado por familiares de Daniela na Delegacia Regional de Itabaiana. Na queixa, o relato é de que a jovem teria desaparecido depois de brigar com o marido e ter sido obrigada a entrar no carro dele. A delegada que estava de plantão, Clarissa Lobo, chegou a acionar a PRF e a Polícia Militar, pedindo que as equipes fizessem buscas pelo casal desaparecido.

A família de Daniela confirma a queixa e reafirma a suspeita de que o ex-marido teria raptado-a. O pai da jovem, Wilson Rodrigues da Silva, disse aos jornalistas que decidiu prestar a queixa depois de a vítima ter feito um telefonema para a mãe e, como se estivesse chorando, chamou por ela várias vezes, mas não disse o que aconteceu. Afirmou também que, depois da ligação, foi até a casa dela e encontrou uma situação ainda mais suspeita. "Chegamos lá, a porta estava trancada, tivemos que arrombar a porta pra entra, e aí encontramos a TV ligada, a panela no fogão que estava ligado, a xícara de café posta na mesa… A vizinha da frente não viu eles saírem de casa… sei que algo estranho aconteceu", desconfia o pai.

Wilson disse ainda que Daniela e Marcelo estavam juntos há 10 anos, mas enfrentavam uma crise no casamento, com direito a agressões e até uma separação de um mês. À tarde, a delegada Helliara Farias, da Delegacia de Atendimento à Mulher, confirmou que a mulher já prestou queixa contra o rapaz no dia 4 de outubro, afirmando que ele a agrediu e a ameaçou de morte. Sete dias depois, ela voltou à delegacia para tentar retirar a queixa, pois teria voltado a conviver com Marcelo, mas a audiência com a delegada já estava marcada para a semana que vem.

Os parentes do ex-marido, por sua vez, negam que ele tenha causado o acidente e dizem não saber exatamente o que aconteceu. "Eu não sei dessa história de sequestro. A gente até sabia que já teve briga, mas, ultimamente, pelo que sei, eles estavam vivendo bem. Não acredito que ele tenha feito isso [causado o acidente] com a vida dele e nem com a vida da esposa. A gente já perdeu outro irmão em acidente tenho certeza que ele não jogaria o carro em cima dos outros", afirma a irmã de Marcelo, Laudelina Calixto.

O caso deve ser assumido pela equipe do delegado Deskson Almeida, da Regional de Itabaiana, que deve aguardar os laudos e perícias da PRF e do Instituto de Criminalística para definir uma linha de investigação. Os corpos de Marcelo e Daniela foram velados e sepultados em dois locais diferentes na cidade serrana. O casal deixa uma filha de nove anos, que ficou em estado de choque e deverá ser criada pelos avós maternos.

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