Milton Alves Júnior
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Professores e estudantes da rede estadual de ensino estão engajados em uma campanha interna de qualificação da segurança pública. Em busca de apoio administrativo por parte da Secretaria de Estado da Educação (Seed), na última semana foi formada uma comissão que visa promover a elaboração de projetos e programas educacionais no combate à violência, disseminando a cultura da paz entre a comunidade escolar. A mobilização teve início 72h após o professor de biologia Carlos Cristian de Almeida Gomes ter sido baleado dentro da Escola Estadual Professora Olga Barreto, no conjunto Eduardo Gomes, município de São Cristóvão. Segundo denúncias do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese), perseguições a docentes são constantes.
Coordenada pelo Departamento de Educação da Seed, e composta por representantes de professores, alunos, pais de alunos e servidores não docentes, a comissão ao longo dos últimos dias vem desenvolvendo um cronograma de visitas às escolas onde devem promover diálogos, ouvir alunos, servidores e professores como forma de desenvolver em toda comunidade escolar um sentimento de pertencimento e de proteção. O que na teoria parece ser simples e fácil, para muitos professores que ministram centenas de aulas todos os meses essas propostas podem resultar em pouco, ou nenhum avanço.
De acordo com o professor de química, Leonardo Alves, essas medidas podem não resultar no denominador comum esperado por quem compõe a comissão. "Diálogos e palestras são importantes para a conquista desse objetivo, mas tem alunos que, infelizmente, palavras não adiantam mais. A nossa segurança vai melhorar quando mais vigias forem contratados para garantir não só a segurança dos trabalhadores, mas sim de toda a comunidade estudantil que inclui os alunos e os responsáveis", alertou.
No episódio do professor que sofreu a tentativa de homicídio, o crime teria sido motivado por uma nota baixa, na qual o aluno de 17 anos não teria concordado. Dois tiros atingiram o professor de raspão e outros três foram certeiros, sendo que um deles atingiu a coluna. O professor foi socorrido pelo Samu e encaminhado ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse).
Ainda segundo a Seed, o Governo de Sergipe ao longo dos últimos oito anos vem trabalhando na criação de projetos educacionais a fim de realizar palestras, oficinas e vivências nas escolas, desenvolvendo temas sobre Relações Interpessoais, Valores Humanos, Bullying, Drogas, Depredação e Prostituição Infantil, Preconceito Racial, Religioso e Homofóbico, Relação Família / Escola, Violência Doméstica e Indisciplina. Entre estes projetos estão: ‘Cidadania e Paz nas Escolas’, que está em mais de 50 unidades escolares; e ‘Escolas Promotoras da Paz’ que vem sendo desenvolvido em 18 unidades da rede estadual de ensino e tornou-se uma referência em todo o Brasil no combate à violência nas escolas.
Diante da grande quantidade de professores ameaçados e não mais suportando o livre tráfico de entorpecentes nas áreas internas e externas das escolas, o Sintese está recebendo uma série de relatórios criados pelos próprios professores e não descarta a possibilidade de interromper por tempo indeterminado as aulas. De acordo com a professora Cláudia Oliveira, representante do Departamento de Assuntos da Base Estadual, é preciso que a Secretaria de Estado da Segurança Pública intensifique os trabalhos de combate a violência. "Ontem participamos de uma audiência com o secretário João Eloy e apresentamos a nossa situação. Na escola Olga Barreto as aulas estão suspensas à noite, e na Carlos Camélio Costa nossos colegas já criaram um relatório detalhando os problemas na segurança", afirmou.
Rondas – Após a ocorrência da semana passada, a Polícia Militar informou que a ronda policial foi intensificada no entorno das escolas para evitar os roubos e furtos. A ação consiste em ampliar o número de ronda nas ruas onde estão situadas as escolas mais vulneráveis para evitar o crescimento dos furtos e roubos nas unidades. Os batalhões abrangem os municípios de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Barra dos Coqueiros, São Cristóvão e Itaporanga d´Ajuda. As rondas ocorrem por várias vezes nos turnos da manhã, tarde, noite e de madrugada. Diariamente as escolas também serão visitadas por policiais que estão fazendo a ronda e estes conversarão com a equipe diretiva das unidades para saber como está o transcurso do expediente escolar.


