A Polícia Civil realizou ontem à noite a reconstituição do assassinato do delegado Ademir Melo Júnior, ocorrido em 18 de julho deste ano. Os trabalhos aconteceram no mesmo horário e local do crime, na Alameda das Árvores, bairro Luzia (zona sul). O local foi interditado durante cerca de duas horas e examinado por policiais que investigaram o caso e peritos do Instituto de Criminalística, que simularam e registraram os fatos ocorridos naquela noite, de acordo com o depoimento do ex-presidiário Anderson Santos Souza, 27 anos, preso desde terça-feira e apontado como o autor da morte do delegado. Anderson participou diretamente da reconstituição.
Mais cedo, o acusado foi apresentado aos jornalistas na sede do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope), no Capucho (zona oeste). Anderson negou a versão da polícia de que tentou roubar o celular do delegado, enquanto ele saía para passear com o cachorro, mas admitiu que disparou três tiros contra Ademir, alegando que ele estava armado. "Eu estava rodando como motoboy. Quando eu parei a moto do lado dele, pra atender ao telefone, ele perguntou o que é que eu queria, e eu disse que não. Ele deu mais um passo à frente e, quando se virou, já veio com a pistola na minha cara. Aí, eu estava com o revólver na cintura, puxei na hora e atirei. Eu pensei que era algum inimigo. Não sabia que ele era policial e nem ia roubar ele", disse Souza.
A versãonão convenceu a polícia, que apresentou a moto do acusado(uma HondaXRE 300preta), dezenas de celulares e chips apreendidos na casa dele, no bairro Soledade (zona norte), e um revólver calibre 38 cujo uso na morte do delegado foi comprovado por um exame balístico feito pelo Instituto de Criminalística de Alagoas, em Maceió (AL). A hipótese de um crime de mando ou relacionado à atividade do delegado foi totalmente descartada. "Ele já tinha sido preso por tentativa de latrocínio, dezenas de vítimas apareceram aqui no Cope reconhecendo os objetos apreendidos. Então, não paira nenhuma de dúvida que ele matou o delegado para roubar. Especulação existe em toda investigação, mas ela para quando chega a apresentação das provas", enfatizou o diretor do Cope, João Eloy de Menezes.


