Acusado de matar ex-interno do Cenam pega 21 anos

O réu Lucas Gonçalves Santos, 25 anos, acusado pelo assassinato de John Lennon Santos Silva, ex-interno do Centro de Atendimento ao Menor (Cenam), foi condenado ontem a 21 anos de prisão, sendo 15 no regime fechado e outros seis no aberto. O julgamento aconteceu durante sete horas no Fórum Gumercindo Bessa, bairro Capucho (zona oeste), e foi presidido pela juíza Olga Silva Barreto, da 5ª Vara Criminal de Aracaju. Já o crime ocorreu em 16 de agosto de 2009, no bairro Santa Maria (zona sul). Além do crime de homicídio qualificado, praticado sem dar chances de defesa à vítima, o réu também foi condenado por receptação e porte ilegal de arma.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Lennon estava chegando em sua residência, na rua B6 do Conjunto Valadares, quando foi surpreendido por Lucas e por um segundo atirador, que acompanhava o réu naquele dia e com ele tinha ido até a casa da vítima para tentar executar o crime. Este atirador era adolescente à época, foi detido após o crime e cumpriu medida socioeducativa. O ex-interno, que estava de bicicleta, ainda chegou a dar meia volta, mas acabou atingido com cinco tiros no pescoço e na cabeça.
A promotoria afirmou na denúncia que Lucas agia como uma "pessoa contratada para eliminar desafetos" e que os depoimentos de testemunhas durante a fase de instrução apontaram, como motivo do crime, uma desavença entre Lennon e o menor. A vítima também era usuária de drogas e já se envolveu em incidentes e pequenos furtos. A defesa do réu, no entanto, negou que Lucas tenha praticado o crime, alegando falta de provas. Por maioria, os jurados ficaram com a tese do MP.
O réu não terá o direito de recorrer da sentença em liberdade, pois ficou preso enquanto respondia a grande parte do processo. O defensor público Jorge Valença, responsável pela defesa, apelou da sentença e pediu as gravações do julgamento para preparar o recurso a ser impetrado no Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE).

Matou a mulher – Em outro julgamento, realizado anteontem sob responsabilidade da 8ª Vara Criminal de Aracaju, o réu Gilvaci Ribeiro da Silva foi condenado a 13 anos e 23 dias de prisão em regime fechado, após ser considerado culpado pelo assassinato de sua ex-mulher, Iara Ferreira de Lima Florêncio. Ela foi esfaqueada pelo acusado no dia 11 de janeiro de 2011, em frente a um bar no bairro 17 de Março (zona sul de Aracaju).
Os jurados aceitaram a tese do MP, que apontou como motivo do crime o fim do casamento, que não era aceito por Gilvaci, e as constantes agressões que do réu contra a vítima – e já denunciadas à polícia em várias queixas. Eles ficaram juntos durante 20 anos e se separaram um ano antes do crime, tendo juntos cinco filhos. Segundo os autos, Gilvaci chamou Iara para conversar sobre a criação dos filhos e, quando ela chegou ao bar, atacou a vítima e deu-lhe várias facadas.   
"As consequências do crime foram graves, tendo e vítima deixado filho menor, cuja sobrevivência passou a ser custeada pelo seu irmão. Ainda sobre este aspecto, importante destacar o trauma psicológico sofrido por estes menores, em decorrência do fato criminoso praticado contra sua genitora", escreveu a juíza Soraia Gonçalves de Melo, em sua sentença. A magistrada também negou ao réu o direito de recorrer em liberdade.

Compartilhe esta notícia