Gabriel Damásio
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Em nota pública divulgada ontem, a Associação dos Delegados de Polícia de Sergipe (Adepol) saiu em defesa do delegado Wellington Fernandes Rogério, que foi transferido da Delegacia Plantonista de Aracaju (Deplan) na última sexta-feira, por decisão da Delegacia-Geral de Polícia. Isso aconteceu por causa da liberação de dois suspeitos que tinham trocado tiros com policiais militares na madrugada de quinta-feira, durante uma abordagem entre as avenidas Maranhão e Euclides Figueiredo (zona oeste). O episódio gerou forte polêmica entre integrantes das duas polícias e a primeira crise enfrentada pela gestão Mendonça Prado na Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Na nota, a Adepol manifesta a "mais absoluta confiança" e seu "total e irrestrito apoio e solidariedade" a Wellington, considerando que ele foi vítima de "injustas e infundadas acusações levadas a efeito por policiais militares, atentatórias à honra e à imagem de um profissional sério e capacitado, maculando, através da imprensa, a imagem da Polícia Civil em geral e a dos Delegados de Polícia em particular". A entidade se refere a uma representação que a Associação dos Militares de Sergipe (Amese) entregou ao Ministério Público Estadual (MPE), pedindo uma investigação sobre a conduta do delegado na ocorrência – no documento, a Amese afirmou textualmente que a atitude foi "inadmissível".
A associação também explicou sua versão do fato, baseando-se nos registros da ocorrência na Plantonista. De acordo com a nota, os PMs que participaram da ocorrência não apresentaram provas mais concretas ao relatar o confronto armado, o qual teria sido provocado por quatro homens armados que desobedeceram à abordagem e tentaram fugir com uma caminhonete com placa de Alagoas que, na verdade, foi roubada no Pará. Dois dos suspeitos foram detidos e liberados: o sergipano Lucas Santos de Jesus, 25 anos, e o pernambucano William Marinho da Silva, 30 anos, processado por assaltos a banco em Recife.
"No Relatório de Ocorrência Policial confeccionado pelos próprios militares, a ocorrência é descrita como "tentativa de fuga", havendo, no histórico, apenas uma vaga informação de que foram ouvidos disparos de armas de fogo efetuados pelos suspeitos. Não foram apresentadas testemunhas presenciais da troca de tiros nem foram encontradas armas de fogo em poder dos suspeitos. Ademais, não havia nenhuma suspeita em relação ao veículo apreendido, exceto uma incompatibilidade entre a numeração do chassi e a do vidro, cuja comprovação demandaria a realização de perícia veicular, serviço esse que o Estado não dispõe há mais de dois anos e, portanto, impossível de ser realizado durante o plantão", justifica a Adepol.
A nota da entidade aponta também que houve "contradição" dos PMs quanto à existência de marcas de tiros em uma das viaturas usadas na ocorrência, fazendo com que uma perícia neste sentido fosse interrompida. "Os policiais militares disseram que a viatura havia sido atingida por disparos de arma de fogo, todavia, ao ser solicitada a perícia (que não pode ser confundida com a perícia veicular), eles próprios, contraditoriamente, alegaram não ter certeza se uma suposta perfuração na lataria teria ocorrido naquela ou em outra ocorrência, levando a Autoridade Policial a cancelar a perícia", declara a nota, classificando que "a decisão e a postura do Delegado de Polícia foram tecnicamente corretas, decorrentes de sua autonomia funcional e embasada na lei, por que deve pautar sua conduta, e não por opiniões emotivas e desprovidas do devido embasamento legal".
A associação ainda assegura que Wellington fez todas as diligências necessárias e consultou pessoalmente os cadastros dos suspeitos detidos e do veículo apreendido, mas não encontrou mandados de prisão nem restrição de roubo ou furto. "Nesse particular, cumpre esclarecer que, mesmo que houvesse o registro de ocorrência de roubo ou furto ou a comprovação da adulteração do chassi, ainda assim não teria sido possível a lavratura de auto de prisão em flagrante delito, haja vista não se tratar de crimes permanentes, hipótese em que a documentação é sempre remetida à unidade policial responsável", afirma.
O caso é apurado em uma sindicância da Corregedoria da Polícia Civil, que já requisitou os relatórios e documentos relativos à ocorrência.


