Advogado escapa de atentado em plena Barão de Maruim

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Mais de 10 tiros de pistola foram disparados contra o carro do advogado Antônio Mortari, ex-conselheiro seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e presidente do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Federação Sergipana de Futebol (FSF). O atentado aconteceu por volta das 22h de anteontem, na esquina das avenidas Barão de Maruim e Gonçalo Prado Rollemberg, centro da capital. Mortari teve o braço direito ferido com dois disparos e foi socorrido ao Hospital São Lucas, no bairro São José. Um terceiro tiro atingiu-o na altura do peito, mas a bala ficou alojada por um distintivo de ferro que estava em seu terno. O advogado não corre risco de morte e recebeu alta no começo da manhã de ontem, mas, segundo colegas, ficou emocionalmente abalado.
A polícia já começou a investigar o crime e considera que houve uma tentativa de assassinato. Não se sabe claramente quantas pessoas participaram do ataque, mas sabe-se que o atirador estava em um carro que parou ao lado do veículo do advogado, um Toyota Hilux. Equipes das polícias Civil e Militar, incluindo o delegado André Baronto (coordenador de Polícia da Capital) e o tenente-coronel Vivaldy Cabral (comandante de Policiamento da Capital) fizeram os primeiros levantamentos no local do escritório e no Hospital São Lucas. Segundo os policiais e a própria OAB, as características do crime indicam ter havido uma tentativa de homicídio, pois nenhum objeto foi roubado da vítima.
O crime aconteceu quando Mortari tinha acabado de deixar seu escritório, na Barão de Maruim, e estava a caminho de casa. Ao parar no semáforo, foi surpreendido pelos tiros disparados da janela do carro vizinho. Enquanto o carro com o atirador fugia, ele era atendido por pessoas que passavam pelo local e chamaram a polícia. Mesmo ferido e ensanguentado, o advogado teve tempo para gravar uma mensagem de celular, pedindo socorro. "Amigos, eu fui baleado na porta do meu escritório. Estou precisando de ajuda. Eu estou perdendo as minhas forças. Se alguém me conhece, por favor, avise em minha casa. Por favor, me ajudem", pediu Antônio. A PM chegou rápido e, em seguida, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) socorreu o advogado ao São Lucas.
Ao deixar o hospital, Antônio Mortari saiu por uma entrada lateral, acenando para os jornalistas, e foi levado por seu motorista, vestindo um colete à prova de balas e escoltado por um grupo de policiais e seguranças. A escolta foi providenciada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) e pela OAB, que manifestou preocupação com a segurança do ex-conselheiro. "Fiquei com ele lá no hospital e tive uma conversa muito rápida. Ele estava ainda emocionalmente muito abalado, sem condições de conversar sobre o ocorrido em si. A preocupação nossa naquele momento era com a vida e a saúde dele. Agora, nossa preocupação prioritária é com a segurança do advogado e de sua família, até que seja desvendada a autoria do crime e os motivos que o ensejaram", disse o presidente estadual da OAB, Henri Clay Andrade.
Ainda na manhã de ontem, Clay participou de uma reunião a portas fechadas na sede da SSP com o secretário João Batista Santos Júnior, a cúpula da SSP e a diretoria da OAB. Nela, ficou garantida a proteção policial à família de Antônio Mortari e mais prioridade nas investigações do atentado. O encontro teve a participação da delegada Thereza Simony Nunes Silva, da 1ª Divisão do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a qual ficará responsável pelo inquérito policial. Aos jornalistas, Thereza disse ser "prematuro" descartar qualquer linha de investigação sobre as circunstâncias e os motivos do crime.
Uma das primeiras pistas do caso pode estar nas imagens gravadas por câmeras dos circuitos internos de TV instalados ao longo da Avenida Barão de Maruim. As gravações já foram requisitadas pelo DHPP, que aguarda a recuperação total de Mortari para que ele preste depoimento à delegada. Ainda segundo Henri Clay, a SSP permitiu que o trabalho de investigação seja acompanhado diretamente por advogados indicados pela OAB. "Continuamos com muita apreensão diante desta situação pela qual passa o sergipano, diante de uma grave crise. A nossa preocupação é que a violência, só cresce, se alastra e tem causado uma situação de insegurança profunda", disse Andrade.

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