Afastados da VCA serão contratados

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Na manhã de ontem motoristas e cobradores ligados ao Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Município de Aracaju (Sintra) realizaram no Centro de Aracaju uma caminhada para reivindicar aumento salarial de 22% para a categoria, como também o retorno do funcionamento dos veículos da empresa Viação Cidade de Aracaju (VCA), que foram inviabilizados de realizar o serviço público em decorrência da precária situação. Com receio de uma demissão em massa, direção do sindicato promoveu duas passeatas durante o dia de ontem, e participou de uma audiência pública na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT), em Sergipe.

Concentrados na Praça da Bandeira, por volta das 9h os manifestantes saíram em marcha com destino a Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe (Alese). Já no período da tarde o ato teve início às 15h30 e seguiu até a Câmara de Vereadores de Aracaju. Para o cobrador Charles Melo, a direção do Sindicato das Empresas do Transporte de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp), não se mostra interessada em apresentar uma porcentagem de reajuste salarial que agrade os trabalhadores. "Diariamente somos obrigados a passar por constrangimento por causa da precariedade do transporte público, e as empresas ao invés de nos qualificar e aumentar a frota, ficam reivindicando aumento da tarifa. Queremos dignidade e respeito", disse.

Para o motorista Márcio Filho, além do aumento salarial, necessita-se de uma modernização do serviço público, principalmente no aspecto segurança. De acordo com o trabalhador, todos os dias os motoristas, cobradores e passageiros são vítimas de meliantes e vândalos. "Pela primeira vez eu vi um ônibus sendo incendiado em Aracaju por atos de vandalismo. Todo santo dia a gente sai de casa com esse medo e não somos reconhecidos por esse trabalho de grande periculosidade. Muito pelo contrário, somos rotulados de inexperientes e preguiçosos", afirmou. Segundo estatística do Sintra, uma média de 200 profissionais estão sem trabalhar após a retirada dos 55 veículos da VCA.

Preocupado com essa situação, o diretor do Sintra, Josival Gomes, informou que independente da justiça sergipana ter ajuizado uma liminar exigindo a retirada dos veículos por falta de condições, os servidores não podem ser prejudicados. Durante o ato, os manifestantes garantiram promover uma greve geral a partir da próxima segunda-feira, 1º de abril, caso as reivindicações não sejam atendidas. "Os funcionários não têm culpa dessa desordem administrativa que ao longo dos meses estamos percebendo. Esperamos que o Setransp aceite as nossas pautas para que a paralisação do transporte público não seja registrada na próxima semana", alertou.

Acordo – Durante a audiência de mediação no MPT, entre o poder público, rodoviários e empresas de transporte urbano, ficou definido que a Viação Tropical e a Modelo vão contratar imediatamente 160 funcionários da empresa VCA que estão parados por conta da suspensão de seis linhas. Na audiência ficou acordado também que as duas empresas vão tentar absorver os ex-funcionários da VCA, à medida que forem precisando de mão de obra. Para o presidente do Sintra, Miguel Belarmino da Paixão, a audiência de ontem proporcionou a primeira conquista da categoria em 2013.
"Eu confesso que estou mais tranquilo com o resultado da audiência. Saio daqui aliviado, pois acredito que não haverá mais demissões, já que a tendência é que os demais empregados fiquem na própria VCA", afirmou o sindicalista.

Já o superintendente do Setransp, José Carlos Amâncio, informou que essa semana foi apresentada uma nova contraproposta de 6,77% de aumento salarial. "A primeira proposta foi apresentada com o índice de 3,4% e agora uma nova proposta foi enviada ao sindicato com 6,77% na noite da última segunda-feira, 25", afirmou. Questionado sobre a possibilidade de greve na próxima segunda-feira, o presidente preferiu não se manifestar até que a categoria aprove, ou não, a recém contraproposta apresentada.

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