Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br
A manhã de ontem foi marcada por mais manifestações promovidas pelos agentes comunitários de saúde (ACS) e de combate às endemias (ACE) que desde o início do ano estão mobilizados pleiteando melhores condições de trabalho e reajuste salarial, estabelecido na Portaria 260/13, do Ministério da Saúde (MS). Desta vez, reunidos em frente ao Centro Administrativo Aloísio Campos, sede da Prefeitura de Aracaju, os mais de 600 servidores que aderiram à greve aproveitaram a oportunidade para pressionar ainda mais o prefeito João Alves Filho e informar que vão permanecer de braços cruzados por tempo indeterminado. Decididos a permanecer mobilizados até que o pleito seja atendido, os grevistas já articularam uma série de manifestações para a próxima semana.
Durante o ato público, Roberto Messias, presidente do Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias do Município de Aracaju (Sacema), ressaltou que é inadmissível que os direitos trabalhistas dos agentes permaneçam sendo desrespeitados. Conforme cálculos do sindicalista, atualmente 70% da categoria já aderiram ao movimento e a perspectiva é que até a próxima quarta-feira, 22, o número de agentes em greve ultrapasse 800. "Essa é uma de nossas lutas. Queremos todos unidos para que o sucesso da nossa greve possa ser possível para todos. Semana que vem já temos mais manifestações e isso só vai acabar quando a prefeitura decidir atender os nossos direitos. Chega de promessas, queremos resultados", disse.
Pelo calendário discutido e criado pelos sindicalistas, ficou definido que na próxima terça-feira, 21, será realizado um protesto no bairro Santa Maria devido a demolição da Unidade de Saúde da Família Osvaldo Leite. Com a desativação deste posto, os serviços passaram a ser promovidos no Centro de Saúde Elizabeth Pita e isso estaria causando grandes transtornos aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), e consecutivamente aos profissionais. Já na quarta-feira, 22, o Sacema promoverá uma caminhada a partir das 7h. A macha sai da praça principal do bairro Santos Dumont com destino a ser decidido durante a mobilização.
Segundo Roberto, as manifestações não acabam após a grande caminhada. "Em pleno domingo de Pré-caju, dia 26, a partir das 7h as categorias vão realizar uma caminhada pela Orla de Atalaia. Nosso objetivo é dialogar com os populares e apresentar os problemas que enfrentamos. O povo precisa saber das precariedades", pontuou.
Apesar dos agentes estarem ligados oficialmente à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o processo de aprovação, ou não, dos direitos da categoria é de ‘exclusividade’ da Secretaria Municipal de Governo (Segov). Essas foram informações apresentadas ao longo dos últimos dias pela própria Assessoria de Comunicação da SMS. A secretária da Segov, Marlene Calumby, não se manifestou em virtude de uma viagem que fez a trabalho, e em seguida pelo falecimento de sua irmã Cândida Alves Carvalho.
Com oito anos de trabalho realizado, a agente Angélica Porto disse ter apostado na campanha de governo da atual administração, mas se diz arrependida e disposta a lutar pelos direitos dos trabalhadores. Consciente da possibilidade de enfrentar possíveis processos judiciais, a sindicalista enalteceu a importância do prefeito e secretários realizarem uma reunião extraordinária com os dirigentes do Sacema. "Dialogar é o que estamos precisando. O problema é que a prefeitura nem senta pra conversar, muito menos atende de vez a nossa reivindicação. Nunca achei que essa gestão seria tão difícil. Já que temos essa barreira para ultrapassar, então que venham as ações judiciais que devem ser ajuizadas a pedidos da própria prefeitura", declarou.
Resposta – Em nota oficial emitida pela Segov, foi informado que em uma reunião realizada entre sindicalistas e os secretários municipais de saúde, governo e planejamento, ficou decidido que o reajuste salarial seria viabilizado após aprovação do piso nacional de R$ 950. No quesito projeto de lei, a Assessoria de Comunicação do órgão municipal declarou que se há aprovação, haverá envio de recurso no valor de R$ 400, destinados ao auxílio fardamento e mais R$ 250 em decorrência dos servidores trabalharem com a utilização diária de produtos químicos.


