Agentes protestam por gratificação

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Agentes comunitários de saúde realizaram na tarde de ontem um ato público no Centro da cidade a fim de reivindicar junto à Prefeitura de Aracaju uma melhor condição de trabalho e reajuste salarial, conforme estabelecido na Portaria 260/13, do Ministério da Saúde (MS). Durante a mobilização que teve como ponto de apoio a Câmara Municipal de Aracaju (CMA), cerca de 800 profissionais aderiram à manifestação e aproveitaram a circunstância para deflagrar uma greve no sistema público. Na tentativa de tirar a atenção dos órgãos de fiscalização e não prejudicar o princípio do ato, os agentes informaram previamente a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), que ontem seria realizado apenas um ‘passeio ciclístico’.

De acordo com o agente Santos Lima, essa medida foi articulada previamente e posta em prática em virtude da secretária municipal de governo, Marlene Calumby, não ter cumprido a promessa de apresentar na última segunda-feira, 13, uma proposta para concessão do benefício. Para ele, é necessário que o prefeito João Alves Filho se conscientize sobre a necessidade já tardia de respeitar todos os compromissos firmados e amplamente divulgados durante o período eleitoral de 2012. "Falo isso porque já passou da hora dele começar a atender os desejos da população, de resolver aqueles problemas não resolvidos por Edvaldo Nogueira e que ele prometeu nas carreatas e comícios, resolvê-los", declarou.

Em meio ao movimento, a direção do Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias do Município de Aracaju (Sacema) promovia uma rápida comparação entre a capital sergipana e outras metrópoles da região Nordeste. Para o presidente Roberto Messias da Silva, incentivos financeiros assegurados em portaria no valor de R$ 950 até a manhã de ontem não estavam sendo repassados aos agentes que atuam em Aracaju.

Questionado sobre a real necessidade de uma greve neste momento de transição administrativa, o sindicalista alegou que a população diariamente deve ter conhecimento de cada palavra pronunciada no pleito eleitoral e que insistem em não sair do papel. "É mais que necessário porque muitos já estão pensando em largar os respectivos cargos em que ocupam hoje na prefeitura se auto deslumbrando com o sonho de concorrer e garantir uma vaga na Assembleia Legislativa após as eleições desse ano. Infelizmente nosso pedido continua emperrado e o tempo de espera chegou ao limite", disse.
Apesar de também ter sido alvo dos manifestantes, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirmou que o pleito dos agentes deve ser debatido exclusivamente com a Secretaria Municipal de Governo (Segov). Esta informou que a secretária Marlene Calumby permanece sem se pronunciar oficialmente, conforme prometido, pois estaria fora do Estado de Sergipe a trabalho.

Compartilhando com as declarações dos sindicalistas, a agente de saúde Laura Azevedo acrescentou o debate acusando a administração municipal de não repassar o fardamento que, em tese, deveria ser atribuído em curto prazo para cada profissional. Não poupando as críticas, a funcionária que trabalha há mais de oito anos na prefeitura não descarta a possibilidade de um aumento no registro de casos da Dengue já nos próximos meses. "Com os agentes insatisfeitos financeiramente e sem boas condições de trabalho, como é que a Prefeitura de Aracaju vai poder garantir que a capital esteja livre de uma epidemia da dengue? Infelizmente hoje essa é a nossa situação e não devemos esconder da população", lamentou.
Devido a omissão dos gestores municipais até o final da tarde de ontem, o Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias garantiu que a categoria permanece mobilizada por tempo indeterminado.

Compartilhe esta notícia