O trabalhador vai pagar o pato. De novo. O leilão de dois terrenos pertencentes à empresa Viação Cidade de Aracaju (VCA) não rendeu o suficiente para quitar uma dívida trabalhista acumulada em R$ 40 milhões. Não chegou nem perto. O débito diz respeito a pelo menos 1200 motoristas e cobradores demitidos há mais de um ano sem o pagamento de nenhum direito rescisório. E esse é apenas o início da novela. De acordo com a justiça do trabalho, o valor deverá aumentar em razão dos processos em andamento e outros que restam julgados.
Não é novidade. Antes mesmo de encerrar as atividades, a VCA já zombava dos rodoviários, tudo com a conivência da Prefeitura de Aracaju. Pagamento de férias, ticket-alimentação e outras garantias trabalhistas eram desrespeitadas na cara dura, sem explicações nem constrangimentos. Àquela altura, o pouco caso dos empresários sugeria uma relação mediada pela arrogância dos que podem mandar e a submissão dos que, por força das circunstâncias, precisam dar ouvidos ao juízo. Os fatos confirmariam a sugestão.
Pior ainda. O descaso com o certo e o de direito sempre alcançou os usuários. E não é privilégio da extinta VCA. O desserviço prestado pelas empresas responsáveis pelo transporte coletivo de passageiros em Aracaju persiste e pode ser constatado na ausência de veículos à disposição da população.
O leilão realizado pelo TRT faz parte da programação da Semana Nacional de Execução 2014, através da qual a justiça do trabalho organizou uma agenda de mobilização dos tribunais visando a aceleração de processos em tramitação e conciliações entre empregados e empresas. Em Sergipe, as ações desta atividade vão até amanhã, sexta-feira, 26. Infelizmente, a data não será uma pedra sobre o desrespeito sofrido pelos rodoviários da VCA.


