Sufocados com as sucessivas altas nos valores dos combustíveis, motoristas de aplicativos em todo o país estão deixando a ocupação precária em busca de outras ocupações funcionais órfãos de direitos e garantias trabalhistas. Um levantamento realizado no final do mês passado por técnicos do ‘Grupo 99’, com base nas ocorrências na plataforma no primeiro semestre, identificou que cerca de 20% dos associados deixaram de atuar, em especial, com o serviço de transporte de pessoas. Já esta semana, um estudo de campo promovido pelo grupo Uber Fortes e Unidos, foi possível observar que, em todos os estados nordestinos, mais de 30% haviam protocolado o pedido de afastamento das atividades.
Em Sergipe, unindo as duas maiores plataformas deste tipo de assistência [Uber e 99], a estimativa é que essa taxa percentual esteja acima do cenário nordestino, com pouco mais de 40% de debandagem. Esse indicativo consegue ser ainda maior entre os motoristas que alugavam veículos com o objetivo de atuar diariamente na área; do total de pessoas que abandonaram as funções, as empresas compreendem que, ao menos, 80% eram detentoras de veículos terceirizados, e, diante da crise, precisaram devolver os automóveis. É de coletivo entendimento que a redução no número de associados acontece diretamente pelo aumento no preço do etanol (álcool), gasolina e gás natural veicular (GNV).
Conforme já apresentado pelo JORNAL DO DIA essa semana, Sergipe acumula 11 aumentos no valor da gasolina somente neste ano de 2021, e revende o preço da gasolina em média por R$ 6,15; em Aracaju, o preço mais baixo é encontrado por R$ 5,78, enquanto o repasse mais agressivo ao bolso do contribuinte é de R$ 6,29. Na tarde de ontem, em conversa com o JD, o enfermeiro Igor Andrade, revelou que, caso novos aumentos sejam aplicados, motoristas que possuem carro financiado, também devem entrar na estatística dos colaboradores que deixam de operacionalizar esse tipo de serviço mundial. Para ele, com o desemprego atingindo taxas cada vez mais altas no Brasil, medidas econômicas deveriam ser implantadas pelos governantes.
"As poucas pessoas que ainda estão suportando essa situação é porque possuem carro próprio, quitado, ou carro financiado. Você ser detentor de um carro alugado, há meses deixou de ser vantagem, e pessoas que têm carro financiado, como é o meu caso, podem não suportar mais um mês caso novos aumentos sejam aplicados pelos governos", sobre a falta de assistência, o egresso de enfermagem avaliou: "milhões pelo país ficaram desempregados e visualizaram nesse transporte [por aplicativo] como uma forma de sustentar as contas e poder alimentar suas famílias. Infelizmente o que percebemos é que não há assistência por parte do governo Federal, enquanto as taxas repassadas [pelas empresas] para o motorista seguem congeladas."
Demora ou cancelamento – Diante do agravamento das crises funcionais e econômicas, os motoristas reconhecem que manobras operacionais estão sendo adotadas pelos motoristas como forma de garantir a aquisição de corridas mais longas, e, sendo assim, mais vantajosas. Compartilhando com as declarações de Igor, o também desempregado, Júlio Nogueira, revelou que logo após o aplicativo apresentar o percurso a ser traçado, a depender da demanda de clientes na região, o cancelamento dessa corrida é imediatamente processado pelo condutor. Questionado sobre a não aprovação desse tipo conduta por parte dos passageiros, Júlio reconhece o transtorno, mas enaltece a necessidade em buscar por maior faturamento diário.
"Já tive o desprazer de receber uma passageira revoltada porque outros cinco colegas meus haviam cancelado a corrida dela; realmente é chato, concordo com ela, mas assumo que também já fiz, e faço isso. Infelizmente a gente deixa alguns passageiros com corridas mais curtas, esperando um pouco mais para que a gente pegue corridas mais longas. Isso acontece muito e não sei quando essa situação deve melhorar", declarou o motorista que completou dizendo: "ou as empresas aumentam as tarifas e repassam maior lucratividade para nós motoristas, ou essa situação vai permanecer por muito tempo. Acreditar que a Petrobras vai baixar o valor da gasolina é querer sonhar demais."

