Gabriel Damásio
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Dois policiais militares se envolveram em uma brincadeira que quase terminou em tragédia na noite desta sexta-feira, em um condomínio na rua Espírito Santo, bairro Siqueira Campos (zona oeste da capital). Por volta das 22h30, um aluno do Curso de Formação de Soldados (CFSd), identificado como Júnior, levou um tiro de pistola calibre 40 no peito. O disparo foi dado pelo soldado Gomes, do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), que estava na porta do condomínio aguardando a esposa. Segundo informações confirmadas pelo comando da Polícia Militar, Júnior passou pelo local em uma moto, estava armado com um revólver calibre 38 e teria sacado a arma para dar um susto no colega.
O porta-voz da PM, tenente-coronel Paulo César Paiva, informou que Júnior estava na garupa da motocicleta, acompanhado por outro aluno do CFSd, de prenome Markezin, e que ambos usavam capacetes no momento do incidente. "O Júnior ao desembarcar, sacou a arma e o policial Gomes, que estava esperando a esposa na porta, interpretou isso como um assalto e disparou a pistola contra ele. O Markezin, no momento, colocou as mãos na cabeça e disse que era policial. Testemunhas relatam que o Júnior caiu e disse que era uma brincadeira", relatou Paiva.
O aluno Júnior foi atingido no lado direito do peito, entre o mamilo e a clavícula, e perdeu muito sangue pelo ferimento. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou ao local e, após estancar a hemorragia, levou o rapaz para a Ala Vermelha do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). De acordo com a PM, o paciente recebeu transfusão de sangue e teve melhora no estado de saúde ao longo da madrugada, mas até o fechamento desta edição, os médicos ainda avaliavam a necessidade de realização de uma cirurgia.
Mesmo internado, Júnior vai responder a um processo administrativo. Paiva informou que a Corregedoria da PM autuou o aluno em flagrante pelo crime de porte ilegal de arma. "Foi pelo fato de ele estar irregularmente armado, já que ele não poderia estar com a arma sem ser em serviço. Essa turma nova que está fazendo curso no CFAP [Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças] já está habilitada, capacitada a atirar com o revólver calibre 38, mas há uma determinação expressa para que eles só portem a arma em serviço e no trajeto residência/trabalho, trabalho/residência. E o aluno Júnior estava irregularmente armado, já que ele estava voltando de um jantar com o colega", esclareceu o porta-voz.
O soldado Gomes, por sua vez, prestou depoimento e foi liberado, pois a Corregedoria entendeu que ele agiu em legítima defesa. Ele tem 24 anos e se formou soldado da PM na turma de janeiro deste ano. Além da prisão em flagrante de Júnior, que é potiguar e tem 26 anos, um Inquérito Policial Militar foi instaurado para apurar todas as circunstâncias do episódio. Por se tratar de um crime militar, o caso não terá o envolvimento da Polícia Civil e será encaminhado para a Auditoria Militar do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE).


