Milton Alves Júnior
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Após a retirada dos comerciantes das praças Camerino e Tobias Barreto, no Centro, os vendedores de frutas e hortaliças que trabalham há mais de 15 anos nas intermediações do Terminal Rodoviário Luiz Garcia, no Centro de Aracaju, podem ser forçados a sair de seus locais de trabalho. A medida, que é paliativa, foi adotada pela Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) e deve permanecer até que a obra de revitalização na região seja realizada e concluída pelo Governo do Estado. Divergindo em suas opiniões, muitos torcem para que a obra do Estado e a decisão da Prefeitura de Aracaju (PMA) possam proporcionar melhorias. Já outros temem uma saída em definitivo.
Vendedor de amendoim e caldo de cana há quase duas décadas, o itabaianense Luiz Carlos alega que, após a polêmica envolvendo os vendedores das duas praças ainda em reforma, os comerciantes estão com receio de deixar o local e não poderem retornar às atividades. De acordo com ele, mais de 40 famílias dependem exclusivamente desses pontos comerciais para se sustentar durante todo o mês.
"A gente até que concorda com as promessas, mas claro que estamos com um pé atrás. Vá que a gente seja expulso de vez. E aí? Como vai ficar nossa vida? É preciso que essa história aí seja melhor detalhada. O que não queremos é ficar sem trabalhar", declarou Carlos. Já a vendedora de lanches Josilene dos Santos disse estar esperançosa pela medida apresentada pelos governos, mas torce para que nenhum vendedor seja obrigado a realizar as respectivas vendas em outro local. Para Josilene, a perspectiva é que bons lucros possam ser conquistados no futuro.
A fim de tranquilizar os trabalhadores, a Emsurb garantiu que a mudança tem como principal objetivo evitar o aumento do número de ambulantes na localidade, além de impedir aglomerações durante o expediente do centro comercial. Funcionários da própria Emsurb estão orientando os vendedores para que trabalhem no local a partir das 17h, horário em que grande parte das lojas e empresas começam a encerrar o expediente. Além das frutas e verduras, o leque de produtos comercializados nas proximidades da rodoviária vai além do setor alimentício. Nas barracas é possível encontrar pilhas, acessórios para celular, guarda chuva, calçados, entre outros.
A verba para a execução do projeto de revitalização do Terminal Luiz Garcia é de R$ 6,5 milhões e foi liberada em mês de outubro do ano passado, através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A planta do projeto apresenta uma reforma geral de toda a área da Praça João XXIII, onde o terminal foi construído em 1962.
Durante as obras, os ônibus que fazem as linhas intermunicipais no Luiz Garcia serão transferidos para o Terminal Rodoviário José Rollemberg Leite, a "Rodoviária Nova", no Capucho (zona oeste). Já quanto aos vendedores ambulantes, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano (Sedurb) declarou que eles serão transferidos para outra área, enquanto as obras estiverem em andamento. Ao lado do Luiz Garcia, está o Terminal de Integração Fernando Sávio, administrado pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) e também com reforma prevista para este semestre.


