Milton Alves Júnior
Impedidos judicialmente de permanecer trabalhando nos entornos do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), em Aracaju, muitos vendedores ambulantes deixaram o espaço público na tarde de ontem com a sensação de abandono por parte do poder público municipal. As lamentações ficam por conta da Prefeitura de Aracaju, que, por meio da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), decidiu solicitar junto ao Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (Huse), o fim do comércio autônomo, realizado por pelo menos 20 anos. Sobre a decisão, a administração municipal informou apenas que inviabilidade do trabalho atende a uma medida que será estendida a outros pontos da capital.
O comércio de refeições, bebidas e lanches, era desfrutado por pacientes e acompanhantes que seguiam ao maior hospital público do estado em busca de atendimento de baixa ou alta complexidade. De acordo com o vendedor Marci da Cruz, desde o mês passado a Prefeitura de Aracaju tem buscado minimizar as atividades dos comerciantes, mesmo diante da vontade de pagar impostos com a promessa de permanecerem no local. Se mostrando preocupado com o futuro familiar, o qual já começou na madrugada de hoje, ele espera que o prefeito Edvaldo Nogueira possa se sensibilizar com o pleito dos vendedores e decida suspender a liminar.
“Na semana passada recebemos uma ordem que deveríamos sair daqui em 72 horas sob a ameaça de reintegração de posse do espaço com o uso da força. Infelizmente esse é o preço daqueles que trabalham com responsabilidade e ética para sustentar a família. Não queremos nada além da permissão de continuar sustentando os nossos filhos através das vendas que saem daqui. Pedimos ao prefeito que por favor olhe com mais delicadeza às nossas necessidades”, declarou.
Além dos ambulantes, também estão na mira da Emsurb os ambulantes que atuam nas intermediações do antigo Hotel Palace, do Instituto Nacional de Sistema Social (INSS), e do Terminal Rodoviária Governador Luis Garcia – Rodoviária Velha. Na opinião do presidente da Associação dos Autônomos e Ambulantes do Estado de Sergipe, Genilson Souza, faltam ações democráticas por parte dos gestores municipais. "Estamos preocupados com o futuro de centenas de famílias que dependem com exclusividade desse tipo de venda. Infelizmente, mesmo com as vendas baixas, mas com a esperança de não sermos despejados, estamos dispostos a pagar impostos", informou.
A direção da Emsurb alegou que todas essas mudanças tem como perspectiva reorganizar o comércio promovido pelos ambulantes na capital sergipana. O órgão não sabe informar quantos vendedores atuam nesse modelo de mercado, nem quantos devem receber a liberação temporária para continuar com o serviço. A perspectiva da prefeitura é que, com a realização desse remanejamento administrativo, seja possível monitorar e fiscalizar o movimento financeiro de forma mais versátil.


