Como forma de lembrar a passagem dos 10 anos da Lei Maria da Penha, a deputada estadual Ana Lúcia destacou na segunda-feira a importância deste instrumento legal de enfrentamento à violência de gênero. "O que nós queremos é desnaturalizar a violência contra a mulher", apontou.
Sancionada no governo Lula, lembrou Ana Lúcia, a Lei é fruto de mais de um século de luta das mulheres. Para a deputada, a Lei Maria da Penha apresenta um grande avanço pois, como instrumento legal, empoderou e encorajou as mulheres a denunciarem a violência sofrida. "Em 2006, havia duas condenações desta natureza. Em 2014, foram mais de duas mil condenações de agressores em Sergipe", destacou, apontando que outro avanço trazido pela legislação é a inclusão e tipificação de vários tipos de violência contra a mulher realizada no âmbito familiar: física, psicológica, sexual e material.
Por outro lado, Ana Lúcia chamou a atenção para a necessidade de fortalecer, de forma articulada, as medidas protetivas previstas na Lei. "Quando a mulher passa a ser protegida, ela passa a ser recapacitada para o reingresso no mundo do trabalho. A vítima precisa resignificar sua vida", apontou, lamentando o fato de que, dos mais de cinco mil municípios brasileiros, apenas 28 tem policiais preparadas para efetuar as medidas protetivas.
A deputada repudiou as tentativas de alterar e enfraquecer a Lei Maria da Penha. Uma delas é o Projeto de Lei 07/2016, que prevê que as medidas protetivas hoje previstas pela legislação passem a ser efetivadas pelos militares. Atualmente, as medidas de proteção às vítimas – sejam elas judiciais, socioassistenciais, de saúde, etc – são aplicadas e forma integrada e articulada por diversas políticas, por meio da Casa da Mulher Brasileira, um espaço que agrega todos os serviços necessários para o atendimento à vítima de violência num só lugar.
O segundo Projeto de Lei que representa um retrocesso propõe substituir na Lei o termo "gênero" na Lei Maria da Penha pela palavra "mulher", excluindo assim transexuais e transgêneros da proteção concedida a eles pela legislação, considerada avançada, entre outros aspectos, justamente por considerar que a violência de gênero é também uma realidade entre as famílias LGBTs. "A justiça brasileira já reconheceu e já deu ganho de causa a transexuais e transgêneros que foram agredidas no espaço doméstico, protegidas pela Lei Maria da Penha. Nós não podemos deixar que isso aconteça", conclamou.


