Um relatório lançado pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM – órgão da ONU) trouxe dados preocupantes sobre o clima em Sergipe. O documento prevê que 2014 encerre como o ano mais quente já registrado no planeta, com temperaturas 0.5° C mais altas do que a média. De acordo com a Organização, o aumento dos termômetros, que pode superar 2 graus centígrados até 2050, deve gerar secas mais intensas e prolongadas para Sergipe. Entre os fatores que podem influenciar esse quadro, o relatório aponta a diminuição dos índices pluviométricos, a queda de cobertura de vegetação nativa e o aumento do uso das terras para agricultura.
Neste cenário, uma das principais alternativas de convivência com a estiagem são as cisternas de polietileno. No Estado de Sergipe, foram mais de 4 mil cisternas distribuídas em 20 municípios, beneficiando mais de 20 mil moradores. Os reservatórios permitem o armazenamento de 16 mil litros de água, o suficiente para abastecer uma família de 4 a 5 pessoas até nove meses, considerando o consumo básico de beber, cozinhar e fazer higiene de crianças.
Entre as cidades com a presença de reservatórios está Propriá, localizada a 101 km de Aracaju. No Sítio Cágado, zona rural do município, vivem a aposentada Maria Rita da Silva, 73 anos, e a filha Maria Elze da Silva, 53. Morando há mais de 10 anos na localidade, elas precisaram deixar o Sítio em busca de uma vida melhor na cidade e agora retomam ao lugar de origem. "É muito bom voltar pra casa. A seca quando vem acaba com tudo. Eu tinha umas plantações, mas ela destruiu. Eu já carreguei até garrafa PET com água para colocar em casa, já que eu não podia carregar peso", contou dona Elze. A agricultora Maria de Fátima dos Santos Gomes, 60, também comemora. "Eu carregava água da cidade. Era uma dificuldade muito grande e agora todo mundo tem cisterna com água em casa. E ainda mais com essas chuvas que têm ajudado demais a gente. A água da cisterna é água da chuva e serve pra tudo: beber, cozinhar, pra fazer as coisas de casa. Eu mesmo estou até preparando meu roçado pra plantar que esse ano, se Deus quiser, tudo vai ser diferente, e pra melhor", disse, confiante.
De acordo com a Acqualimp, uma das fornecedoras das cisternas de polietileno no País, o material utilizado na fabricação dos reservatórios é adequado à região. "Essa é uma tecnologia consolidada internacionalmente e utilizada há mais de duas décadas em países com temperaturas semelhantes ou até mais críticas que as encontradas no Nordeste brasileiro. O polietileno, por sua elasticidade, impede que os tanques apresentem fissuras e trincas. Desta forma, preserva a qualidade da água armazenada e proporciona benefícios para a saúde da população atendida", explicou Amauri Ramos, diretor da companhia. "Além disso, a manutenção de uma cisterna de polietileno é de baixíssimo custo, necessitando apenas de limpeza interna uma vez por ano, a qual pode ser feita normalmente pelo próprio beneficiado", concluiu Ramos.


