Chico Freire
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Depois de perder a eleição municipal deste ano, no primeiro turno, para o ex-governador João Alves Filho (DEM), o deputado federal Valadares Filho (PSB) faz uma avaliação positiva do pleito, no qual conquistou cerca de 114 mil votos, e promete uma oposição dura, mas construtiva e não torcendo para o "quanto pior, melhor". O candidato derrotado se coloca à disposição do prefeito eleito para ajudá-lo naquilo que for necessário em Brasília, mas avisa que vai cobrar dele o cumprimento das promessas de campanha.
Valadares Filho também acredita que o grupo liderado pelo governador Marcelo Déda (PT) continuará unido até as eleições de 2014 para o governo do Estado. Segundo ele, a maior prova disso tem sido os contatos constantes com as lideranças partidárias, deputados, prefeitos, vereadores e lideranças políticas. Leia a integra da entrevista:
JORNAL DO DIA – Passado o processo eleitoral, qual a avaliação que o senhor faz do pleito?
Valadares Filho – Apesar de não termos tido o resultado desejado, que seria a vitória, sai desse pleito extremamente feliz. Eu, particularmente, estou em paz com a minha consciência, certo de que travei um bom debate, de que mostrei à sociedade aracajuana aquilo que eu pensava para o futuro da cidade. Percorri todos os bairros de Aracaju e foi uma grande oportunidade de conhecer mais de perto os problemas da capital, de apontar as soluções para esses problemas. Enfim, foi o momento mais feliz da minha vida pública.
JD – Existia dentro do grupo a expectativa de um segundo turno, o que acabou não ocorrendo. Houve erro na campanha?
Valadares – Nesse momento, fazer um panorama de onde se errou não vale a pena e não vamos ganhar nada com isso. Agora é o momento de olhar para o futuro e planejar aquilo que pensamos para o amanhã. Esse é o momento de não só demonstrar a sociedade que estamos em paz com a nossa consciência, como também de agradecer ao povo aracajuano pelos 114 mil votos, agradecer a todos os aliados que participaram da nossa campanha, aos partidos políticos, aos candidatos a vereador, a militância partidária, as lideranças comunitárias e também agradecer a Deus que me deu forças para ter essa caminhada e me dar cada vez mais estimulo para continuar nas ruas de Aracaju.
JD – As pesquisas sempre demonstraram que a eleição seria decidida no primeiro turno. A vitória do ex-governador João Alves Filho foi subestimada?
Valadares – Não. Nós lutamos até o final e a campanha foi disputada nós últimos 15 dias. Você veja que a diferença de João Alves para mim foi uma diferença pequena, faltaram 8 mil votos para ter um segundo turno. Se João tem menos de 8 mil votos, nós teríamos segundo turno em Aracaju. Foi uma eleição disputada e nós sabíamos que seria uma eleição dura e enfrentamos um adversário que foi governador por três vezes, que foi ministro de Estado, quem foi prefeito da Capital, que tem serviços prestados na cidade. Então nós sabíamos da dificuldade da eleição e o que nos deixa feliz e contente é que travamos um bom debate e disputamos a eleição. João Alves não teve uma vitória consagradora. Ele teve uma vitória legitima, mas disputada. A eleição foi acirrada e nós temos a consciência que prestamos um bom papel para isso.
JD – Essa pedra foi cantada em 2010, quando o grupo liderado pelo governador Marcelo Déda perdeu a eleição para o governo em Aracaju. Ele disse na ocasião que havia entendido o resultado das urnas, mas perdeu a eleição para prefeito. Onde faltou esse entendimento?
Valadares – Esse momento, como eu falei, é de olhar para frente e fazermos avaliação do resultado de 2012. Nosso agrupamento liderado pelo governador Déda, pelo vice-governador Jackson Barreto, pelo senador Antônio Carlos Valadares, pelo prefeito Edvaldo Nogueira, pelos partidos aliados, todos nós estamos cada vez mais juntos e avaliando aquilo que foi a eleição de 2012 não só em Aracaju, como também no interior do estado e nós preparamos para 2014 e focarmos nesse momento os nossos trabalhos. Eu como deputado federal, Valadares como senador, o governo em exercício continuar fazendo o estado andar como está fazendo, ou seja, é o nosso grupo focar no trabalho e também permanecer unido se preparando politicamente para 2014.
JD – O senhor disse ter perdido a eleição por cerca de 8 mil votos. Em agosto, o candidato Almeida Lima, havia jogado a toalha. Faltou naquele momento a percepção de que o candidato estava pedindo socorro e de buscar esse entendimento para levar a eleição para o segundo turno?
Valadares – Não é que tenha faltado percepção. É que Almeida era adversário nosso e a gente não podia de forma alguma se intrometer em uma decisão pessoal, e não cabia a gente procurá-lo para que tomasse uma decisão diferente para vir nos apoiar, foi uma decisão pessoal. O que fizemos foi correr atrás para chegarmos juntos do prefeito eleito como chegamos para que não houvesse um prejuízo maior que era ter o segundo turno, infelizmente aconteceu.
JD – A eleição de 2012 teve como foco principal as eleições de 2014. Existem discussões internas para um futuro entendimento com o prefeito eleito João Alves Filho para as eleições de 2014?
Valadares – Não, nesse momento existe o nosso grupo, que foi para as ruas de Aracaju para a eleição de 2012, e é esse o grupo liderado pelo governador Marcelo Déda, que continua unido não só por Sergipe, por Aracaju, pelo Brasil, mas unido também para o pleito de 2014. Esse é o grupo do qual nós pertencemos, esse é o grupo do qual nós temos de forma concreta hoje uma aliança.
JD – Como vai ser o comportamento da bancada de oposição na Câmara de Vereadores, a partir de 1º de janeiro de 2013?
Valadares – Em relação à bancada do PSB, que é a que posso falar, diretamente nós teremos uma oposição construtiva, serena, torcendo para que o futuro prefeito faça uma boa gestão, porque quem ganha com isso é o povo aracajuano. Mas estaremos de perto fiscalizando, com a mesma serenidade, todas as suas promessas de campanha, ou seja, aquilo que dito no pleito eleitoral e que ele (João Alves) possa cumprir. Estaremos fiscalizando, não só a nossa bancada, mais também, eu como deputado federal cabe a mim fazer essa fiscalização até porque o povo me delegou isso, diante da votação expressiva que tive. Me delegaram para que fizéssemos essa fiscalização construtiva. Não faremos oposição por oposição, mas oposição que venha a contribuir com o futuro da cidade.
JD – O PSB fez dois vereadores, Lucas Aribé e Max Prejuízo. Max teve também o apoio do radialista Gilmar Carvalho, que é ligado ao grupo dos irmãos Amorim. Nos momentos decisivos, o Max vai seguir a orientação do PSB ou dos Amorim?
Valadares – Ele vai seguir a linha do PSB, porque ele mesmo publicamente já disse isso, que os lideres dele são o senador Antônio Carlos Valadares e o deputado federal Valadares Filho. Ele segue a linha do PSB e que vai ser um grande vereador, fará um grande mandato e teve uma eleição merecida pela sua historia, pela sua luta, e eu não tenho duvidas que ele irá representar muito bem o PSB.
JD – O senhor acredita que esse grupo liderado pelo governador Marcelo Déda se mantenha coeso até as eleições de 2014?
Valadares – Com certeza. Nós estamos conversando permanentemente. Já tive depois das eleições contato com todas as lideranças, já conversei com o vice-governador Jackson Barreto, por telefone com o governador Marcelo Déda, com o prefeito Edvaldo Nogueira, com os deputados federais Rogério Carvalho e Márcio Macedo, com os partidos aliados, enfim. O nosso bloco é um bloco que conversa permanentemente, e nesse momento estamos focados no trabalho, no trabalho por Sergipe, por Aracaju, e lá no Congresso nós representantes desse grupo lutando pelo estado e pelo Brasil.
JD – Depois que o PT liderado pelo governador Marcelo Déda chegou ao Poder, especificamente à Prefeitura de Aracaju, a esquerda foi derrotada nas urnas em 2010, quando perdeu a eleição para o governo do Estado na Grande Aracaju, e em 2012, quando perdeu a eleição para a Prefeitura. Foram as duas piores derrotas desde a redemocratização do Brasil. A que o senhor atribui essas derrotas?
Valadares – Essa é uma avaliação que nós vamos fazer internamente e que já estamos fazendo. Agora, nós temos que reconhecer uma coisa: esse agrupamento político tem serviços prestados em Aracaju, fez grandes obras na capital, mudou a face da nossa querida cidade, e eu não tenho duvidas que num futuro mais próximo o povo irá reconhecer ainda mais o que foi feito por esse agrupamento político na nossa capital.
Obras foram feitas, os servidores foram valorizados, a cidade está organizada, esta mais bonita, está mais limpa, avanços foram concretizados através desse agrupamento político. Vamos avaliar o que houve e corrigir algumas falhas que foram cometidas. (Com Gabriel Damásio)

