Após encontro com Jackson, Polícia Civil suspende greve

Gabriel Damásio

Os servidores da Polícia Civil e da Coordenadoria Geral de Perícias (Cogerp) decidiram ontem, ao fim da tarde, suspender a greve da categoria, que durou exatos sete dias. Com isso, os trabalhos das delegacias e dos institutos periciais – incluindo o Instituto Médico-Legal (IML) – voltarão ao normal a partir das 7h de hoje. A decisão foi tomada durante uma assembleia na Academia de Polícia Civil (Acadepol), com a participação de mais de 300 pessoas. A suspensão durará 30 dias, que foi o prazo dado pelo governador Jackson Barreto para que os técnicos do governo estudem a pauta de reivindicações dos policiais.

Jackson recebeu uma comissão do Sindicato dos Policiais Civis de Sergipe (Sinpol) em uma reunião no Palácio de Veraneio, na qual a situação foi discutida por cerca de duas horas, a portas fechadas. Ele decidiu sobre alguns pontos da pauta dos servidores – e prometeu estudar os outros pedidos. Segundo o presidente da entidade, Antônio Moraes, será realizada uma mobilização dos servidores por semana, com cafés da manhã servidos à categoria em frente a unidades da Civil e da Cogerp. "Nós também teremos outras reuniões com os secretários e os técnicos, para justamente acompanhar estes estudos. E passando os 30 dias, vamos fazer uma nova assembleia para ver se o governo avançou nas nossas propostas", disse ele.
O sindicalista considerou que a audiência com o governador foi positiva, pois "ele teve a oportunidade de perceber pessoalmente as nossas reivindicações e pediu tempo para que ele nos apresente uma proposta". Segundo Moraes, a greve também pode ser considerada positiva. "Ela mostrou também que os servidores da segurança pública também tem força através da mobilização. Da mesma forma que agimos nestes sete dias de greve, voltaremos a atuar com mais força se o governo não contemplar os nossos pedidos", avisou ele.

Entre as garantias dadas pelo governador, está a manutenção dos servidores atuais da Cogerp, que têm mais de 25 anos de carreira e haviam sido cedidos por outras repartições à Secretaria da Segurança Pública (SSP). O temor da categoria é de que, com o concurso público lançado neste mês, tais servidores fossem devolvidos aos órgãos de origem. "Eu assegurei que eles permanecerão onde estão hoje, ninguém será afastado. Para isso, faremos um projeto de lei que garantirá a segurança de que eles permanecerão onde estão trabalhando", afirmou o governador, afirmando também que o enquadramento de alguns servidores da SSP que exercem funções peculiares, também apresentado na pauta, será alvo de um estudo das implicações legais e impacto financeiro que isto representa à luz da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

O estudo também foi solicitado para outros pedidos: a definição do plano de carreira e o pagamento do reajuste linear dos servidores e das revisões salariais entre 2008 e 2011. Jackson esclareceu que o reajuste e o plano a ser oferecido para todos os servidores públicos também vão contemplar os servidores da Cogerp. "O governo tem responsabilidade e concederá o reajuste linear para o conjunto dos servidores. Coloquei, de forma clara, que o nosso compromisso nesse momento é com o conjunto dos servidores representados pelo Sintrase, que não foi beneficiado nos vários momentos em que servidores contaram com aumentos e concessão de vantagens", pontuou o governador, o que foi compreendido pelos representantes do Sinpol.

Outro ponto debatido foi a adoção da promoção automática, semelhante à proposta apresentada pela Associação dos Delegados de Polícia de Sergipe (Adepol). "Esta é mais uma proposta que vamos estudar e analisar, assegurando que não haverá diferenciação entre as categorias dos delegados e dos escrivães e agentes. O Governo vê ambas as representações como servidores do Estado com direitos plenamente iguais", destacou o governador, procurando aliviar a relação tensa entre as classes da Civil, que já trocaram acusações de recebimento de privilégios do governo em alguns momentos.
A audiência no Veraneio teve a participação dos secretários de Segurança Pública (João Eloy de Menezes), Planejamento, Orçamento e Gestão (João Augusto Gama), Governo (Benedito Figueiredo), Casa Civil (José Macedo Sobral) e Fazenda (Jeferson Passos). Do lado de fora, outros 200 servidores em greve faziam uma vigília aguardando os resultados da audiência. (com ASN)

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