Milton Alves Júnior
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Garis e Margaridas continuam de braços cruzados por tempo indeterminado em cidades da Grande Aracaju. No início da noite de ontem foi realizada a primeira rodada de negociação entre grevistas, diretores da Torre, da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), e da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), mas membros do Sindicato dos Empregados da Limpeza Pública e Comercial do Estado de Sergipe (Sindelimp) garantem que a interrupção dos serviços públicos permanecem. Desde as 0h de ontem mais de 1.200 funcionários de limpeza pública interromperam as atividades em busca de reajuste salarial orçado em 15%. Este aumento significa um salário mensal de R$ 879.
Minutos antes de iniciar os diálogos o presidente do Sindelimpe conversou com o JORNAL DO DIA e lamentou a disposição para abertura de negociações apenas após a deflagração de greve geral por parte dos trabalhadores que não são beneficiados com reajustes salariais desde o ano de 2005. Sem perspectiva de suspensão da greve, Rayvanderson Fernandes informou que, além do aumento salarial, a categoria exige a concessão de plano de saúde, auxílio alimentação no valor de R$ 18 por dia, pontos de apoio para atender aos profissionais durante a jornada de trabalho e auxílio creche no valor de R$ 200. Estes são os pré-requisitos básicos para que os profissionais possam, em assembleia, decidir se permanecem ou acabam com o ato.
Está prevista para a manhã de hoje uma assembleia extraordinária, em Aracaju, onde os trabalhadores devem analisar as contras propostas apresentadas na noite de ontem pelos gestores. O resultado final da assembleia será apresentado em primeira mão para a SRTE e para os meios de comunicação. "Venho reafirmando que eu não sou o sindicato, muito menos a categoria. Não posso decidi nada pelos trabalhadores, então, apenas posso confirmar que a greve continua nesta quinta e pode ser cessada caso hoje nesta manhã os sindicalistas decidam aceitar as propostas apresentadas em reunião. É preciso perseverança nesse momento para que os nossos benefícios sejam repassados da forma que temos direito. Essa é a regra básica para um possível entendimento", afirmou.
Confirmando a realização do ato grevista, um grupo de aproximadamente 350 pessoas interditou na manhã de ontem parte do trânsito da Avenida Heráclito Guimarães Rollemberg, sentido DIA – Augusto Franco. Em posse de faixas, cartazes e frases de ordem, os manifestantes tentavam chamar a atenção dos aracajuanos para que se unissem ao pleito da categoria.
Mobilizações públicas também foram realizadas em bairros como: Centro, onde foi realizada uma passeata pelo calçadão da João Pessoa, Cirurgia, Getúlio Vargas, Siqueira Campos e América. Ainda segundo o presidente do Sindelimp, o objetivo dos atos não é causar impasses para os motoristas, motoqueiros e pedestres, mas sim, chamar a atenção para a falta de compromisso constitucional articulado todos os anos contra os garis e margaridas.
"A partir do momento que os nossos direitos forem respeitados pela administração municipal ou por uma das seis empresas que constam irregularidades, em especial, a Torre, esse tipo de movimento nunca visto em Aracaju não mais será registrado. Pedimos o apoio dos sergipanos em geral para pressionar o poder público para investigar esse tipo de conduta irregular junto aos trabalhadores que exercem funções duras todos os dias e deixam as cidades limpas", disse. Enquanto os acordos não são firmados e o efetivo operacional é reduzido, milhares de casas permanecem aglomerando sacolas de lixos; terrenos viram depósito de resíduos domésticos e a proliferação de roedores e escorpiões aumenta. O conjunto desses descasos geram doenças e preocupações aos contribuintes.
Nos arredores do tradicional Centro de Criatividade, bairro Getúlio Vargas, a sensação registrada na tarde de ontem já era de abandono. De acordo com os moradores, apesar de a greve ter sido iniciada na madrugada de ontem, o serviço de coleta vem registrando deficit desde a segunda quinzena de dezembro. Para a costureira Henilma Aragão, o acúmulo de lixo na região espanta os clientes e interfere na renda mensal da família. "Desse jeito não tem condições. De quem é a culpa agora? Dos empresários ou da prefeitura? Alguma coisa tem que ser feita com urgência porque ninguém mais aguenta esse odor todo e o nosso lucro já começou a cair porque ninguém que fechar contrato em um estabelecimento cercado de lixo", lamentou.
Com a paralisação da categoria, cerca de 20 toneladas de lixo deixaram de ser recolhidas das ruas e avenidas nos municípios de Aracaju, Laranjeiras e Nossa Senhora do Socorro.
Empresa – De acordo com a direção da Torre, responsável pela limpeza pública de Aracaju, 30% do efetivo trabalhista permanece trabalhando normalmente para tentar minimizar os problemas gerados pelos grevistas. Segundo explicações de José Carlos Dias, diretor de contratos da Torre, o problema atual é político, na qual lideranças da categoria tentam assumir a direção sindical dos trabalhadores através de um novo grupo. "Já entramos com uma liminar na justiça para inviabilizar essa greve. O que foi debatido em 2012 com o sindicato vem sendo cumprido. O problema não é com a Torre", declarou.
Inconformado com as declarações do diretor da Torre, o Sindelimp rebateu as críticas. "São por esses e outros motivos que a categoria, em mais 65% – respeitando os 30% da constituição – aderiram a greve. Infelizmente a forma de administrar deles é assim, com autoritarismo e por isso estamos nas ruas dizendo que a ditadura já passou. Estamos de braços cruzados em busca dos nossos direitos como cidadão trabalhador, e não por intriga besta de liderança sindical", pontuou Rayvanderson.
Reunião – Durante a noite de ontem o JORNAL DO DIA acompanhou o diálogo interno entre trabalhadores, Prefeitura de Aracaju e representantes do setor empresarial. Até o fechamento desta matéria, por volta das 20h30, nenhum resultado foi apresentado. A assembleia programada para a manhã de hoje está prevista para começar a partir das 9h.
A Prefeitura de Aracaju não se manifestou sobre a greve dos lixeiros.


