Aracaju pode sofrer desabastecimento de comida

Kátia Oliveira

Gestores da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) estiveram na manhã de ontem nos mercados centrais da capital para realização de um relatório que norteará a aplicação de medidas de reestruturação do espaço como adequação às necessidades apresentadas pelo Ministério Público Estadual em Ação Civil Pública pedindo a intervenção do local.

Durante a visita, os gestores da Emsurb informaram que os mercados municipais e feiras livres administrados pelo órgão irão receber melhorias a médio e a longo prazos. Uma equipe da Emsurb formada pela gerente de Abastecimento do órgão, Silvana Gomes, e pelo diretor de espaços Urbanos, Antônio Pereira, ouviu comerciantes e frequentadores dos Mercados Thales Ferraz, Albano Franco e Antônio Franco.  

"Estamos verificando as medidas mais urgentes para evitar a interdição dos mercados. Nossa preocupação maior é com a qualidade do serviço ofertado à população e com o desabastecimento, considerando que os mercados representam grande importância comercial para os frequentadores e feirantes. Inicialmente, vamos tentar mapear o problema para que depois possamos intervir. Somente a partir do relatório poderá ser feito um projeto de medidas emergenciais e outro para reformas estruturantes", informou Silvana Gomes.

Ela lembra que os mercados possuem cerca de 2 mil feirantes que sobrevivem diretamente deste tipo de comércio. Na avaliação da gestora, a ação do MPE vem se somar aos esforços da prefeitura no enfrentamento de problemas que precisam ser sanados nos mercados e feiras livres de Aracaju.

Sobre a higienização dos mercados, Silvana Gomes informou que a limpeza é feita diariamente nos setores de carne e peixe e uma vez por semana em outras áreas do espaço, mas admitiu que existem dificuldades do órgão em relação a limpeza das bancas pelos feirantes. "Por esta razão, estamos planejando campanhas educativas com os comerciantes para que ajudem na higienização e cuidado dos espaços", mencionou.

Em relação a equipamentos de segurança, ela informou que a Emsurb possui hidrantes e extintores no espaço, e que o órgão está providenciando a atualização do plano de segurança no local. Já a ausência de licença ambiental está sendo verificada pelo setor jurídico do órgão.
De acordo com a Ação Civil Pública, a Emsurb informou que não há projeto executivo de reestruturação ou reforma para o Thales Ferraz, Albano Franco, nem tampouco para o Antônio Franco.

Comerciantes – A notícia de uma possível intervenção nos mercados Thales Ferraz, Albano Franco e Antônio Franco foi recebida com temor e apreensão por parte dos comerciantes.
"Aqui é o nosso principal ganha pão", diz Lúcia dos Santos. Ela conta que toda a família sobrevive do comércio no Thales Ferraz, onde vende peixes há mais de três décadas.

Outros comerciantes também preveem dias difíceis, caso se confirme o fechamento da área, embora entendam a decisão da justiça. Eles reconhecem que os mercados precisam de melhoria na limpeza, iluminação e segurança.

"Aqui todo mundo paga imposto e também quer a melhoria do espaço, mas isso não pode ser feito da noite para o dia", diz o comerciante José Fagundes.
Maria Lúcia lembra que a falta de higiene na comercialização de produtos é um problema provocado pela própria estrutura do local, que precisa passar por reformas para melhorar a refrigeração de carnes e peixes e a higienização das bancas. Ela também acredita que a participação dos feirantes é importante, já que se trata de perda de lucros e coloca em risco a saúde da população consumidora. Ela também teme que haja um incêndio por causa das instalações elétricas precárias.

Já a feirante Maria Zenaide de Jesus Gomes recebeu a noticia como surpresa. "Com a limpeza geral do ano passado nas bancas, gastei R$ 7,5 mil para deixar meus balcões conforme a norma e ainda não acredito que existe a possibilidade de ter que sair daqui. Se o mercado tiver que ser interditado não tem lugar aqui pelo Centro que caiba tantos comerciantes, não sei como vai ser se isso acontecer", desabafa.

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