Gabriel Damásio
A manhã de ontem foi violenta na zona norte de Aracaju, com quatro homens assassinados a tiros em dois crimes ocorridos em um intervalo quase três horas. A primeira ocorrência deu-se por volta das 6h de ontem no Loteamento Rio Palame, bairro Soledade, onde três homens armados executaram os irmãos alagoanos Nilton César Ramos, 41 anos e Gervásio Ramos, 40. O segundo caso, às 8h30, foi no loteamento Jardim Petrópolis, bairro Cidade Nova, onde outra dupla de bandidos atirou contra outros dois rapazes, causando a morte de Vitor Hugo da Fonseca Santos, 20, e de Adson Mateus dos Santos, 21, que levou um tiro no rosto e chegou a ser socorrido, mas morreu no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse).
No primeiro caso, dois primos das vítimas também foram rendidos pelos matadores, mas um deles conseguiu fugir correndo para um matagal e o outro foi poupado. Todos pertencem a uma família de ciganos que é de Penedo (AL). O crime foi presenciado por vários parentes das vítimas, que chegaram recentemente a Aracaju e moravam em duas casas alugadas e vizinhas. Todos tomavam o café da manhã na hora em que o crime aconteceu.
Segundo as primeiras informações de testemunhas, o trio de atiradores estava de carro, mas parou em uma rua próxima e caminhou por quase duas quadras, até a residência dos ciganos. Quando lá chegaram, os bandidos sacaram suas pistolas, de calibres .40 e 380, e exibiram uma algema, identificando-se como supostos policiais e gritando contra os ciganos que estavam sentados na porta de uma das casas. Nilton, Gervásio e o primo deles foram então rendidos, agredidos e obrigados a deitar no chão. Uma das vítimas chegou a levar um chute na cabeça e nenhum objeto foi roubado. Toda a ação durou poucos segundos, até o instante em que os criminosos começaram a atirar.
Nilton e Gervásio morreram na hora, atingidos no peito e no rosto. Os criminosos fugiram correndo até o veículo estacionado, enquanto os familiares das vítimas choravam, gritavam e se desesperavam. O motivo do crime ainda não está totalmente claro. Alguns deles afirmaram a policiais e jornalistas que os três atiradores seriam pistoleiros vindos de Pernambuco e teriam cometido o crime para vingar a morte de outro cigano, como sequência de uma suposta rivalidade entre famílias ciganas. Outra hipótese é de que os assassinos seriam ligados a traficantes de drogas, mas os dois irmãos não tinham nenhuma passagem pela polícia.
Emboscada – Já no Jardim Petrópolis, o crime aconteceu no final da Rua 11 e teve praticamente as mesmas características. Os dois rapazes estavam sentados em frente a uma casa em construção e foram atacados de surpresa pelos atiradores, que estavam em uma bicicleta, se aproximaram das vítimas, abriram fogo e fugiram. Vitor morreu no local, após levar um tiro na cabeça e outro no braço. Mateus, por sua vez, foi atingido no rosto, próximo à testa.
Mesmo ferido, ele correu até o outro lado da rua e foi acudido pelo pai, que o colocou em seu carro e levou-o até o Huse. O paciente chegou a ser atendido, mas não resistiu ao ferimento. O pai de Adson admitiu que o filho era usuário de drogas e afirmou suspeitar de que os assassinos também seriam usuários, indicando que o motivo do crime seria um suposto desentendimento entre eles. A polícia ainda não confirma esta versão.
Os dois casos são investigados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Qualquer informação que possa ajudar a identificar os assassinos pode ser repassada através do Disque Denúncia, pelo telefone 181 ou pelo aplicativo Disque Denúncia SE. Os canais são gratuitos e o informante não precisa se identificar.


