Milton Alves Júnior
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Números estatísticos da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) mostram que a frota de táxis em Aracaju está 300% acima do que recomenda o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Segundo informações do órgão municipal, a lei prevê um táxi para cada 800 moradores, e esta exigência vem sendo respeitada quando se refere aos táxis credenciados. Estima-se que a capital conta com 2.080 veículos desta categoria entre lotação, bandeira e empresas, mas este número pode ultrapassa a casa dos 2.500 em virtude da clandestinidade que permanece em progressão e sem eficiente combate por parte dos órgãos competentes. Estes números chegam para ‘aquecer’ a briga entre taxistas bandeirinhas e lotação.
De um lado, a classe trabalhadora que atua amparada pelo credenciamento garante que a Prefeitura de Aracaju e Governo do Estado deveriam intensificar as fiscalizações a fim de evitar que estas estatísticas permaneçam apontando a capital sergipana como uma das mais frágeis do país. Segundo os taxistas bandeirinhas, todos os sergipanos que desejam trabalhar como taxista em Aracaju são impossibilitados em circunstância do número máximo de credenciais já terem sido emitidas. Não encontrando solução, estes mesmos pleiteadores de licença iniciam um serviço clandestino e contribuem para que os 300% acima do normal tratem-se de números reais. Ao longo dos últimos anos mais de dez atos públicos foram promovidos pelos profissionais.
Para o taxista bandeirinha Elicar Santana, a omissão do poder público está em evidência e pode apresentar dados mais representativos até o primeiro trimestre de 2015. "Se continuar assim vamos chegar a 400, 500, 600%. O que mais chama a atenção da gente é que esses números são da própria SMTT que deveria resolver esse tipo de situação irregular, mas não fazem. Sabemos que a luta é grande, mas estamos unidos e tenho certeza que iremos, um dia, vencer essa batalha", disse. Em virtude dessa ausência de punição junto aos clandestinos, assim como desejam bandeirinhas, conflitos vêm sendo registrados de forma constante em várias regiões da Grande Aracaju.
Profissional há 20 anos, o taxista Paulo Fontes afirma que esta é a única maneira encontrada pela categoria a fim de ‘expulsar’ aqueles que insistem em desrespeitar a lei nacional. Insatisfeito com a problemática, o aracajuano de 43 anos garante que essa deslealdade dos clandestinos ocorre na tentativa de forçar os credenciados a deixar a profissão e abrir novas vagas. "Eles estão dispostos a brigar mesmo porque sabem que se a gente desistir a SMTT vai abrir mais vagas para eles, mas nós não iremos cair no jogo deles. Somos trabalhadores honestos e merecemos respeito. Quem acha que vamos abandonar o barco está muito enganado", declarou.
Demanda – Por outro lado, os taxistas não legalizados afirmam que permanecem realizando o serviço clandestino diante da vontade popular. Segundo este grupo de taxista, a ausência de taxistas bandeirinhas em determinadas regiões da capital contribui para que os usuários deste tipo de transporte sejam adeptos da irregularidade. Segurança de loja no período matutino, à noite Carlos dos Anjos esclarece os motivos que o fizeram assumir o risco da clandestinidade. "Eu e minha esposa moramos no Santa Maria e já chegamos a esperar duas horas por um ônibus, e tentar até dez taxistas para levar a gente para casa. Depois de tanta reclamação também dos meus vizinhos eu decidi comprar um carrinho velho e trabalhar nisso também".
Questionado quanto aos perigos, ele minimizou a questão e disse ter sido uma ‘invenção’ por parte dos taxistas bandeirinhas. "Faço esse transporte das sete até às onze e meia da noite e nunca fui roubado. Lá temos famílias que merecem respeito e assistência, coisa que há anos não acontece", lamentou. Conforme informado pela SMTT, o serviço de fiscalização é realizado diariamente, mas é impossível que agentes estejam em todos os pontos da cidade ao mesmo tempo. Para inibir a clandestinidade, o órgão solicita o apoio da população. As denúncias devem ser protocoladas através do número 118.


