Apesar dos elevados aumentos nos preços do tomate (23,50%) e da carne bovina (7,16%), o valor da cesta básica de Aracaju em agosto passado foi o menor do país: (R$ 212,99). A mais cara (R$ 308,27) foi a de Porto Alegre. Conforme pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), nos oito meses deste ano o feijão aumentou 61,07% na capital sergipana.
De acordo com o levantamento, no mês passado o salário mínimo deveria ser de R$ 2.589,78, ou 4,16 vezes o piso atual. Para chegar a este valor o Dieese tomou por base o custo da cesta básica apurado em Porto Alegre e levou em consideração o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para a manutenção de um trabalhador e a família dele, suprindo gastos com alimentação, moradia, educação, vestuário, saúde, transportes, higiene, lazer e previdência social.
No acumulado do ano até agosto, todas as capitais pesquisadas apresentam alta nos preços médios dos alimentos. Das 17 capitais, 11 apresentam variações acima de 10%. Os aumentos mais significativos foram verificados em Aracaju (16,89%), Rio de Janeiro (15,07%) e Brasília (14,77%).
A alta de preços na maioria das capitais determinou o aumento do tempo de trabalho necessário para comprar a cesta básica em agosto. Para adquirir o conjunto de produtos alimentícios essenciais, o trabalhador que recebe salário mínimo precisou trabalhar, em média, 95 horas e 03 minutos, pouco mais de 3 horas do tempo necessário em julho. Em agosto de 2011, a jornada média de trabalho exigida para a compra da cesta somava 94 horas e 38 minutos.
Quando a relação é feita com o salário mínimo líquido, ou seja após desconto da parcela correspondente à Previdência, verifica-se que o trabalhador comprometeu, em agosto deste ano, 46,96% dos vencimentos com a compra da cesta básica, percentual maior do que o exigido em julho (45,85%) e também do que o exigido no mesmo período do ano passado, quando correspondia a 46,76% do salário mínimo liquido vigente.

