Milton Alves Júnior
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Na manhã de ontem cerca de 200 manifestantes foram à sede da Superintendência do Patrimônio da União no Estado de Sergipe (SPU/SE), com o propósito de denunciar a venda ilegal de lotes para a construção de um resort em uma área localizada às margens da rodovia SE 100 no município de Pirambu. As terras referidas, e que supostamente estavam sendo vendidas pela administração municipal, são de interesse público e inicialmente foram destinadas exclusivamente para assentamento das comunidades quilombolas, porém, ao longo do tempo os próprios beneficiados não esboçaram mais interesse na área.
Assim que os manifestantes chegaram à frente da SPU, os líderes foram convidados para participar de uma reunião com o superintendente Waldemar Bastos Cunha. Durante o diálogo, souberam que ele estava de férias e como havia retornado apenas no último dia 10, ainda não tinha conhecimento da venda ilegal das terras. "Fui informado pela própria população quanto a essa irregularidade, sendo assim iremos notificar a prefeitura sinalizando que as terras são estatais e que não podem ser comercializadas em lotes, muito menos iniciar uma obra de cunho privado", disse.
Conforme informado pelos manifestantes, alguns lotes já haviam sido vendidos por R$ 42 mil, e outros já estavam orçados em até R$ 160 mil. Apesar de Waldemar Bastos ter informado que não tinha conhecimento da venda, membros da Central de Movimentos Populares (CMP) garantiram que no último mês de dezembro a direção geral da SPU havia sido oficialmente comunicada sobre a irregularidade. "Eles foram comunicados, mas nenhuma providência foi tomada. O nosso principal objetivo é agilizar o anúncio oficial de venda irregular e que a SPU convoque o apoio da Polícia Federal para impedir qualquer construção naquela área", afirmou a coordenadora da CMP, Roseane Patrício.
A coordenadora disse ainda que desde o mês de outubro de 2012, quando o Governo do Estado cedeu o espaço para a construção de duas mil casas populares, o projeto arquitetônico vem sendo estudado a fim de fornecer qualidade de vida para todas as famílias a serem beneficiadas. "Fomos pegos de surpresa com esse loteamento e de imediato comunicamos tanto a SPU estadual, como também junto a superintendência nacional. Percebemos que Waldemar e toda a sua equipe não tem se mostrado em trabalhar em prol das famílias, sendo assim também estamos pleiteando a saída dele a frente da SPU no Estado de Sergipe", concluiu.
A área total em discussão equivale a 150 mil metros quadrados.


