Gabriel Damásio
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A votação de um polêmico projeto sobre a carreira dos professores da rede municipal de ensino terminou em tumulto e acusações de agressão em São Cristóvão (Grande Aracaju). No final da noite de quinta-feira, seis equipes da Polícia Militar e uma da Civil foram chamadas para reforçar a segurança na Câmara de Vereadores do município, onde controlaram um tumulto entre o ex-vereador Israel Sarmento, que é chefe de captura da 12ª Delegacia Metropolitana (São Cristóvão), e professores ligados ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe (Sintese). Neste tumulto, Sarmento foi acusado de dar um tapa no rosto da professora Vera Lúcia Gomes dos Reis, 60 anos.
A agressão foi filmada pelos manifestantes e divulgada ontem pelo Sintese, que prestou queixa contra Israel na Delegacia Plantonista (Centro) e exigiu providências da Secretaria da Segurança Pública (SSP). À tarde, a Corregedoria da Polícia Civil (Corregepol) anunciou a abertura de inquérito policial para investigar a prática de "ato criminoso" por parte do ex-vereador, que nega a agressão e alega ter sido ameaçado pelos professores. A conduta disciplinar dele também será investigada, o que poderá lhe render uma punição administrativa. Os envolvidos começarão a prestar depoimento sobre o episódio na semana que vem.
Toda a confusão aconteceu por volta das 22h, quando a sessão da Câmara foi encerrada. Segundo o diretor de Bases Municipais do Sintese, Erineto Vieira dos Santos, que também é professor de São Cristóvão, dezenas de educadores se concentram no local de forma pacífica, desde o fim da tarde, por conta de rumores de que os vereadores aprovariam um projeto de lei que autoriza a Prefeitura local a fazer cortes de até 40% nos salários da categoria. "Esse projeto sequer tinha sido distribuído aos vereadores e nós protestamos. A sessão chegou a ser suspensa por 10 minutos, mas os vereadores voltaram logo com o projeto, que sequer foi lido", protestou.
O "projeto da morte", como foi chamado nos protestos, foi aprovado com oito votos a favor, quatro contrários e uma ausência. Os outros dois vereadores, por serem da Mesa Diretora, não votam. Segundo o sindicalista, não houve xingamentos ou agressões da parte dos professores, mas os ânimos ficaram exaltados, pois eles reclamavam muito dos cortes enquanto deixavam o prédio da Câmara. Vera Lúcia, que andava à frente de Sarmento, era uma das espectadoras. "A professora começou a falar dos cortes e reclamar contra os vereadores. Veio então o senhor Israel Sarmento, que tomou as dores dos vereadores, começou a ofender a professora com palavras de baixo calão e deu um tapa no rosto dela", relatou Erineto.
A filha da professora, Elizabeth Vitória dos Reis, 23, viu a mãe ser agredida e protestou contra o ex-vereador, que também levou um tapa, conforme as imagens divulgadas pelo Sintese. O diretor da entidade acrescenta que Sarmento também xingou a jovem com palavrões e termos como "magricela" e "ceguinha". Uma terceira professora, de prenome Valdice, teria sido empurrada na confusão e foi socorrida ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), após sofrer uma crise nervosa. O ex-vereador ainda referiu-se aos manifestantes como "baderneiros" e foi retirado de lá por dois policiais militares que o acompanhavam.
Outras equipes da PM foram chamadas para reforçar a segurança no local, além da deputada estadual Ana Lúcia Menezes (PT), que comunicou o caso ao Comando da Polícia Militar e à SSP. De acordo com Erineto, as professoras podem pedir proteção, pois temem alguma reação mais agressiva de Israel Sarmento. "Ele se mostra uma pessoa agressiva e despreparada para lidar com um conflito social. Afinal, não somos marginais. Somos professores preocupados com o nosso futuro", disse o professor.
Versão – O agente Israel Sarmento não deu entrevistas ontem, mas deu acesso ao boletim de ocorrência que prestou em outra delegacia, contra os manifestantes do Sintese. Ele afirma que foi solicitado pela presidência da Câmara Municipal de São Cristóvão para dar segurança à sessão dos vereadores, por causa da concentração de professores. Segundo o ex-vereador, ele foi questionado de forma dura pela professora Vera Lúcia e por Elizabeth, que colocou o dedo em seu rosto. Sarmento alega que reagiu empurrando a mão da moça e passou a ser ameaçado. Informalmente, ele ainda prometeu processar os sindicalistas por calúnia e difamação.


