Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br
Uma quadrilha de criminosos recorreu a um método ousado para assaltar a agência do Banco do Brasil em Itabaianinha (Sul), durante a manhã de ontem: seqüestrou o gerente da agência e um dos filhos dele por cerca de 14 horas. O crime começou ainda na noite de quarta-feira, quando cerca de seis bandidos armados dominaram a família do bancário na casa dele, em Lagarto (Centro-Sul). No entanto, a polícia só foi avisada pouco antes das 10h de ontem, após a abertura do expediente. Por volta das 8h40, o gerente esteve na agência e desarmou os vigilantes, antes de entregar o dinheiro e ser também levado pelos criminosos.
O gerente, de prenome Anselmo, foi libertado no início da tarde em uma estrada deserta próxima ao povoado Ilha, na zona rural de Itabaianinha. Já o filho da vítima, de 18 anos, foi deixado pelos criminosos em outra estrada de terra, mas na cidade vizinha de Arauá, próximo à Fazenda Buril. No mesmo local, o carro do bancário foi queimado e abandonado pelos criminosos, indicando que os criminosos tentaram eliminar os vestígios de seu uso durante o assalto. Os reféns conseguiram voltar para Itabaianinha depois de pedir carona a motoristas e reencontraram-se com familiares na Delegacia da cidade.
O crime mobilizou várias equipes das polícias Civil e Militar, que reforçaram as buscas aos criminosos em todas as cidades da região. Da capital, foram enviados um helicóptero do Grupamento Tático Aéreo (GTA) e equipes do Grupo de Ações Táticas do Interior (Gati), do Comando de Operações Especiais (COE) e do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). No começo da tarde, soldados do 7º Batalhão da PM (7º BPM) prenderam quatro homens em um Fiat Idea que estavam armados próximo ao presídio da cidade, mas a participação deles no assalto ao banco foi descartada, pois as vítimas não os reconheceram (leia mais no boxe).
A frieza e a organização dos assaltantes foi tamanha que ninguém percebeu o assalto ao banco, que fica embaixo da sede da Prefeitura de Itabaianinha. Na hora do crime, acontecia uma reunião do prefeito Robson Cardoso (PSDB) com todo o seu secretariado – e todos só souberam do assalto após a chegada da polícia. E não foi o primeiro assalto do ano: em 7 de fevereiro, a mesma agência do BB foi praticamente destruída durante a madrugada, quando 15 bandidos armados explodiram três caixas eletrônicos e levaram o dinheiro. Parte do teto da prefeitura também foi afetada pela explosão.
Todas as informações levantadas pela polícia apontam que os bandidos planejaram bem o assalto ao BB, a partir de informações sobre a rotina do gerente. Apurou-se que ele voltava de carro para Lagarto no começo da noite de quarta, quando criminosos o interceptaram no meio da estrada, disparando tiros contra os pneus. Anselmo foi rendido pelos ladrões, os quais, fortemente armados, obrigaram-no a levá-los até sua casa. Lá, o grupo tomou a namorada do gerente e o filho dele como reféns. A partir daí, começou uma longa madrugada de terror, com agressões e ameaças de morte que até foram gravadas em vídeo com o celular do bancário.
Com o clarear do dia, o gerente voltou para Itabaianinha na companhia de pelo menos dois dos bandidos, enquanto os comparsas ficaram na casa, vigiando os familiares dele. Forçado a agir como se nada tivesse acontecido, Anselmo chegou ao banco e abriu o cofre para retirar o dinheiro, além de pedir aos vigilantes que entregassem suas armas. Tentando conter seu pavor, ele mostrou aos colegas o vídeo gravado pelos bandidos, no qual eles apontam armas contra a cabeça do filho de 18 anos e prometem matá-lo, caso o refém não seguisse as instruções. Atônitos, os funcionários colaboraram.
Depois de guardar o dinheiro e as armas em caixas, o gerente saiu da agência e voltou para seu carro, onde os bandidos os aguardavam. A dupla então fugiu levando o refém e as caixas com as armas e o dinheiro, cuja quantia não foi divulgada. Já na casa da vítima, os outros criminosos também fugiram após a conclusão do roubo, levando o jovem. Enquanto isso, os funcionários do banco permaneceram trancados na agência, mesmo depois do horário de abertura do expediente. Os clientes, já em fila, decidiram chamar a polícia quando desconfiaram da demora em abrir a agência e perceberam a movimentação tensa dos bancários, os quais, com a chegada da PM, pediram socorro e confirmaram o sequestro do gerente.
As buscas da polícia se intensificaram em toda a cidade até o começo da tarde, quando o gerente e o filho dele chegaram à Delegacia de Itabaianinha, em estado de choque. Protegidos pelos colegas do BB, eles foram orientados a não falar com os jornalistas, permanecendo na delegacia por toda a tarde. Já a Polícia Civil confirmou os detalhes narrados pelas vítimas, mas não deu outras informações sobre suspeitas ou pistas da quadrilha, garantindo apenas que investiga todas elas.


